Oásis

Arthur observava atentamente enquanto Gabo tentava comer. A expressão do jovem, embora aliviada, estava marcada pela dificuldade e pela insegurança. Ele segurava a comida com mãos trêmulas, e a posição na cadeira ainda tornava a tarefa árdua. Cada mordida parecia um desafio, e Gabo fazia o possível para não demonstrar o desconforto, mas era evidente que estava lutando para comer de forma eficiente.

— Está conseguindo? — perguntou Arthur, sua voz carregada de uma curiosidade quase cruel.

Gabo levantou os olhos, claramente constrangido, e assentiu lentamente.

— Sim, Senhor. — A resposta era hesitante, quase envergonhada.

Arthur inclinou-se ligeiramente para frente, observando o esforço do jovem. O sorriso em seus lábios era uma mistura de satisfação e controle. Ele se permitiu um momento de contemplação, aproveitando o contraste entre o poder que detinha e a vulnerabilidade de Gabo.

Gabo tentou ignorar o olhar avaliador de Arthur e se concentrou em terminar a refeição, ainda ciente de que qualquer movimento em falso poderia desencadear uma nova rodada de crueldade. Enquanto comia, seus pensamentos eram um turbilhão de medo e estratégia, tentando encontrar uma maneira de lidar com a situação sem perder completamente a dignidade.

Arthur observava cada movimento de Gabo com um olhar calculista, avaliando a forma como o jovem lidava com a comida e com a sua liberdade temporária. Ele queria ver se Gabo faria algo inesperado, algo que pudesse servir para testar ainda mais seus limites.

Após algum tempo, Gabo terminou de comer e respirou aliviado, embora ainda estivesse visivelmente exausto e tenso. A comida que antes parecia um alívio agora se transformara em um fardo, um lembrete constante da situação desconfortável em que se encontrava. Ele olhou para Arthur, esperando que o próximo passo fosse menos humilhante, mas não ousava fazer qualquer movimento que pudesse ser interpretado como um desafio.

Arthur, ainda com um sorriso satisfeito nos lábios, observou Gabo com uma expressão que misturava interesse e malícia. O olhar atento de Arthur parecia avaliar o estado emocional e físico de Gabo, medindo a eficácia do método de controle que havia aplicado.

— Muito bem, Gabo — disse Arthur, sua voz mantendo um tom firme e autoritário.

Ele deu alguns passos em direção à mesa onde a comida havia sido colocada e pegou a garrafa de água, abrindo-a antes de voltar para onde Gabo estava. Arthur ofereceu a garrafa ao jovem, que a aceitou com mãos ainda um pouco trêmulas.

Gabo começou a beber a água lentamente, aliviado pela refrescância, mas ainda consciente da presença constante de Arthur.

Arthur esperou pacientemente, observando cada movimento de Gabo com um olhar que misturava controle e satisfação. O jovem estava agora em uma posição um pouco mais confortável, mas a sensação de vulnerabilidade persistia.

Quando Gabo terminou a água, Arthur fez um gesto para que ele colocasse a garrafa de volta na mesa e então se dirigiu novamente a ele, voltando a ficar de pé ao seu lado.

— Vou te dar um resumo claro: a maneira como você interage com as regras e com as minhas expectativas determinará o seu conforto e segurança daqui para frente. Se você cooperar e demonstrar que pode ser um bom "hóspede", haverá benefícios. Caso contrário, sua situação pode se tornar bastante difícil — disse Arthur com uma voz que parecia quase paternal.

Ele fez uma pausa para garantir que as palavras fossem digeridas por Gabo. O jovem parecia processar a informação, tentando decifrar o significado real por trás da frieza calculista de Arthur.

- Arthur olhou para Gabo com um semblante imperturbável, seu olhar avaliando o jovem que agora parecia ainda mais vulnerável após a refeição.

— Muito bem — disse Arthur, com um tom neutro. — Quer me dizer algo ou pedir?

Gabo hesitou por um momento, a sensação de desconforto e a necessidade crescente fazendo com que sua voz saísse hesitante e trêmula.

— Posso ir ao banheiro... Senhor? — ele pediu, o pedido simples carregado de um desejo desesperado.

Arthur levantou uma sobrancelha, a expressão no rosto demonstrando um misto de surpresa e consideração.

— Agora? — ele perguntou, sua voz fria e controlada.

Gabo assentiu, seu olhar implorando por compreensão.

— Por favor... — ele adicionou, a súplica evidente em suas palavras.

Arthur ponderou por um momento, avaliando se ceder ao pedido de Gabo poderia comprometer sua autoridade ou segurança. Finalmente, ele fez um gesto de assentimento.

— Muito bem — disse Arthur, com um tom que indicava uma concessão cuidadosa. — Vou permitir que você vá ao banheiro. Mas, por favor, lembre-se de que sua cooperação e comportamento continuarão a ser observados.

