Arthur entrou no galpão com passos firmes e silenciosos, o eco de suas botas se espalhando pelo ambiente vazio. A luz da manhã penetrava pelas pequenas janelas altas, lançando um brilho fraco sobre as paredes desgastadas. Seus olhos rapidamente se ajustaram à penumbra e se fixaram em Gabo, ainda amarrado à cadeira no centro do galpão.
Para sua surpresa, o jovem estava adormecido. A cabeça de Gabo estava caída para frente, com o queixo apoiado no peito, os cabelos despenteados cobrindo parte do rosto pálido. Sua respiração era irregular, leve e entrecortada, como se até no sono o corpo estivesse tentando lidar com o desconforto constante. As cordas em seus pulsos e tornozelos pareciam ainda mais apertadas agora, com as marcas vermelhas evidentes na pele exposta.
Arthur parou a alguns metros de distância, observando a cena por um momento. Um sorriso lento e malicioso surgiu em seu rosto. Havia algo fascinante naquela imagem — Gabo, o garoto indomável que o havia desafiado durante a partida de vôlei, agora tão vulnerável, preso e incapaz de lutar. Mesmo no sono, o desconforto e a tensão estavam gravados em cada linha do corpo jovem.
Ele se aproximou sem pressa, parando ao lado de Gabo. O cheiro da madeira envelhecida e do concreto frio misturava-se ao aroma suave do suor e da tensão que emanava do garoto. Arthur se abaixou ao lado dele, quase ao nível de seus olhos, e estudou seu rosto adormecido. Havia uma vulnerabilidade em Gabo naquele estado, uma quebra na resistência que ele havia mostrado antes. Arthur passou os olhos pelo jovem, percebendo a tensão nos músculos de seu pescoço e ombros, como se mesmo inconsciente ele estivesse tentando resistir ao cansaço que o havia vencido.
Ele estendeu a mão e, com delicadeza inesperada, afastou uma mecha de cabelo do rosto de Gabo. O toque fez o jovem se mexer levemente, mas ele não acordou. Arthur observou a reação, um sorriso quase imperceptível aparecendo em seus lábios.
Por um instante, Arthur considerou despertá-lo de maneira abrupta, apenas para ver a reação de medo e confusão em seus olhos. Mas ao invés disso, ele decidiu saborear a situação por mais um momento. O jovem, que dias atrás corria livremente pelas ruas, agora estava completamente à mercê de sua vontade. Era um pensamento que alimentava a sensação de controle que Arthur tanto gostava de exercer.
Com um movimento lento e calculado, Arthur estendeu a mão e tocou o ombro de Gabo, um toque leve, quase carinhoso, mas que fez o corpo do jovem estremecer ligeiramente, mesmo adormecido.
Arthur se inclinou mais perto, murmurando suavemente:
— Hora de acordar, Gabo.
Sua voz cortou o silêncio como uma lâmina afiada, fria e precisa.
Gabo acordou com um sobressalto, o corpo estremecendo ao sentir o desconforto das cordas e o frio do galpão. Ele piscou os olhos, confuso, tentando entender onde estava e por que estava ali. Quando a visão se ajustou à luz fraca do galpão, ele viu Arthur à sua frente, em pé e observando-o com um olhar avaliador.
O susto e o medo rapidamente substituíram a confusão. Gabo tentou endireitar-se na cadeira, mas as cordas o mantinham preso, e ele sentiu uma onda de desespero enquanto tentava se recompor. Seu coração batia rápido, o suor começando a se formar em sua testa. Arthur permaneceu imóvel, o olhar fixo em Gabo, como se estivesse analisando cada reação do jovem.
— Bom dia, Gabo — disse Arthur com um tom quase casual, como se estivesse cumprimentando um colega de trabalho. — Dormiu bem?
Gabo tentou falar, mas sua garganta estava seca, e ele precisou limpar a voz antes de responder, sua voz saindo arrastada e trêmula.
— Senhor... eu... — Gabo engoliu em seco, esforçando-se para manter o controle. — Eu... não consegui dormir direito. Estou com dor.
Arthur se aproximou da cadeira, o som dos passos de seus sapatos ecoando de maneira inquietante no galpão silencioso. Ele olhou para Gabo com um semblante imperturbável, como se estivesse ponderando o próximo passo.
— Isso é compreensível — respondeu Arthur, sua voz calma e medida. — As cordas não foram feitas para serem confortáveis. Elas servem a um propósito.
Ele parou ao lado da cadeira e examinou o jovem, suas mãos tocando as cordas com uma leveza calculada. Gabo estremeceu ao sentir o toque de Arthur, e o jovem tentou não mostrar a dor que sentia, mantendo os olhos fixos no chão.
Arthur olhou para Gabo com um sorriso que misturava satisfação e uma pitada de crueldade.
— Como eu disse ontem, seu comportamento determinará a sua situação aqui — continuou Arthur, seu tom agora mais severo. — Se você começar a se comportar de maneira adequada e a obedecer às minhas ordens, posso considerar aliviar um pouco mais das suas condições. Caso contrário, suas condições só piorarão.
