A Armadilha

O ar estava pesado com a tensão enquanto Célia me encarava, um sorriso intrigante desenhado em seu rosto. A situação rapidamente se transformava em uma armadilha, e a cada instante, eu percebia que havia subestimado o jogo de poder em que estava imerso. O Duque olhava de mim para Célia, sua expressão se contorcendo em confusão, e a sensação de perigo pulsava ao meu redor.

“Célia, o que você está insinuando?” perguntei, tentando manter minha voz firme, apesar da tempestade de emoções que fervilhava dentro de mim. O que ela sabia que eu não sabia? O que estava em jogo agora?

“Eu não estou insinuando nada, Conselheiro”, disse ela, sua voz suave, mas carregada de um poder implícito. “A questão é: até onde você está disposto a ir para proteger o Duque e seu ducado? Você realmente acredita que tem todas as peças deste quebra-cabeça em suas mãos?”

A provocação em suas palavras era clara. Eu sabia que ela estava jogando um jogo mais profundo e que a verdade que eu havia descoberto poderia se voltar contra mim. O Duque parecia cada vez mais inquieto, sua expressão de desconfiança se aprofundando.

“Célia, este não é o momento para joguinhos. Precisamos agir. O festival está prestes a começar, e há uma ameaça real contra você e o ducado”, eu disse, tentando apelar para a razão.

Ela deu uma risada suave, mas seu olhar era cortante. “Você fala de ameaças como se estivesse a par de tudo. E se eu lhe dissesse que o verdadeiro perigo não vem do exterior, mas de dentro?” As palavras dela ecoaram na sala, cada uma delas um fio que puxava na teia de incertezas que nos cercava.

O Duque, percebendo a gravidade da conversa, interveio. “Célia, o que você está tentando dizer? Você sabe de algo que eu não sei?”

Ela hesitou por um breve momento, como se estivesse avaliando suas opções. Então, com uma frieza calculada, respondeu: “O que você precisa entender, Vossa Graça, é que nem tudo é o que parece. Roderick pode ter traído você, mas eu sei que ele não está sozinho. Há mais pessoas envolvidas, e algumas delas estão muito mais próximas do que você imagina.”

Um calafrio percorreu minha espinha. Célia estava jogando uma partida perigosa, e suas palavras eram como um veneno que se espalhava pelo ar. “Se você sabe de algo, precisa nos dizer. Se há um plano em andamento, precisamos detê-lo”, insisti, determinado a não deixar que o jogo dela me desviasse do foco.

Célia olhou para mim com uma expressão de desdém. “E por que eu deveria ajudá-lo? Qual é o seu valor neste tabuleiro? Você está prestes a ser descartado, Conselheiro, e talvez você mesmo seja uma parte da distração que eles precisam.”

As palavras dela cortaram profundamente. O que ela estava insinuando? Eu olhei para o Duque, que parecia estar absorvendo a gravidade da situação. Era claro que ele precisava de respostas, e eu precisava ganhar tempo.

“Célia, se você tem informações, se realmente se preocupa com o Duque e com o futuro do ducado, agora é a hora de falar. Não temos mais tempo”, pedi, meu tom implorativo.

Ela parecia hesitar, o brilho em seus olhos se atenuando por um instante. “E se eu dissesse que você é uma peça importante para que isso aconteça? Que seu destino está entrelaçado com o do Duque?”

“O que você quer dizer com isso?” O frio na barriga se intensificou. O que Célia estava insinuando era mais do que apenas intriga; era uma dança de vidas e destinos.

“Eu posso ajudá-lo a descobrir a verdade, mas isso exige confiança. E se você quer salvar o Ducado, precisará decidir de quem pode realmente confiar”, disse Célia, seu tom agora mais sério.

Antes que eu pudesse responder, o Duque se adiantou. “Se você está dizendo que há uma ameaça interna, então precisamos agir com cautela. O festival não pode ser cancelado, mas podemos fazer preparativos para garantir que a segurança esteja em primeiro lugar. Você, Conselheiro, deve investigar mais sobre isso. Célia, quero que você se envolva diretamente. Precisamos saber quem está com Roderick e o que planejam.”

Célia assentiu, mas seu olhar sobre mim era de desconfiança. O Duque parecia determinado, mas eu estava começando a perceber que Célia não era apenas uma jogadora; ela era uma rainha no tabuleiro, movendo as peças como quisesse.

Assim que a reunião terminou, decidi que era hora de me reunir com Isabella novamente. Ela poderia ter informações cruciais que poderiam ajudar a entender a profundidade da traição que estava se desenrolando. Ao sair do escritório, encontrei Isabella esperando do lado de fora, seu olhar ansioso.

“O que aconteceu? Você parecia preocupado ao entrar”, disse ela, sua expressão revelando sua preocupação genuína.

“Célia estava lá. Ela sabe mais do que parece, e sua lealdade é duvidosa”, respondi, sentindo a necessidade de compartilhar tudo o que havia descoberto. “Ela mencionou uma ameaça interna e que Roderick não está sozinho em seus planos. Precisamos agir antes que eles ataquem.”

Os olhos de Isabella se ampliaram. “Isso é mais sério do que eu imaginei. Se Célia estiver realmente envolvida, não podemos confiar em mais ninguém. Precisamos reunir aliados que possam nos ajudar.”

Concordei, mas uma sensação de urgência me consumia. “Precisamos de provas concretas. Vamos buscar testemunhas ou qualquer informação que possa corroborar o que sabemos. Quanto mais rápido agirmos, melhor.”

Isabella assentiu, e juntos nos dirigimos para o salão onde alguns dos servos se reuniam. Eles poderiam ter ouvido algo, e qualquer detalhe poderia fazer a diferença. Ao entrarmos, notei que o ambiente estava carregado de sussurros e olhares preocupados.

“Precisamos de informações”, comecei, chamando a atenção de alguns dos servos. “O que vocês ouviram sobre Roderick e quaisquer outros que possam estar envolvidos com ele?”

Uma mulher mais velha, que tinha servido na casa por anos, se aproximou. “Ouvi rumores sobre pessoas se reunindo à noite, mas não sabia que era algo sério. O clima está pesado, e as pessoas estão preocupadas com a segurança do Duque.”

“Se há algo que vocês souberem, qualquer detalhe que possa parecer pequeno, precisamos saber agora”, eu disse, tentando enfatizar a gravidade da situação.

Ela hesitou, e então outra jovem, com um olhar decidido, falou. “Eu ouvi um grupo de servos falando sobre um plano para sabotar o festival. Não sei os detalhes, mas eles mencionaram que era hora de agir. Parecia que estavam se preparando para algo grande.”

A revelação causou um frio na barriga. Se os servos estavam tramando sabotar o festival, isso significava que o plano estava em andamento e que o tempo estava se esgotando.

“Obrigado por compartilharem isso”, eu disse, minha mente correndo com as possibilidades. “Precisamos alertar o Duque imediatamente. Vamos!”

Isabella e eu saímos apressados, e assim que chegamos à sala do Duque, o sentimento de urgência tomou conta novamente. A cada passo, a sensação de que estávamos prestes a nos deparar com uma tempestade se intensificava. O que a noite nos reservava? A resposta estava prestes a ser revelada, e a linha entre aliados e inimigos estava se tornando mais tênue do que nunca.

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