Arthur se afastou da cadeira e dirigiu-se a uma pequena porta nos fundos do galpão, que levava a um banheiro rudimentar. Ele abriu a porta e fez um gesto para que Gabo passasse. O jovem, ainda com a postura desconfiada, moveu-se lentamente em direção ao banheiro.

Arthur ficou parado na entrada, observando com um olhar atento. Gabo entrou no banheiro, e a porta se fechou atrás dele com um clique. O silêncio no galpão foi quebrado apenas pelo som de passos de Arthur, que continuou a observar, garantindo que o jovem não encontrasse oportunidade para agir fora das regras estabelecidas.

No banheiro, Gabo se apressou a fazer o que precisava, a ansiedade e o desconforto visíveis em cada movimento. Ele tentava manter a calma, mas o nervosismo e a incerteza sobre o que viria a seguir o acompanhavam.

Depois de alguns minutos, Gabo saiu do banheiro com um alívio visível. Arthur, ainda na mesma posição, fez um gesto para que ele voltasse à cadeira.

— Agora que você já atendeu a necessidade, vamos prosseguir com o que resta do dia — disse Arthur, com um tom que misturava formalidade e controle.

Gabo se sentou novamente na cadeira, e Arthur começou a ajustar as cordas com uma precisão calculada, garantindo que o jovem estivesse firmemente amarrado, mas não com tanta força que causasse dor imediata.

Com Gabo novamente amarrado, Arthur se afastou e retomou sua postura de observador.

— Por um instante achei que você fosse me implorar para não te amarrar novamente — comentou Arthur, com um tom que misturava ironia e frieza.

Gabo apenas abaixou a cabeça.

Arthur se afastou lentamente, dirigindo-se para uma mesa onde havia alguns papéis e um laptop. Ele se sentou e começou a revisar documentos com um olhar atento. Gabo permaneceu na cadeira, a mente girando com pensamentos de medo e estratégias enquanto tentava lidar com a realidade de sua situação.

O tempo parecia se arrastar lentamente para Gabo, e a sensação de impotência era palpável. A expectativa de novas ordens e a incerteza do que viria a seguir eram um fardo constante. Ele tentava se manter concentrado, sabendo que sua próxima ação poderia definir como as coisas se desenrolariam.

Arthur, imerso em seu trabalho, ocasionalmente levantava o olhar para observar Gabo, satisfeito com a tensão crescente que dominava o ambiente. Ele parecia deliberar sobre o próximo passo, ajustando seu plano de forma a manter o controle total sobre a situação.

O silêncio no galpão era interrompido apenas pelo som ocasional dos cliques no teclado de Arthur e pelo sutil movimento de Gabo, que tentava encontrar alguma forma de conforto em sua posição restrita.