Gabo engoliu em seco, as palavras de Arthur ressoando na sua mente. Ele sabia que não tinha muito controle sobre sua situação, mas tentou manter alguma dignidade.
— Sim, Senhor — respondeu Gabo com um tom mais firme, tentando esconder o quão desesperado estava.
Arthur observou Gabo com um olhar atento, notando o nervosismo e a hesitação do jovem diante de sua pergunta. Havia um momento de silêncio carregado de tensão, onde o medo de Gabo estava palpável. A voz de Arthur, fria e calculada, cortou o silêncio.
— Está com fome? — perguntou ele, a voz suave, mas com um tom de comando que deixava pouco espaço para dúvida.
Gabo hesitou, o orgulho e o medo travando uma batalha interna. Ele mordeu o lábio inferior, tentando não ceder à pressão. Seu estômago, porém, deu um pequeno protesto, revelando a verdade que ele tentava esconder.
Arthur não esperou por muito tempo a resposta. Ele inclinou-se ligeiramente para frente, seu olhar se tornando mais severo.
— Eu sugiro que você responda imediatamente. Caso contrário, a situação pode se tornar ainda mais desconfortável para você.
Gabo engoliu em seco, o temor claramente visível em seus olhos. Ele sabia que resistir apenas pioraria sua situação. Com uma voz trêmula, ele finalmente cedeu.
— Sim, Senhor... Estou com fome e com sede.
Arthur sorriu, satisfeito com a resposta. Sem dizer mais nada, ele se virou e saiu do galpão com um passo decidido. O som das suas botas ecoou no espaço vazio enquanto ele se dirigia para fora.
Alguns minutos depois, Arthur retornou, carregando uma pequena bandeja com um lanche simples e uma garrafa de água. Ele se aproximou de Gabo e colocou a bandeja sobre uma mesa próxima. Gabo observou com um misto de esperança e desconforto, o estômago roncando levemente ao ver a comida.
Gabo estava amarrado à cadeira com as cordas de maneira meticulosa e restritiva. Suas mãos estavam amarradas atrás das costas, os pulsos envolvidos em cordas que cortavam a pele, mas sem causar ferimentos graves. As cordas eram firmemente amarradas, o que limitava seus movimentos e o deixava em uma posição desconfortável.
Seus tornozelos também estavam amarrados às pernas da cadeira, as cordas presas com força para garantir que ele não pudesse se levantar ou mover as pernas. A posição da cadeira fazia com que ele tivesse que se curvar para frente, dificultando ainda mais qualquer tentativa de alcançar a comida ou se mover confortavelmente.
O desconforto era visível em sua postura; sua cabeça estava inclinada para baixo, e ele estava inclinado para frente, o que fazia com que a respiração fosse irregular e a dor nas costas e nos braços fosse intensificada. Mesmo com a tentativa de aliviar a tensão, as cordas ainda pressionavam contra sua pele, criando um constante sentimento de desconforto e restrição.
Gabo olhou para a comida e a água com uma fome evidente, mas a posição amarrada complicava a tarefa. Ele tentou se mover o máximo possível, mas os movimentos eram limitados e desajeitados.
O esforço fez com que seus músculos tremessem, e ele mal conseguia pegar o pequeno pedaço de pão e queijo que estava à sua frente.
Arthur olhou para Gabo com um sorriso quase benevolente.
— Está ruim comer assim, né? — ele perguntou, um tom de compreensão falso na voz.
Gabo olhou para a comida, depois para Arthur, e respondeu com uma voz abafada, o constrangimento visível.
— Sim, Senhor.
Arthur acenou com a cabeça, como se tivesse esperado essa resposta. Ele então se aproximou da cadeira e, com um movimento calculado, começou a desfazer os nós das cordas que prendiam Gabo. As cordas se soltaram lentamente, e Gabo sentiu um alívio imediato ao poder mover os pulsos e os tornozelos com mais liberdade.
— Vou te dar um voto de confiança e vou te soltar — disse Arthur, a voz carregada de uma ironia fria. — Espero que você aproveite a oportunidade para mostrar que pode se comportar.
Gabo observou enquanto Arthur soltava as últimas cordas, um alívio visível em seu rosto. Assim que estava livre, ele se inclinou lentamente para alcançar o lanche e a garrafa de água. Seus movimentos eram cautelosos, ainda desconfiado da possibilidade de qualquer nova crueldade.
Arthur se afastou, cruzando os braços e observando com um olhar atento. Ele estava interessado em ver como Gabo reagiria agora que tinha a liberdade momentânea e o alimento à disposição.
Gabo começou a comer, as mãos tremendo levemente enquanto tentava lidar com a comida em uma posição desconfortável. Ele parecia estar lutando para comer de maneira adequada, cada mordida sendo um esforço.
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Atualizado até capítulo 171
Comments
Jucilene De Fatima
os pais dele não deram por falta dele
2024-11-17
1
Monica De Carvalho Carvalho
Falo mais nada.
2024-09-30
1