Após o ato brutal, Arthur retornou para casa, o corpo coberto de sangue seco e a mente agitada. Ao entrar pela porta, foi recebido pelos olhares curiosos de Milena e Gustavo, que estavam sentados na sala. Milena foi a primeira a falar, sempre com seu tom sarcástico.
— Parece que você foi atacado por um gato selvagem — comentou ela com um leve sorriso, os olhos examinando as manchas de sangue e arranhões que cobriam Arthur.
Gustavo, mais atento à gravidade da situação, não conseguiu esconder sua preocupação.
— Precisa de curativos? — perguntou, levantando-se do sofá e se aproximando um pouco mais para avaliar os ferimentos do irmão.
Arthur, no entanto, manteve sua postura firme e controlada, balançando a cabeça em negativa.
— Não. Estou bem. — respondeu de forma direta, sem mostrar qualquer vulnerabilidade.
Milena, percebendo que algo muito sério havia acontecido, deixou de lado a brincadeira e adotou um tom mais sério.
— Você não matou ele, matou? — questionou, com um misto de apreensão e curiosidade, seu olhar fixo no irmão.
Arthur fez uma pausa por um momento, o peso da pergunta pairando no ar. Ele então respondeu com uma voz fria, calculada.
— Não, não matei ele. E espero encontrá-lo vivo... Se ele não quiser mais problemas. — A última parte foi dita em um tom mais sombrio.
Gustavo franziu a testa, desconfiado de que havia mais por trás daquela resposta evasiva.
— O que aconteceu, Arthur? — pressionou, esperando por mais detalhes.
Arthur suspirou, claramente cansado e sem vontade de falar sobre o que tinha ocorrido, mas sua mente estava ocupada com outras preocupações.
— Não agora. — cortou ele, desviando o assunto. — Gustavo, você tem coquetel anti-IST? Eu preciso de um.
Gustavo, pego de surpresa pelo pedido, ficou em silêncio por um instante antes de responder.
— Tenho sim... Vou pegar para você — disse, com uma expressão de leve incredulidade.
Enquanto ele se dirigia para o quarto para buscar a medicação, Milena continuou observando Arthur com uma curiosidade quase mórbida.
— Ué, o garoto não era virgem? — perguntou ela, levantando uma sobrancelha. A pergunta trazia consigo uma leve provocação, mas também uma genuína surpresa.
Arthur olhou para ela com frieza, sua voz cortante.
— Não é mais — respondeu ele, sem nenhuma hesitação, de forma fria, como se estivesse apenas declarando um fato.
Milena arqueou as sobrancelhas, chocada pela resposta direta.
— Espera... Você tirou a virgindade dele naquele lugar? E sem usar preservativo? — indagou ela, agora sem nenhum traço de ironia em sua voz, apenas perplexidade.
Arthur revirou os olhos, claramente irritado com o rumo que a conversa estava tomando.
— Eu não tinha planejado, tá? — replicou ele, a exasperação evidente em suas palavras. Ele não queria discutir suas ações, apenas lidar com as consequências.
Minutos depois, com o coquetel em mãos, Arthur voltou ao galpão. Lá, encontrou Gabo ainda fragilizado, a expressão do jovem marcada pelo medo e pelo trauma.
Gabo ficou imóvel no chão por um longo tempo, sentindo seu corpo pulsar de dor e sua mente lutando para se manter ancorada na realidade. A humilhação, a violação e o desespero se entrelaçavam em sua cabeça, tornando impossível para ele distinguir entre as emoções que o consumiam. O silêncio do galpão era pesado, quase sufocante. O mundo ao seu redor parecia distante, irreal, como se estivesse preso em um pesadelo do qual não conseguia acordar.
Ele tentou respirar fundo, mas seu peito parecia comprimido, incapaz de expandir o suficiente para absorver o ar necessário. A realidade de sua situação o atingiu com uma força brutal. Ele estava completamente sozinho, sem esperança de resgate, preso nas mãos de um homem que não via problema em destruir sua vontade e sua dignidade. Qualquer ilusão de que ele poderia escapar ou resistir havia sido cruelmente esmagada.
Gabo fechou os olhos com força, tentando reprimir o turbilhão de pensamentos. Ele queria apagar tudo, esquecer onde estava e o que tinha acabado de acontecer. Mas a dor no corpo e na alma não o deixavam fugir. As lágrimas continuavam a rolar silenciosamente por seu rosto, e ele abraçou a si mesmo, tentando encontrar algum consolo em meio à escuridão.
Após um tempo que ele não podia medir, Gabo começou a ouvir passos no lado de fora. Seu corpo ficou rígido de imediato, o medo voltando a preencher cada fibra do seu ser. Ele não sabia quanto tempo havia passado desde que Arthur saíra, mas sabia que ele estava de volta. O som dos passos ficou mais próximo, ecoando pelo galpão, até que a porta foi aberta, deixando entrar a luz do sol.
Arthur entrou, e ao vê-lo, Gabo tentou se encolher ainda mais, como se pudesse desaparecer no chão frio. Arthur o observou por um momento em silêncio, seu olhar frio e controlado como sempre. Ele parecia analisar cada detalhe, cada reação de Gabo, como se estivesse estudando a maneira como seu domínio absoluto estava funcionando.
