Rapto

Naquela noite, o céu estava tingido de tons escuros de azul, e a brisa fresca trazia um leve cheiro de terra molhada. As luzes dos postes projetavam sombras longas nas ruas pouco movimentadas. Gabo, como de costume, caminhava distraído, com as mãos nos bolsos e a cabeça baixa. Ele não percebeu o carro preto que já o seguia lentamente desde que ele havia dobrado a última esquina.

De repente, um estalo distante, algo caindo de uma árvore próxima, chamou sua atenção. Gabo olhou ao redor, mas não viu nada incomum. Continuou andando, mas um calafrio percorreu sua espinha, algo estava errado. Seus passos ficaram mais rápidos, quase ansiosos. Sem saber, ele estava a poucos metros do ponto onde tudo mudaria.

O carro parou bruscamente ao lado dele, e em uma fração de segundo, a porta traseira foi aberta. Gabo não teve tempo de reagir. Dois homens mascarados saltaram do veículo com movimentos precisos e coordenados. O primeiro o agarrou com força pelos ombros, puxando-o para trás, enquanto o segundo lhe cobria a boca com uma mordaça de tecido áspero. Gabo tentou gritar, mas o som saiu abafado, quase inaudível na noite silenciosa.

Ele se debatia violentamente, os músculos tensos e o coração batendo descompassado no peito. Mas os homens eram experientes, sabiam exatamente como neutralizar alguém sem causar lesões graves. Em questão de segundos, Gabo estava imobilizado, com as mãos amarradas nas costas por um laço plástico que cortava sua pele com cada movimento desesperado.

— Quieto — disse um dos sequestradores em tom baixo, mas ameaçador, enquanto empurrava Gabo para dentro do carro.

A porta foi fechada com um baque, abafando qualquer outro som que ele pudesse tentar emitir. O carro acelerou, deixando o lugar como se nada tivesse acontecido, apenas mais um momento silencioso na pacata Vale do Sol. No interior do veículo, Gabo estava deitado no banco traseiro, o rosto pressionado contra o estofado, tentando entender o que estava acontecendo. Suas pernas estavam presas, e ele sentia o frio do metal em seus pulsos enquanto as amarras apertavam.

Sua mente estava em completo caos. Quem eram aqueles homens? Por que o estavam levando? E, acima de tudo, o que esperava por ele no destino desconhecido?

A viagem parecia se arrastar. O caminho que antes conhecia como a palma da mão agora se tornava um labirinto distorcido em meio à sua confusão e medo. Cada curva que o carro fazia aumentava a sensação de desorientação, e ele perdia a noção de tempo e espaço. Eventualmente, o veículo saiu da estrada principal e entrou em um caminho de terra estreito e esburacado. O barulho das pedras sob os pneus era o único som que acompanhava a respiração ofegante de Gabo.

Finalmente, o carro parou. Os homens o puxaram para fora com brusquidão, sem se importar com seus protestos silenciosos. Ao erguer a cabeça, Gabo viu a estrutura diante de si: um galpão velho, suas paredes de metal enferrujado pareciam prestes a desabar a qualquer momento. A entrada estava envolta em escuridão, iluminada apenas por uma lâmpada solitária e vacilante.

Os sequestradores o arrastaram para dentro, passando por corredores estreitos e escuros até chegarem a um grande espaço aberto. O cheiro de mofo e umidade era penetrante. O chão era de concreto frio, e as paredes, descascadas e úmidas, pareciam estar testemunhando o que ali acontecia em segredo há décadas.

Gabo foi jogado no chão com violência. Seus joelhos bateram no concreto, e ele soltou um grunhido de dor. Ainda amarrado, ele tentou se contorcer para se levantar, mas os homens o ignoraram, recuando em silêncio, como se tivessem terminado sua parte no plano.

Foi então que ele ouviu o som de passos ecoando pelo galpão vazio. Levantando a cabeça, seu olhar encontrou a figura de Arthur, parado ali, à distância, observando tudo com um semblante calmo, quase satisfeito. Arthur caminhou até ele lentamente, as botas ecoando no piso de concreto, sua sombra projetada pela fraca luz acima de sua cabeça.

— Bem-vindo, Gabo — disse ele, sua voz carregada de uma satisfação controlada.

Arthur se abaixou para ficar mais próximo de Gabo, estendendo a mão para retirar a mordaça de sua boca. O jovem respirou fundo, tentando recuperar o controle de si, mas seu coração ainda batia acelerado. Ele olhou para Arthur com puro ódio nos olhos, mas também com uma ponta de medo que não conseguia esconder.

— Isso... — Arthur sussurrou, seu dedo roçando a pele machucada de Gabo. — Isso é só o começo.

