Os Primeiros Fios da Conspiração

A noite avançava lentamente, e as chamas das tochas que iluminavam os corredores do castelo pareciam fraquejar, como se até o fogo estivesse cansado de testemunhar tantas intrigas. Depois do confronto com o Duque, minha mente estava em pleno turbilhão, mas não havia tempo para hesitação. Se o Duque suspeitava de algo, precisaria agir rápido. Minha vantagem estava em conhecer o roteiro, mas a cada nova decisão, ele se desdobrava em direções imprevisíveis. O destino, que antes parecia tão sólido, começava a se desfazer em minhas mãos.

Ao atravessar os corredores, uma ideia começou a ganhar forma. Se eu queria manter o controle e reescrever meu destino, precisaria de aliados. Jogar sozinho contra o Duque e todos os outros era tolice. Ele tinha espiões, informantes e um exército de servos leais. Eu precisaria ser mais astuto, mais estratégico. Se eu queria virar o jogo, precisava tecer minha própria rede de aliados, pessoas que pudessem ser influenciadas ou manipuladas para servirem aos meus interesses.

Meu primeiro alvo era claro: Marienne, a criada que eu havia interceptado no corredor. Ela já havia sido desviada de seu caminho, e eu sabia que agora era a hora de firmar essa aliança. Uma criada humilde, ignorada pela maioria, mas com acesso a informações cruciais. Ela sabia mais do que aparentava, e, com a motivação certa, poderia se tornar uma peça importante no meu tabuleiro.

Encontrei-a nos aposentos dos servos, uma área simples, mas funcional, longe dos luxos do castelo principal. Ela estava sozinha, ocupada com tarefas triviais, mas seus olhos ainda demonstravam o nervosismo do nosso último encontro. Quando percebeu minha presença, largou o que estava fazendo imediatamente, curvando-se levemente, com uma expressão de inquietação evidente.

"Você fez bem, Marienne", disse calmamente, aproximando-me dela com um olhar calculadamente amigável. "Graças a você, conseguimos evitar um desastre. Mas temo que isso seja apenas o começo." Minha voz era baixa, quase um sussurro, como se confidenciasse um segredo que apenas ela poderia ouvir.

Ela levantou os olhos, ainda desconfiada. "O Duque... Ele não sabe?" Sua voz era um murmúrio de medo, mas havia algo mais ali. Algo que eu podia usar.

"Por enquanto, não", respondi, observando sua reação cuidadosamente. "Mas ele vai descobrir em breve. E quando isso acontecer, você não quer estar do lado errado." A pausa foi deliberada. Eu queria que ela sentisse o peso da escolha que estava prestes a fazer. "No entanto, se você continuar ao meu lado, posso garantir sua proteção. O Duque pode ser poderoso, mas ele não é invencível."

Ela mordeu o lábio inferior, claramente dividida entre o medo e a possibilidade de escapar do controle sufocante do Duque. Sabia que ela estava pensando nas consequências de sua lealdade dividida. "O que eu devo fazer?", perguntou, com a voz trêmula, mas carregada de curiosidade e, talvez, de uma esperança silenciosa.

Aquele era o momento decisivo. Se eu conseguisse fazer com que ela me seguisse, teria uma aliada com acesso a informações valiosas. E informações, como bem sabia, eram mais poderosas do que qualquer arma ou exército. "O que quero de você é simples", comecei, mantendo meu tom suave, mas com um fio de autoridade. "Continue fazendo o que sempre fez. O Duque não pode saber que estamos trabalhando juntos. Mas, sempre que houver algo de interesse, qualquer plano, qualquer informação que você ouvir... traga-a para mim. Juntos, podemos derrubar o Duque e garantir que ele não prejudique nem a mim, nem a você."

Ela hesitou, mas, depois de um longo silêncio, assentiu lentamente. "Eu farei isso", disse com a voz baixa, como se estivesse falando consigo mesma mais do que comigo. Ela sabia que estava entrando em um jogo perigoso, mas também sabia que, sem aliados, estava sozinha em um mundo implacável.

O primeiro fio da minha teia estava amarrado. Marienne seria útil, e, com o tempo, eu poderia testar sua lealdade ainda mais. Sabia que, no fundo, ela nutria um desprezo silencioso pelo Duque. Muitos servos o faziam. Ele era impiedoso, e sua falta de consideração pelos inferiores o tornava temido, mas não amado. Eu poderia usar isso ao meu favor, construindo uma base de apoio entre aqueles que ele considerava insignificantes.

Saí dos aposentos dos servos com um novo objetivo em mente. A aliança com Marienne era apenas o começo. Sabia que precisaria de outros aliados, figuras mais influentes, para garantir que meu plano tivesse sucesso. E, entre todas as figuras no castelo, uma em particular me chamava a atenção: o Conselheiro Roderick.

Roderick era uma figura enigmática, sempre pairando nas sombras do poder, mas com uma mente afiada e ambições próprias. Ele não era completamente leal ao Duque, isso era certo. Roderick servia a si mesmo antes de qualquer outro, e se eu pudesse convencê-lo de que meus planos serviriam a seus interesses, ele poderia ser um aliado poderoso – ou, pelo menos, um adversário que eu preferiria ter ao meu lado.

O caminho até o escritório de Roderick era longo, mas eu estava determinado. Sabia que a chave para derrotar o Duque não estava apenas em impedir suas ações, mas em entender seus próprios pontos fracos. E Roderick, com seu conhecimento profundo das intrigas do castelo, poderia fornecer as informações que eu precisava.

Bati suavemente na porta do escritório de Roderick, e uma voz grave me chamou para entrar. O ambiente era escuro, iluminado apenas por uma única vela sobre a mesa, lançando sombras estranhas sobre os documentos espalhados. Roderick, sentado atrás da mesa, levantou os olhos ao me ver, seu rosto uma máscara de curiosidade contida.

"Que honra ter sua visita a estas horas", disse ele, sua voz carregada de sarcasmo. "O que posso fazer pelo nosso ilustre vilão nesta noite?"

Sorri, mas era um sorriso calculado, desprovido de emoção genuína. "Não há necessidade de sarcasmo, Roderick. Estamos todos jogando o mesmo jogo aqui. A questão é: de que lado você realmente está?"

Roderick levantou uma sobrancelha, seu interesse claramente despertado. "E por que você acha que eu escolheria o seu lado?"

"Porque no meu lado, há espaço para crescimento, para poder. No lado do Duque... bem, você já sabe como ele trata aqueles que se aproximam demais." Meus olhos fixaram-se nos dele, e por um momento, houve silêncio. Era um jogo de vontades, e eu sabia que Roderick estava ponderando minhas palavras.

"O Duque é imprevisível, isso é certo", respondeu Roderick, inclinando-se para frente. "Mas você também é. Qual garantia você pode me dar de que sua proposta é mais segura?"

"Eu não ofereço segurança", respondi sem hesitar. "Eu ofereço oportunidade. Se você quiser seguir alguém que apenas promete segurança, então siga o Duque até o fim. Mas, se quiser algo mais – poder, influência, um lugar de verdade neste jogo – então me ajude a derrubá-lo."

O jogo estava ficando cada vez mais arriscado. O próximo movimento de Roderick seria decisivo.

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