O silêncio no galpão retornou como uma entidade palpável, preenchendo o espaço entre Arthur e Gabo. Arthur ficou sentado, relaxado, enquanto Gabo tentava se ajustar à nova realidade, com as cordas ligeiramente mais frouxas, mas ainda o mantendo preso. Ele não sabia se aquilo era uma concessão ou apenas mais uma forma de prolongar o jogo cruel de Arthur, que parecia se alimentar da sua vulnerabilidade.
Por um momento, Gabo fechou os olhos, tentando controlar sua respiração e encontrar algum resquício de calma no meio daquele caos. A dor física agora era mais suportável, mas a dor emocional ainda queimava, a humilhação de estar à mercê de um homem tão implacável consumia sua mente.
Arthur, por outro lado, observava cada movimento sutil de Gabo com curiosidade. Ele estava gostando do controle, de ver o quanto podia dobrar o jovem a sua vontade. Cada pedido de Gabo, cada palavra de submissão, era uma pequena vitória para ele. Ele queria quebrar Gabo completamente, mas sabia que isso demandaria tempo e paciência.
— Como está se sentindo agora, Gabo? — perguntou Arthur, com um tom que sugeria falsa preocupação. Ele inclinou-se ligeiramente para frente, o olhar ainda fixo no rapaz.
Gabo abriu os olhos lentamente, focando-os em Arthur. Ele sentiu o peso da pergunta, o veneno disfarçado por trás das palavras.
— Melhor, senhor... — respondeu Gabo, a voz baixa e comedida. Ele sabia que era inútil protestar ou tentar resistir naquele momento. Se quisesse alguma chance de sobreviver àquela situação, teria que jogar o jogo de Arthur, pelo menos por enquanto.
Arthur sorriu, satisfeito com a resposta.
— Ótimo. Isso é tudo o que eu espero de você, Gabo. Coopere e as coisas podem ser mais fáceis para ambos.
Ele se levantou da cadeira novamente e começou a andar ao redor de Gabo, os passos ecoando pelo galpão. Havia algo quase predatório em sua movimentação, como se estivesse avaliando sua presa antes de fazer o próximo movimento.
— Se você continuar nesse caminho... — disse Arthur, parando de repente atrás de Gabo. Ele colocou as mãos nos ombros do jovem, apertando-os levemente, como se estivesse testando sua resistência. — Talvez, em algum momento, eu permita que você tenha um pouco mais de liberdade.
Gabo se manteve quieto, o toque de Arthur em seus ombros fazendo sua pele arrepiar. Ele sentia a ameaça não apenas nas palavras de Arthur, mas em cada gesto, cada movimento calculado. Qualquer resposta errada poderia custar caro.
— Agora, descanse. — Arthur soltou os ombros de Gabo e caminhou em direção à saída do galpão, parando brevemente na porta antes de sair. — Lembre-se de que cada ato de obediência será recompensado, mas cada ato de desafio será castigado.
Com isso, Arthur saiu, deixando Gabo sozinho na semi-escuridão do galpão, a tensão ainda presente como uma sombra persistente. Gabo sabia que, por mais que tivesse conseguido aliviar a dor física momentaneamente, a batalha psicológica estava apenas começando.
Gabo lutou contra o sono o máximo que pôde, mas a exaustão física e emocional o dominava. As cordas que ainda o mantinham preso à cadeira cortavam sua pele, causando um desconforto constante. Seus músculos estavam rígidos, dormentes, mas o cansaço de tudo o que havia acontecido desde o sequestro era maior do que a dor.
Sua cabeça começou a pesar, os olhos se fechando e abrindo lentamente, sem que ele tivesse controle sobre isso. A tensão que havia tomado conta de seu corpo durante horas agora começava a dar lugar a uma espécie de torpor. Ele tentou se manter acordado, mas a escuridão e o silêncio ao redor tornavam impossível continuar a resistir.
Conforme seu corpo cedia ao cansaço, Gabo começou a relaxar levemente, mesmo que contra sua vontade. Sua cabeça pendeu para frente, o queixo tocando o peito. Os braços presos, os pulsos doloridos pelas amarras, se contraíam involuntariamente enquanto ele tentava buscar uma posição minimamente suportável. Era uma batalha perdida: não havia conforto naquelas cordas, na cadeira dura, ou na escuridão opressora ao seu redor.
Mesmo assim, Gabo acabou cochilando. Seu sono era agitado, repleto de visões fragmentadas e pesadelos. Ele se mexia involuntariamente na cadeira, com o corpo reagindo a cada nova pontada de dor. Suas pernas se contraíam ocasionalmente, tentando aliviar a pressão nos tornozelos amarrados, mas a única coisa que conseguia era tensionar ainda mais os músculos já doloridos.
O sono de Gabo era raso e perturbado, sem descanso real. Ele acordava com frequência, sentindo-se desorientado, o corpo tenso de medo e desconforto. Cada vez que acordava, a realidade voltava a se impor brutalmente: ele ainda estava preso, sozinho naquele galpão, à mercê de Arthur. Porém, o cansaço acabava sempre vencendo e, mesmo nessas condições extremas, ele voltava a cochilar.
A noite passou lentamente, com Gabo afundando e emergindo do sono, como se estivesse sendo tragado por um mar escuro e turbulento, sem nunca conseguir realmente descansar.
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Atualizado até capítulo 171
Comments
Bruna Rosa
por enquanto tá bom ,não gosto guando fica bonzinho rápido 😃
2025-01-20
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Eunice Alves Moreira Fernandes
cara covarde que não sabe perder. filhinho de papai de merda
2025-01-28
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Fran Silva
nossa esse Arthur é um louco o garoto não fez nada contra ele e mesmo assim ele está torturando o menino
2024-11-04
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