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Comments

Fran Silva

Fran Silva

coitado ficar assim preso todo tempo em uma cadeira

2024-11-04

1

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Capítulos
1 O encontro
2 Rapto
3 Regras
4 Frieza
5 Entre a ousadia e a vulnerabilidade
6 Oásis
7 Intenções
8 Aceitação e resistência
9 Perdido entre o desespero e o autocontrole
10 Reação
11 Frustração e fascínio
12 Inquietação
13 Desamparo
14 Obediência resoluta
15 Guia
16 Gentileza incomum
17 Calma fria
18 Primeiras marcas
19 Descontrole e impulsividade
20 "Você vai ficar bem"
21 Outra vida...
22 Trégua temporária
23 Comportamento errático
24 Sem saída
25 Controle, expectativas e submissão
26 Agonia
27 Temor
28 Sobrevivendo
29 Cronograma
30 Implacável rotina
31 Começando os trabalhos...
32 Seguindo
33 Borrão de dias incessantes
34 Aprovação e desaprovação
35 Monotonia
36 Exaustão e desgaste
37 Um mês depois do sequestro...
38 Posse
39 Estômago embrulhado
40 Mudanças
41 Sucumbindo
42 Cuidados controlados
43 Desejo de liberdade
44 Ilusão de liberdade
45 Janela
46 Tolo...
47 Reassumir o controle
48 Presença constante
49 Calafrio
50 Intolerância
51 Consequências
52 Ciclo
53 Instável
54 Obediência
55 Proximidade e hostilidade
56 Pensamentos intrusivos
57 Respiro
58 Sem sentido
59 Punições e recompensas
60 Pegando a estrada
61 Suavidade
62 Carinho distorcido
63 Entre a realidade e a desconexão
64 Promessas
65 Belo adormecido
66 Prisão de luxo
67 Dança
68 Obedecer e aguardar
69 Jantar e protocolos
70 Serviço de quarto
71 Animal acuado
72 Número inexistente
73 Choque e lágrimas
74 Regresso
75 Inconsciência
76 Eficiência
77 Contraste
78 Febre e cuidados
79 Delírio e realidade
80 Mãos dadas
81 Pontada de remorso
82 Ecos
83 Suavizando a abordagem
84 Nova rotina
85 Autoridade e companheirismo
86 Confusão de sentimentos
87 Lampejos de humanidade
88 Descanso
89 Só por essa noite...
90 Preocupações e precauções
91 Cacos
92 Fortalecendo corpo e mente
93 Necessidades
94 Doce severidade
95 Aniversário irrelevante
96 Presente sombrio
97 Dias imutáveis
98 Ciúmes e revelações
99 Explicações
100 Balanços e encantos
101 Reprimindo sentimentos
102 Dilemas
103 Tensão e exaustão
104 Relação funcional e hierárquica
105 Querida morte...
106 Corda fina
107 Desafio e consequência
108 Futuro incerto
109 Esforço negativo
110 Testando limites
111 "No fim das contas, o que me resta?"
112 Fúria e confusão
113 Orgulho ferido
114 Desejos ocultos
115 Manipulando o manipulador
116 Passando dos limites
117 Uma hora de vida
118 Escolha difícil
119 Emergência
120 Os pais de Gabo e o horror em Milena
121 Fragilidade
122 Sons da vida
123 Conversa e descobertas
124 Coração divido
125 Incertezas
126 Confissões
127 Vida e morte
128 Esperar e torcer
129 Despertar
130 Espaço
131 Medo e culpa
132 Reabilitação
133 Silêncio
134 Jogos
135 Progressos
136 Casa e caos
137 Torturador e protetor
138 Palavras
139 Repetição
140 Pânico
141 "Só o Gabo importa"
142 Resgate
143 Paciência
144 Deixar
145 Acidente e morte
146 Declaração e liberdade
147 Amar é deixar ir...
148 Lar, doce caos
149 O peso da liberdade
150 Sobrevivendo no automático
151 Sombras atormentadoras
152 Pedido inesperado
153 Reencontro bom
154 Cobranças
155 Doce e gentil Alana
156 Recuperando o tempo...
157 Segredo entre amigos
158 O peso das escolhas que Arthur fez
159 Traumas e impactos
160 Processo de seguir em frente
161 Sarcasmo
162 Ombro amigo
163 Decisão
164 167
165 Quebrados
166 Tempo e lamentos
167 Dia no parque
168 Paradoxo
169 Culpa e violão
170 Pôr do sol
171 Agradecimento
Capítulos

Atualizado até capítulo 171

1
O encontro
2
Rapto
3
Regras
4
Frieza
5
Entre a ousadia e a vulnerabilidade
6
Oásis
7
Intenções
8
Aceitação e resistência
9
Perdido entre o desespero e o autocontrole
10
Reação
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Frustração e fascínio
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Inquietação
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Desamparo
14
Obediência resoluta
15
Guia
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Primeiras marcas
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Descontrole e impulsividade
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"Você vai ficar bem"
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Outra vida...
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Trégua temporária
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Comportamento errático
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Sem saída
25
Controle, expectativas e submissão
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Agonia
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Temor
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Sobrevivendo
29
Cronograma
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Implacável rotina
31
Começando os trabalhos...
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Seguindo
33
Borrão de dias incessantes
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Aprovação e desaprovação
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Monotonia
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Exaustão e desgaste
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Um mês depois do sequestro...
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Cuidados controlados
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Desejo de liberdade
44
Ilusão de liberdade
45
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Reassumir o controle
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Presença constante
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Consequências
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Instável
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Proximidade e hostilidade
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Pensamentos intrusivos
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Respiro
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Suavidade
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Carinho distorcido
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Entre a realidade e a desconexão
64
Promessas
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Belo adormecido
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Prisão de luxo
67
Dança
68
Obedecer e aguardar
69
Jantar e protocolos
70
Serviço de quarto
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Animal acuado
72
Número inexistente
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Regresso
75
Inconsciência
76
Eficiência
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Contraste
78
Febre e cuidados
79
Delírio e realidade
80
Mãos dadas
81
Pontada de remorso
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Ecos
83
Suavizando a abordagem
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Nova rotina
85
Autoridade e companheirismo
86
Confusão de sentimentos
87
Lampejos de humanidade
88
Descanso
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Só por essa noite...
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Fortalecendo corpo e mente
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Necessidades
94
Doce severidade
95
Aniversário irrelevante
96
Presente sombrio
97
Dias imutáveis
98
Ciúmes e revelações
99
Explicações
100
Balanços e encantos
101
Reprimindo sentimentos
102
Dilemas
103
Tensão e exaustão
104
Relação funcional e hierárquica
105
Querida morte...
106
Corda fina
107
Desafio e consequência
108
Futuro incerto
109
Esforço negativo
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Testando limites
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"No fim das contas, o que me resta?"
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Fúria e confusão
113
Orgulho ferido
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Desejos ocultos
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Manipulando o manipulador
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Uma hora de vida
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Escolha difícil
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Os pais de Gabo e o horror em Milena
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Fragilidade
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Coração divido
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Despertar
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Silêncio
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