— Está quieto agora, não é? — Arthur comentou, sua voz baixa e controlada, quase como se estivesse falando com um animal que precisava ser domado. — Isso é bom.
Gabo não respondeu. Ele não tinha mais força para lutar, e mesmo que tivesse, o medo de enfrentar mais violência o impedia de tentar. Tudo o que ele queria naquele momento era que a dor parasse, que o tormento acabasse, mesmo que por um breve instante.
Arthur se aproximou, agachando-se ao lado de Gabo. Sua mão pousou no ombro do jovem, mas não havia mais suavidade em seu toque, apenas uma presença impositiva.
— Isso que aconteceu hoje — começou Arthur, sua voz séria e direta — é o que vai acontecer sempre que você tentar me desafiar. Mas eu não quero que seja assim. Se você se comportar, se seguir as regras, pode evitar tudo isso. Pode ter uma vida aqui comigo. Mas você precisa se submeter. Isso é a única coisa que te resta.
Gabo ainda não respondeu, seu corpo tenso sob o toque de Arthur. O jovem sentia que qualquer palavra que ele dissesse seria usada contra ele, qualquer reação seria interpretada como um convite para mais dor.
— Agora engole isso — ordenou, praticamente empurrando a medicação garganta a baixo do garoto.
Arthur observou Gabo enquanto o jovem engolia o coquetel anti-IST com dificuldade, sua expressão impassível. Cada movimento de Gabo parecia mais lento, mais resignado, como se estivesse sendo tragado por uma escuridão que ele não sabia mais como resistir. Arthur, por outro lado, manteve-se frio, mas seus olhos demonstravam uma vigilância aguda, estudando cada reação do garoto, analisando como o ato violento de dominação havia afetado sua submissão.
O silêncio no galpão era espesso, pesado com o não dito entre os dois. Gabo evitava olhar para Arthur, focando em algum ponto distante da sala. O seu corpo ainda tremia, mas dessa vez era um tremor sutil, quase imperceptível, como se estivesse tentando se convencer de que o pior já havia passado.
Arthur se aproximou mais, sentando-se à frente de Gabo, estudando o rosto abatido do jovem com atenção.
— Sabe, Gabo — começou Arthur, sua voz ganhando um tom mais suave, quase paternal. — Tudo isso que está acontecendo… vai ser mais fácil para você se aceitar. Aceitar que, de agora em diante, eu sou tudo o que você tem. Eu cuido de você, te protejo... Mas, em troca, você deve obediência. Completa.
Ele parou por um momento, deixando que suas palavras ecoassem no ar.
— E lembre-se... você pertence a mim — completou Arthur, com uma frieza que cortava o ar.
Gabo, ainda sem olhar diretamente para Arthur, sentiu o estômago se revirar com aquelas palavras. "Você pertence a mim." A frase repetia-se em sua mente como um eco interminável, destruindo qualquer resquício de esperança que ele poderia ter tido. A única coisa que conseguia sentir naquele momento era uma mistura avassaladora de medo, desespero e uma submissão imposta, que ia lentamente corroendo sua vontade.
Arthur então se levantou, satisfeito com a falta de resposta de Gabo, interpretando o silêncio como o primeiro sinal de verdadeira aceitação.
— Descanse agora — disse ele, forçando com certa sutileza Gabo a deitar. — E não tente mais nada estúpido, Gabo.
Arthur deu alguns passos para trás, seus olhos ainda fixos no garoto. A raiva que sentira momentos antes parecia ter se dissipado, substituída por uma frieza distante. Ele sabia que precisava manter o controle, não apenas sobre Gabo, mas sobre si mesmo. O que havia feito não estava nos seus planos, mas era um reflexo do poder absoluto que ele acreditava precisar exercer.
— Você vai ficar bem, Gabo. — disse Arthur, sua voz agora mais suave, mas ainda carregada de autoridade. — Isso não vai acontecer de novo... a menos que você me force a isso.
Gabo não respondeu, mas seu corpo estremeceu ao ouvir aquelas palavras. Ele sentia-se completamente desamparado, sem qualquer perspectiva de escapar daquela situação. A dor física que sentia era intensa, mas a dor emocional e psicológica era ainda mais devastadora. A ideia de que tudo aquilo pudesse acontecer novamente o fazia tremer de medo.
Com isso, Arthur deixou o galpão, trancando a porta atrás de si, enquanto Gabo permanecia ali, afundado na própria dor e impotência. O silêncio voltou a dominar o espaço, mas dessa vez, havia algo de diferente no ar. A sensação era de que, a cada momento que passava, Gabo estava se afastando mais de si mesmo, perdendo, aos poucos, qualquer resquício de identidade que um dia possuía.
A luta por sua liberdade agora parecia distante, quase inalcançável. O que restava era a escuridão, o vazio e a constante lembrança das palavras de Arthur: "Você me pertence."
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Atualizado até capítulo 171
Comments
Cida Domiciano
não dá pra ler está móvel é horrível.
2024-11-21
2
Fran Silva
e esse Arthu tem problema de saúde e ainda fez essa maldade com o pobre gabo
2024-11-04
1
Mary
vida?
espero que esse Arthur tenha um fim muito ruim, igual ele
2024-10-06
1