Gabo tentou se soltar, mas foi em vão. A dor nas mãos e nos pés fazia com que ele se sentisse ainda mais impotente. Finalmente, ele conseguiu balbuciar com dificuldade, sua voz abafada pela frustração e medo.

— O que... o que você quer de mim? — Gabo conseguiu perguntar, a voz rouca e trêmula.

Arthur permanecia agachado ao lado de Gabo, o rosto do jovem ainda tenso e a respiração irregular após o sequestro. Por mais que tentasse se manter firme, a situação o fazia sentir-se pequeno e indefeso. Ele tentava conter o medo crescente que latejava dentro de si, mas era difícil, especialmente com a figura de Arthur tão próxima, os olhos fixos nele, irradiando uma calma perturbadora.

Arthur ficou em silêncio por alguns instantes, observando Gabo com um olhar que misturava curiosidade e desejo, como se estivesse diante de um objeto valioso que acabara de adquirir. Sua mão, agora livre da mordaça, segurou suavemente o queixo de Gabo, forçando o jovem a olhar diretamente para ele.

— Você tem espírito, Gabo, e isso me fascina — disse Arthur, sua voz suave, quase afetuosa. — Mas precisa entender que o mundo aqui fora é diferente daquele que você conhece. Há regras, e você vai aprender a segui-las.

Gabo tentou se afastar, puxando o rosto para trás, mas o aperto de Arthur ficou mais firme, deixando claro que ele não tinha escolha naquele momento.

— Deixa eu ir embora — sibilou Gabo, finalmente encontrando sua voz, embora ela saísse rouca e trêmula. — Você não pode sequestrar as pessoas e...

Arthur sorriu levemente, um sorriso que não trazia conforto, mas sim a promessa de que Gabo estava errado. Ele soltou o queixo do rapaz, se levantando e recuando alguns passos, mas sem tirar os olhos dele.

— Você ainda não entendeu, Gabo — disse Arthur, enquanto caminhava lentamente pelo galpão. — Eu posso fazer o que quiser. Aqui, sou eu quem dita as regras. E você... — Ele fez uma pausa, voltando-se para encará-lo novamente. — Vai aprender a me obedecer.

Gabo sentiu um frio percorrer sua espinha. Ele não queria acreditar nas palavras de Arthur, mas algo na maneira como ele falava, na confiança absoluta que emanava, fazia com que o medo se aprofundasse ainda mais em seu peito. Aquela situação era muito mais perigosa do que ele poderia ter imaginado.

Arthur observou a reação de Gabo e, satisfeito com o que viu, fez um sinal para os homens que estavam à espreita nas sombras. Eles se aproximaram rapidamente e, sem uma palavra, levantaram Gabo do chão, mantendo seus braços firmemente presos.

Os homens arrastaram Gabo até uma cadeira no centro do galpão, onde ele foi amarrado de forma mais segura. Cada corda era apertada com precisão, imobilizando seus movimentos, enquanto Arthur observava com uma expressão de controle absoluto. Uma lâmpada pendurada diretamente acima da cadeira lançava uma luz crua e implacável sobre Gabo, destacando cada detalhe de seu rosto e corpo.

— Este será o seu novo lar por um tempo — Arthur falou, aproximando-se da cadeira. Ele olhou para Gabo com intensidade, inclinando-se para frente até que seus rostos ficassem perigosamente próximos. — Enquanto estiver aqui, você aprenderá o que significa ser meu.

Gabo queria gritar, resistir, lutar com todas as suas forças, mas sua situação o deixava sem opções. Seus olhos brilharam com uma mistura de fúria e desespero, mas Arthur parecia imune a qualquer sinal de resistência.

Arthur se endireitou e caminhou até uma pequena mesa de madeira que estava encostada em uma das paredes do galpão. Ele abriu uma gaveta e tirou de dentro um charuto, acendeu e deu alguns tragos depois o colocou de volta sobre a mesa.

— Você vai... me torturar? — Gabo perguntou, o medo evidente em sua voz.

Arthur inclinou a cabeça para o lado, como se considerasse a pergunta cuidadosamente. Então, com um sorriso frio, respondeu:

— Isso vai depender só de você, eu não quero te machucar, porém se você me der motivos... Mas não se preocupe — continuou Arthur, agora voltando sua atenção completamente para Gabo. — Eu vou cuidar de você. Você só precisa aprender a confiar em mim.

Gabo olhou para Arthur com incredulidade. Ele não conseguia entender como alguém poderia ser tão meticuloso, tão controlado e tão frio.

A mente de Gabo estava em turbilhão. Ele nunca havia sentido medo daquele jeito, mas ao mesmo tempo, um estranho instinto de sobrevivência o alertava a não demonstrar fraqueza. Arthur era perigoso, e ele sabia disso desde o momento em que jogaram vôlei, mas nunca imaginou que o homem levaria as coisas tão longe.

