Após a saída dramática de Roderick, a sala do Conselho permaneceu em um silêncio opressivo, marcado por olhares furtivos e murmúrios nervosos. O Duque, em pé, observava atentamente seus conselheiros, enquanto a tensão parecia palpável no ar. Cada um deles estava ciente de que um equilíbrio de poder havia mudado — e não havia como voltar atrás.
Celia, por sua vez, parecia mais tranquila do que nunca. Um leve sorriso de satisfação brincava em seus lábios, como se ela tivesse atingido um objetivo maior. Eu não conseguia deixar de me sentir inquieto. O que estava por trás de sua audácia? Quais eram suas verdadeiras intenções? Enquanto os outros conselheiros discutiam a situação, meu olhar fixou-se nela, buscando respostas nas expressões faciais dela.
“O que faremos agora, Vossa Graça?”, perguntou um dos conselheiros, o nervosismo evidente em sua voz. “Se Roderick realmente estava traindo, quem mais está envolvido? Como podemos garantir que isso não aconteça novamente?”
“Precisamos investigar mais a fundo”, respondeu o Duque, seu tom grave reverberando pela sala. “Não podemos permitir que traições como essa se alastrem. O ducado é nossa prioridade, e faremos o que for necessário para proteger nossa posição.”
Celia, ainda de pé, decidiu intervir. “Com o devido respeito, Sua Graça, Roderick pode não ser o único traidor. Se ele estava colaborando com os inimigos, pode haver outros que se beneficiaram de sua traição. É crucial que examinemos todas as alianças que temos e que identifiquemos quaisquer outros pontos fracos em nossa estrutura.”
O Duque inclinou a cabeça, avaliando a proposta de Celia. “Sim, isso faz sentido. Precisamos de uma investigação abrangente. Porém, como podemos garantir que os investigados não estejam informados de nossos movimentos?”
“Precisamos agir com discrição”, eu intervi, aproveitando a oportunidade. “Uma abordagem furtiva, sem revelar nossas intenções, pode ser o caminho mais seguro. Posso ajudar com isso. Tenho algumas ideias sobre como podemos desmantelar a rede de traição que Roderick e seus aliados estabeleceram.”
O Duque olhou para mim, uma expressão de interesse misturada a desconfiança. “E o que você propõe, Conselheiro?”
Respirei fundo, sabendo que precisava ser convincente. “Podemos começar com uma coleta de informações sigilosas. Contatar alguns dos servos mais leais e investigar seus laços. Eles podem ter ouvido coisas que podem nos ajudar. Além disso, precisamos reunir todas as correspondências e documentos que Roderick deixou para trás. Ele pode ter revelado mais do que imagina.”
Celia acenou com a cabeça, parecendo satisfeita com minha proposta. “Essa é uma boa abordagem. Podemos agir rapidamente e colocar as peças em movimento antes que os traidores se percebam do que está acontecendo.”
“O que você sugere, então?”, perguntou o Duque, sua expressão agora mais decidida. “Quero que esta investigação comece imediatamente. Não podemos permitir que o medo nos paralise.”
“Podemos dividir as tarefas entre os conselheiros”, propus. “Alguns podem ficar encarregados de investigar os servos, enquanto outros analisam os documentos. Juntos, podemos unir as informações e descobrir a extensão da traição. Em breve, teremos um plano mais claro.”
O Duque olhou ao redor da sala, sua determinação agora evidente. “Muito bem. Vamos trabalhar juntos para desvendar essa rede de traição. Mas lembrem-se, todos os passos que damos devem ser dados com cautela. Não podemos perder a nossa vantagem.”
Assim que o Conselho começou a se dispersar para realizar suas tarefas, Celia se aproximou de mim. “Bom trabalho. Você jogou bem. Sua proposta foi convincente.”
“Mas o que você realmente espera ganhar com isso?”, perguntei, a curiosidade me consumindo. “Você não está apenas tentando proteger o Duque, está? Há algo mais nessa jogada.”
Ela sorriu, mas não era um sorriso de alívio. Era calculado, cheio de segredos. “Todos têm seus próprios interesses, não é mesmo? O que importa é que, enquanto a verdade não vier à tona, posso moldar o jogo a meu favor.”
Eu a observei, perplexo. Havia algo que não estava claro, algo que me dizia que Celia não era apenas uma aliada, mas uma jogadora que poderia se voltar contra mim a qualquer momento. Mas havia mais em sua história, e eu precisava descobrir o que realmente a movia.
Naquela noite, a escuridão caiu sobre o castelo, mas eu não consegui encontrar paz. Enquanto todos estavam ocupados com suas tarefas, eu me retirei para minha sala, com um misto de determinação e dúvida. A situação estava se desenrolando em um ritmo acelerado, e eu sabia que precisava agir rapidamente.
Pus-me a rever os documentos que haviam sobrado de Roderick. A cada página que folheava, sentia uma onda de nervosismo e adrenalina. As informações que ele possuía poderiam ser a chave para desvendar a teia de traições que ameaçava o ducado. Cada palavra escrita era um passo em direção à verdade.
Concentrando-me, comecei a anotar pontos que poderiam ser importantes. Informações sobre aliados e inimigos, transações financeiras suspeitas e encontros secretos. Cada detalhe importava. E se eu conseguisse descobrir algo que todos haviam perdido de vista? Um detalhe que pudesse virar a maré a nosso favor.
Enquanto trabalhava, um pensamento persistente me assombrava: quem realmente era Roderick, e por que ele estava tão determinado a destruir o Duque? Era apenas uma busca por poder, ou havia uma razão mais pessoal para sua traição? A curiosidade me impulsionava, mas a necessidade de permanecer cauteloso era igualmente forte.
Naquela noite, a verdade parecia mais distante do que nunca, mas eu estava decidido a encontrá-la. O jogo estava apenas começando, e eu não tinha a intenção de ser um peão nesta partida. Estava determinado a me tornar um jogador. E, enquanto as sombras se alongavam pela sala, percebi que a luta pela verdade não seria apenas contra os traidores, mas também contra aqueles que manipulavam as peças do tabuleiro a seu favor, inclusive Celia.
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Atualizado até capítulo 21
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