Nas Sombras do Poder

Enquanto o silêncio da madrugada se espalhava pelos corredores frios do castelo, a tensão entre os habitantes do palácio parecia mais densa do que nunca. Meu encontro com Roderick pesava em minha mente, mas os resultados ainda estavam longe de serem definitivos. Ele não havia dado uma resposta concreta, e isso me deixava em um estado de inquietação. Sabia que ele era astuto o suficiente para jogar em ambos os lados enquanto ainda mantinha a aparência de lealdade a quem estivesse em vantagem. A questão era: por quanto tempo ele se manteria neutro antes de escolher seu lado de verdade?

Eu precisaria dar o próximo passo logo. O tempo estava contra mim. O Duque não era um homem que ficava no escuro por muito tempo, e algo me dizia que ele já começava a mover suas próprias peças no tabuleiro, mesmo sem ter provas concretas de minha rebelião. Ele não precisava de provas para agir; bastava uma leve suspeita. Era assim que ele controlava todos ao seu redor: pelo medo e pela antecipação. E eu sabia que, se não agisse rápido, o próximo golpe viria dele, e não de mim.

Deixei o escritório de Roderick e me dirigi aos aposentos privados. O caminho era um labirinto de passagens escuras e corredores esquecidos, longe dos olhares curiosos que rondavam o castelo durante o dia. Sabia que, para sobreviver, precisaria continuar nas sombras, movendo-me sem chamar atenção, até que fosse o momento certo de agir.

Ao chegar no meu quarto, fechei a porta atrás de mim e me sentei à mesa. O som distante do vento soprando contra as janelas era o único ruído que quebrava o silêncio absoluto da noite. Olhei para a pequena chama da vela sobre a mesa e permiti que meus pensamentos vagassem por um momento, revendo cada movimento feito até então. Marienne, Roderick, o Duque... todos eles eram peças em um jogo que se tornava cada vez mais intrincado. Eu sabia que, em breve, mais pessoas se envolveriam – e que, quanto mais nomes entrassem nesse jogo de poder, mais imprevisível tudo se tornaria.

Peguei um pedaço de pergaminho e uma pena. Precisava registrar meus pensamentos, organizar as próximas jogadas. Era uma tática que eu sempre usei: escrever me ajudava a ver os detalhes que talvez estivessem escapando à minha percepção. As intrigas políticas não eram diferentes de um complexo quebra-cabeça, e cada ação ou reação tinha consequências que precisavam ser previstas e calculadas com antecedência.

Fortalecer a Aliança com Marienne

Ela era uma peça-chave, invisível aos olhos dos poderosos, mas com acesso a informações cruciais. Sua posição dentro do castelo, mesmo que humilde, a colocava no centro de um fluxo constante de segredos. Precisava garantir sua lealdade, mas também não podia deixar que ela soubesse demais. Equilibrar confiança e controle seria essencial para manter sua utilidade sem me colocar em risco.

Convencer Roderick

Roderick era um homem complicado, movido por seus próprios interesses, e não havia garantia de que ele me seguiria até o fim. Eu precisava oferecer algo mais concreto a ele. Poder não bastaria. Ele queria segurança, uma promessa de que, quando tudo terminasse, ele ainda estaria de pé, independente de quem ganhasse. Talvez uma promessa de poder depois da queda do Duque, algo que pudesse alimentar sua ambição sem parecer um risco iminente.

Identificar os Outros Aliados do Duque

O Duque não era tolo. Ele não se cercava apenas de figuras políticas; havia outros que o serviam nas sombras, espiões e assassinos que garantiam que ele mantivesse seu poder através do medo e da força bruta. Precisava descobrir quem eram esses aliados e neutralizá-los antes que eles tivessem a chance de agir contra mim.

Enquanto rabiscava esses pontos no pergaminho, um som suave veio da janela. Por um momento, pensei que fosse apenas o vento, mas logo percebi que era mais do que isso. Alguém estava lá fora, do lado de fora do meu quarto, nas sombras.

Levantei-me devagar, tomando cuidado para não fazer barulho. A lâmina curta que eu mantinha escondida embaixo da mesa estava em minhas mãos antes que qualquer outro pensamento pudesse se formar. Meu coração acelerou, mas meu corpo permaneceu calmo, treinado para enfrentar situações como essa.

Me aproximei da janela, abrindo-a devagar, e olhei para fora. Lá, no escuro, uma figura estava encostada na parede do castelo, quase imperceptível à primeira vista. Mas eu a vi. Era uma silhueta magra e ágil, o rosto encoberto por um capuz.

"Você está ficando mais cuidadoso, não é?", a voz suave e feminina da figura quebrou o silêncio, e eu a reconheci imediatamente. Não era uma assassina enviada pelo Duque, mas alguém que eu não esperava ver ali.

"Celia", murmurei, guardando a lâmina. "O que está fazendo aqui a essa hora?"

Celia era uma mercenária que, há algum tempo, havia trabalhado em missões delicadas para o Duque. Mas, como a maioria dos mercenários, sua lealdade era volúvel. Quem pagasse mais levava sua devoção, e eu sabia que ela estava à venda, como qualquer outro neste jogo.

"Fiquei sabendo que você está se envolvendo em coisas perigosas", ela disse, puxando o capuz para revelar seus olhos brilhantes, cheios de malícia e curiosidade. "Achei que talvez precisasse de uma mão amiga... ou, quem sabe, de uma espiã."

Eu sorri, mas havia uma cautela latente no fundo. Celia nunca fazia nada sem algum tipo de ganho pessoal envolvido. "E o que você ganharia ajudando um 'vilão', como dizem por aí?"

Ela riu suavemente, inclinando-se contra a parede, seu olhar perspicaz nunca deixando o meu. "Digamos que prefiro trabalhar para quem tem mais chances de vencer. E algo me diz que você está planejando uma reviravolta interessante."

Eu a observei por um longo momento. Se Celia estava me oferecendo sua ajuda, isso significava que as coisas estavam se movendo nos bastidores de uma forma que eu ainda não havia percebido completamente. Sua aparição naquela noite era um sinal de que o jogo estava prestes a ficar ainda mais perigoso.

"A reviravolta ainda está sendo escrita", disse, cruzando os braços. "Mas talvez eu tenha uma vaga para você nessa história, se estiver disposta a correr alguns riscos."

Celia sorriu de lado, com um brilho perigoso nos olhos. "Ah, querido... riscos são o que tornam o jogo interessante."

Sabia que aceitar sua ajuda significava me envolver em um pacto perigoso, mas, ao mesmo tempo, ter Celia ao meu lado poderia ser a vantagem que eu precisava para superar os próximos obstáculos. Com o Duque se movendo nas sombras e Roderick ainda indeciso, ter alguém como Celia – alguém com habilidades letais e um profundo conhecimento das intrigas políticas – poderia mudar o rumo das coisas a meu favor.

A noite continuava a avançar, e com ela, o destino parecia cada vez mais incerto.

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