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Comments

Fran Silva

Fran Silva

coitado do Gabriel nas mão do louco Arthu

2024-11-04

1

Monica De Carvalho Carvalho

Monica De Carvalho Carvalho

Não entendo como uma pessoa diz que quer uma outra pessoa e a trata tão mal a esse ponto, o Gabriel é só um menino e o Arthur já é um homem cruel e egocêntrico, isso não é gostar, isso é castrar o outro, manipular e destruir com o que a pessoa tem de melhor, não sei por que as pessoas escrevem essas histórias tão triste 😞

2024-09-30

4

Ver todos
Capítulos
1 O encontro
2 Rapto
3 Regras
4 Frieza
5 Entre a ousadia e a vulnerabilidade
6 Oásis
7 Intenções
8 Aceitação e resistência
9 Perdido entre o desespero e o autocontrole
10 Reação
11 Frustração e fascínio
12 Inquietação
13 Desamparo
14 Obediência resoluta
15 Guia
16 Gentileza incomum
17 Calma fria
18 Primeiras marcas
19 Descontrole e impulsividade
20 "Você vai ficar bem"
21 Outra vida...
22 Trégua temporária
23 Comportamento errático
24 Sem saída
25 Controle, expectativas e submissão
26 Agonia
27 Temor
28 Sobrevivendo
29 Cronograma
30 Implacável rotina
31 Começando os trabalhos...
32 Seguindo
33 Borrão de dias incessantes
34 Aprovação e desaprovação
35 Monotonia
36 Exaustão e desgaste
37 Um mês depois do sequestro...
38 Posse
39 Estômago embrulhado
40 Mudanças
41 Sucumbindo
42 Cuidados controlados
43 Desejo de liberdade
44 Ilusão de liberdade
45 Janela
46 Tolo...
47 Reassumir o controle
48 Presença constante
49 Calafrio
50 Intolerância
51 Consequências
52 Ciclo
53 Instável
54 Obediência
55 Proximidade e hostilidade
56 Pensamentos intrusivos
57 Respiro
58 Sem sentido
59 Punições e recompensas
60 Pegando a estrada
61 Suavidade
62 Carinho distorcido
63 Entre a realidade e a desconexão
64 Promessas
65 Belo adormecido
66 Prisão de luxo
67 Dança
68 Obedecer e aguardar
69 Jantar e protocolos
70 Serviço de quarto
71 Animal acuado
72 Número inexistente
73 Choque e lágrimas
74 Regresso
75 Inconsciência
76 Eficiência
77 Contraste
78 Febre e cuidados
79 Delírio e realidade
80 Mãos dadas
81 Pontada de remorso
82 Ecos
83 Suavizando a abordagem
84 Nova rotina
85 Autoridade e companheirismo
86 Confusão de sentimentos
87 Lampejos de humanidade
88 Descanso
89 Só por essa noite...
90 Preocupações e precauções
91 Cacos
92 Fortalecendo corpo e mente
93 Necessidades
94 Doce severidade
95 Aniversário irrelevante
96 Presente sombrio
97 Dias imutáveis
98 Ciúmes e revelações
99 Explicações
100 Balanços e encantos
101 Reprimindo sentimentos
102 Dilemas
103 Tensão e exaustão
104 Relação funcional e hierárquica
105 Querida morte...
106 Corda fina
107 Desafio e consequência
108 Futuro incerto
109 Esforço negativo
110 Testando limites
111 "No fim das contas, o que me resta?"
112 Fúria e confusão
113 Orgulho ferido
114 Desejos ocultos
115 Manipulando o manipulador
116 Passando dos limites
117 Uma hora de vida
118 Escolha difícil
119 Emergência
120 Os pais de Gabo e o horror em Milena
121 Fragilidade
122 Sons da vida
123 Conversa e descobertas
124 Coração divido
125 Incertezas
126 Confissões
127 Vida e morte
128 Esperar e torcer
129 Despertar
130 Espaço
131 Medo e culpa
132 Reabilitação
133 Silêncio
134 Jogos
135 Progressos
136 Casa e caos
137 Torturador e protetor
138 Palavras
139 Repetição
140 Pânico
141 "Só o Gabo importa"
142 Resgate
143 Paciência
144 Deixar
145 Acidente e morte
146 Declaração e liberdade
147 Amar é deixar ir...
148 Lar, doce caos
149 O peso da liberdade
150 Sobrevivendo no automático
151 Sombras atormentadoras
152 Pedido inesperado
153 Reencontro bom
154 Cobranças
155 Doce e gentil Alana
156 Recuperando o tempo...
157 Segredo entre amigos
158 O peso das escolhas que Arthur fez
159 Traumas e impactos
160 Processo de seguir em frente
161 Sarcasmo
162 Ombro amigo
163 Decisão
164 167
165 Quebrados
166 Tempo e lamentos
167 Dia no parque
168 Paradoxo
169 Culpa e violão
170 Pôr do sol
171 Agradecimento
Capítulos

