A Dúvida do Conselheiro

O nascer do sol lançou um brilho dourado sobre as torres do castelo, mas sua luz não alcançava as sombras profundas dos planos que estavam sendo elaborados dentro de seus muros. Meu encontro com Celia na noite anterior havia sido um sinal claro de que as coisas estavam prestes a mudar. Havia mais pessoas interessadas em desestabilizar o Duque do que eu inicialmente acreditava. Com aliados emergindo das sombras, era hora de agir com cautela e precisão, pois cada passo em falso poderia custar caro.

Acordei cedo, minha mente girando em torno do próximo movimento: o Conselheiro Roderick. Sabia que ele estava ponderando a minha proposta, mas também que a hesitação podia ser tão perigosa quanto a ação direta. Ele era astuto e não se moveria até ter certeza de que a balança pendia a seu favor. No entanto, eu precisava que ele tomasse uma decisão – e rápido. Sabia que o Duque tinha suas próprias suspeitas e, se decidisse agir primeiro, tanto eu quanto Roderick poderíamos nos encontrar em uma posição de vulnerabilidade.

Dirigi-me ao escritório de Roderick sem aviso prévio, desejando pegá-lo de surpresa. O corredor estava silencioso, exceto pelo som dos meus passos firmes contra o chão de pedra. Quando cheguei à porta de seu escritório, bati levemente, e uma voz familiar me chamou para entrar. Ao abrir a porta, o vi sentado em sua poltrona habitual, com montes de documentos espalhados pela mesa. Ele ergueu os olhos lentamente, sua expressão impenetrável, como sempre.

"De novo tão cedo, caro amigo?" Roderick sorriu, mas havia algo em seus olhos que indicava que ele já sabia o motivo da minha visita. "O que o traz ao meu humilde escritório desta vez?"

Fechei a porta atrás de mim e caminhei até a mesa, ignorando sua tentativa de sarcasmo. "Acredito que já tenha ponderado sobre a minha oferta. O tempo está correndo, e nós dois sabemos que o Duque não vai esperar indefinidamente. Ele suspeita de algo."

Roderick inclinou-se para frente, entrelaçando os dedos diante de si, seu olhar fixo em mim. "Você me pede que me alinhe com você, mas ainda não tenho provas concretas de que sua causa é a mais forte. O Duque pode ser um tirano, mas ele é um tirano com poder. Você, por outro lado, tem ambição, mas ambição sozinha não garante sucesso."

Eu sorri levemente. Ele estava certo em parte, mas subestimava o poder da informação. "Roderick, você é um homem inteligente, e é por isso que estou aqui. O Duque está cometendo erros. Ele está mais isolado do que nunca. Seus aliados estão começando a questionar sua liderança, e se você se alinhar comigo agora, poderemos capitalizar isso. Eu sei que você não é fiel a ele. Você é fiel a si mesmo – e isso é algo que posso respeitar."

Roderick levantou uma sobrancelha, interessado, mas ainda não convencido. "E o que exatamente você me oferece, além de promessas vazias?"

Eu me aproximei, colocando as mãos na mesa dele, inclinando-me para que minhas palavras fossem ouvidas com clareza e convicção. "O que eu ofereço é uma mudança de poder. Quando o Duque cair – e ele cairá – haverá um vácuo. Alguém precisará preencher esse espaço, e você, Roderick, poderá ser a figura que ajudará a governar as novas estruturas. Poder político, mais do que você jamais poderia sonhar enquanto estiver nas sombras do Duque."

Roderick ficou em silêncio por alguns momentos, sua mente claramente trabalhando em diversas possibilidades. Ele era um homem que se movia por oportunidades, e eu sabia que estava oferecendo algo que tocava em suas ambições mais profundas. A chave seria dar a ele a sensação de segurança e controle que tanto valorizava.

Depois de alguns momentos, ele se recostou na cadeira, seu olhar ponderado. "Muito bem. Vou considerar sua oferta com mais seriedade. Mas saiba disto: se eu me unir a você e falharmos, não haverá escapatória para nenhum de nós. O Duque não perdoa traição. Você precisará de mais do que palavras para garantir nossa vitória."

Assenti, sabendo que havia conquistado um avanço importante. "Eu compreendo os riscos, Roderick. Mas saiba que cada movimento que fiz até agora foi calculado. Não jogarei a sorte no vento. Estarei sempre um passo à frente."

Roderick sorriu de canto, algo entre o ceticismo e o reconhecimento. "Veremos."

Saí do escritório dele com um leve peso a menos sobre meus ombros. Sabia que Roderick ainda estava jogando em ambos os lados, mas isso já era esperado. O importante era que ele começava a ver o potencial em se aliar comigo. Quanto mais o tempo passasse, mais ele se inclinaria para o meu lado, desde que eu continuasse a demonstrar força.

Com minha mente já girando em torno dos próximos passos, encontrei Celia nos jardins do castelo ao cair da tarde. A mercenária estava recostada em um dos bancos de pedra, seus olhos atentos e sempre vigilantes. Ela me viu aproximar-se e sorriu, o brilho traiçoeiro em seu olhar, como sempre.

"Então, o que temos para hoje?", ela perguntou, casual, mas claramente curiosa sobre meus movimentos.

"Roderick está quase do nosso lado", disse, sentando-me ao seu lado. "Mas precisamos de mais. Precisamos de informações sobre os aliados do Duque. Ele tem um círculo fechado de confiança, e se não soubermos quem são e onde estão, podemos ser surpreendidos."

Celia assentiu, já prevendo onde isso iria parar. "Você quer que eu encontre esses aliados, suponho. Eles devem estar bem escondidos, mas nada que algumas moedas de ouro não possam comprar de alguns espiões."

"Exatamente", respondi, olhando para os portões do castelo ao longe. "Preciso que você descubra quem são, onde estão, e o que estão planejando. Qualquer vantagem que possamos ganhar será decisiva."

Ela sorriu largamente, satisfeita com a tarefa. "Deixe comigo. Em breve, você terá todos os nomes de que precisa. Mas lembre-se: nada é de graça neste jogo, e meus serviços têm um preço."

Eu sabia que estava fazendo um pacto arriscado com Celia, mas naquele ponto, arriscar era inevitável. Ela era uma peça valiosa, e enquanto ela estivesse ao meu lado, o equilíbrio de poder poderia começar a pender a meu favor.

Enquanto o crepúsculo descia sobre o castelo, a sensação de que o destino estava se aproximando de um ponto de ruptura se intensificava. As peças estavam em movimento, e eu sabia que a queda do Duque estava se aproximando.

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