A sala estava mergulhada em um silêncio desconfortável. O Duque, com sua presença imponente, ocupava o centro como um rei dominando seu reino particular. Seus olhos me analisavam de cima a baixo, como se tentassem ler o que estava escondido atrás do meu rosto impassível. Um jogo de aparências estava prestes a começar, e eu sabia que, se quisesse manter o controle, precisaria jogar com precisão e cuidado.
"Interessante encontrá-lo aqui, tão tarde da noite", disse o Duque, sua voz carregada de um tom quase casual, mas com uma clara insinuação por trás. Ele sempre tinha esse jeito de transformar conversas triviais em jogos de poder. "Certamente não estava esperando encontrá-lo perambulando pelos corredores em uma hora tão... delicada."
Havia um peso em suas palavras, um subtexto que eu não poderia ignorar. O Duque era astuto, talvez o homem mais inteligente e perigoso de todo o reino. Ele não fazia perguntas por acaso; cada frase era uma armadilha cuidadosamente montada, e eu precisaria ser ainda mais astuto para evitar cair nelas.
Sorri, fingindo indiferença. "A noite tem uma maneira peculiar de trazer reflexões inesperadas, Vossa Graça. Precisava de um momento para mim, longe do caos das intrigas." Uma meia verdade. A melhor forma de manipular a realidade era misturando um toque de verdade com a mentira.
Ele deu um passo à frente, seus olhos afiados cravados nos meus. "É mesmo? E o que tanto lhe aflige para que precise vagar por aí, tão perdido em seus pensamentos?" Sua pergunta era uma provocação disfarçada de curiosidade. Ele queria saber se eu cometera algum deslize, se algo havia mudado no meu comportamento. Talvez ele já tivesse sentido a mudança nos ventos, uma leve brisa que prenunciava a tempestade que eu havia começado a moldar.
"Preocupações de um vilão, talvez?", completei com um sorriso, minhas palavras carregadas de sarcasmo, mas também de uma verdade que eu sabia que ele entenderia. O Duque sempre foi alguém que prosperava no caos das intrigas, e para ele, ser o vilão de uma história era apenas uma questão de perspectiva. Ele sabia que no jogo de poder, não havia heróis ou vilões, apenas vencedores e perdedores.
O Duque riu, mas seu riso foi curto, frio, sem alcançar os olhos. "Ah, mas não subestime o peso de ser o vilão, meu caro. Os papéis que escolhemos desempenhar são tão voláteis quanto o vento. Um movimento errado, e o vilão pode ser visto como herói... ou pior, o herói pode se transformar em algo muito mais perigoso." Seus olhos brilharam por um instante, e senti a tensão crescente. Ele estava testando minhas intenções, sentindo que algo havia mudado, mas sem conseguir definir exatamente o quê.
Eu precisava controlar a situação antes que ele percebesse que o jogo estava começando a mudar. Cada palavra que saía da boca do Duque era uma provocação velada, uma tentativa de me fazer vacilar. Mas eu sabia que, naquele momento, a única maneira de sair ileso desse encontro era permanecer imperturbável.
"Vossa Graça fala como se estivesse sugerindo que os papéis podem ser reescritos", repliquei, mantendo meu tom leve, mas com uma pontada de desafio. "No entanto, todos nós sabemos que o destino tem uma maneira cruel de prender cada um de nós em nossas funções, por mais que tentemos lutar contra isso." Uma verdade meio-dita, carregada de ironia. Eu sabia, mais do que ninguém, o que era estar preso a um papel destinado ao fracasso. Mas, desta vez, eu não iria seguir o roteiro à risca.
O Duque me observou por um longo momento, sua expressão não mudando, mas seus olhos parecendo avaliar cada nuance de minhas palavras. Ele estava desconfiado, claro, mas ainda não tinha todas as peças do quebra-cabeça. Isso era uma vantagem para mim. Eu sabia o que viria a seguir, enquanto ele ainda estava preso em seu próprio jogo de manipulações.
Finalmente, ele sorriu, mas havia algo de perigoso em seu sorriso. "Talvez. Talvez o destino seja tão imutável quanto acreditamos. Ou talvez seja apenas um capricho, moldado pelas mãos mais habilidosas."
Com essas palavras, ele deu as costas e começou a caminhar lentamente em direção à saída da sala, mas não sem antes lançar uma última frase, como uma faca jogada ao vento. "Só espero que você, meu caro, tenha mãos habilidosas o suficiente para jogar este jogo até o fim."
Enquanto ele se afastava, senti uma tensão deixar meus ombros, mas ao mesmo tempo, uma nova pressão se instalava. O Duque não era tolo. Ele sabia que algo estava fora do lugar, e em breve, ele começaria a investigar com mais profundidade. Eu precisaria estar sempre dois passos à frente dele, antecipando seus movimentos e ajustando meu próprio jogo de acordo.
Quando a porta se fechou atrás de mim, respirei fundo. O primeiro confronto havia terminado, mas isso era apenas o prelúdio de uma batalha muito maior. O Duque era um adversário formidável, e se eu quisesse vencer, precisaria jogar com uma habilidade que ainda não tinha demonstrado.
Eu estava consciente de que cada passo em falso poderia ser fatal. O Duque tinha olhos em todos os lugares, e qualquer hesitação seria detectada e usada contra mim. Mas agora, com a trama já alterada e as primeiras peças movidas, não havia mais volta. O destino já começava a se reescrever, e as máscaras estavam caindo.
Naquele momento, percebi que eu não era o único a manipular o tabuleiro. O Duque também estava jogando, e seu próximo movimento poderia ser o golpe que desestabilizaria tudo. Eu precisava agir rápido, e com precisão cirúrgica, se quisesse manter o controle sobre meu próprio destino.
Enquanto deixava o salão, um novo plano começava a se formar em minha mente. Eu sabia que não poderia simplesmente esperar que o Duque fizesse seu próximo movimento. Precisava ser proativo, descobrir seus segredos antes que ele pudesse descobrir os meus. A próxima jogada seria minha. E seria decisiva.
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Atualizado até capítulo 21
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