Atualizado até capítulo 171

1
O encontro
2
Rapto
3
Regras
4
Frieza
5
Entre a ousadia e a vulnerabilidade
6
Oásis
7
Intenções
8
Aceitação e resistência
9
Perdido entre o desespero e o autocontrole
10
Reação
11
Frustração e fascínio
12
Inquietação
13
Desamparo
14
Obediência resoluta
15
Guia
16
Gentileza incomum
17
Calma fria
18
Primeiras marcas
19
Descontrole e impulsividade
20
"Você vai ficar bem"
21
Outra vida...
22
Trégua temporária
23
Comportamento errático
24
Sem saída
25
Controle, expectativas e submissão
26
Agonia
27
Temor
28
Sobrevivendo
29
Cronograma
30
Implacável rotina
31
Começando os trabalhos...
32
Seguindo
33
Borrão de dias incessantes
34
Aprovação e desaprovação
35
Monotonia
36
Exaustão e desgaste
37
Um mês depois do sequestro...
38
Posse
39
Estômago embrulhado
40
Mudanças
41
Sucumbindo
42
Cuidados controlados
43
Desejo de liberdade
44
Ilusão de liberdade
45
Janela
46
Tolo...
47
Reassumir o controle
48
Presença constante
49
Calafrio
50
Intolerância
51
Consequências
52
Ciclo
53
Instável
54
Obediência
55
Proximidade e hostilidade
56
Pensamentos intrusivos
57
Respiro
58
Sem sentido
59
Punições e recompensas
60
Pegando a estrada
61
Suavidade
62
Carinho distorcido
63
Entre a realidade e a desconexão
64
Promessas
65
Belo adormecido
66
Prisão de luxo
67
Dança
68
Obedecer e aguardar
69
Jantar e protocolos
70
Serviço de quarto
71
Animal acuado
72
Número inexistente
73
Choque e lágrimas
74
Regresso
75
Inconsciência
76
Eficiência
77
Contraste
78
Febre e cuidados
79
Delírio e realidade
80
Mãos dadas
81
Pontada de remorso
82
Ecos
83
Suavizando a abordagem
84
Nova rotina
85
Autoridade e companheirismo
86
Confusão de sentimentos
87
Lampejos de humanidade
88
Descanso
89
Só por essa noite...
90
Preocupações e precauções
91
Cacos
92
Fortalecendo corpo e mente
93
Necessidades
94
Doce severidade
95
Aniversário irrelevante
96
Presente sombrio
97
Dias imutáveis
98
Ciúmes e revelações
99
Explicações
100
Balanços e encantos
101
Reprimindo sentimentos
102
Dilemas
103
Tensão e exaustão
104
Relação funcional e hierárquica
105
Querida morte...
106
Corda fina
107
Desafio e consequência
108
Futuro incerto
109
Esforço negativo
110
Testando limites
111
"No fim das contas, o que me resta?"
112
Fúria e confusão
113
Orgulho ferido
114
Desejos ocultos
115
Manipulando o manipulador
116
Passando dos limites
117
Uma hora de vida
118
Escolha difícil
119
Emergência
120
Os pais de Gabo e o horror em Milena
121
Fragilidade
122
Sons da vida
123
Conversa e descobertas
124
Coração divido
125
Incertezas
126
Confissões
127
Vida e morte
128
Esperar e torcer
129
Despertar
130
Espaço
131
Medo e culpa
132
Reabilitação
133
Silêncio
134
Jogos
135
Progressos
136
Casa e caos
137
Torturador e protetor
138
Palavras
139
Repetição
140
Pânico
141
"Só o Gabo importa"
142
Resgate
143
Paciência
144
Deixar
145
Acidente e morte
146
Declaração e liberdade
147
Amar é deixar ir...
148
Lar, doce caos
149
O peso da liberdade
150
Sobrevivendo no automático
151
Sombras atormentadoras
152
Pedido inesperado
153
Reencontro bom
154
Cobranças
155
Doce e gentil Alana
156
Recuperando o tempo...
157
Segredo entre amigos
158
O peso das escolhas que Arthur fez
159
Traumas e impactos
160
Processo de seguir em frente
161
Sarcasmo
162
Ombro amigo
163
Decisão
164
167
165
Quebrados
166
Tempo e lamentos
167
Dia no parque
168
Paradoxo
169
Culpa e violão
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Agradecimento

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