Regras

Arthur puxou uma cadeira para o centro do galpão, posicionando-a de frente para Gabo. O som do metal raspando no concreto parecia amplificado naquele espaço silencioso. Arthur se sentou com uma postura imponente, seus olhos fixos no jovem amarrado à cadeira, a luz fria da lâmpada criando sombras profundas em seu rosto.

— Vamos esclarecer algumas coisas, Gabo — disse Arthur, sua voz firme e controlada. — A partir de agora, você me chamará de "senhor". Sempre que falar comigo, deve responder com "sim, senhor" ou "não, senhor". Suas respostas devem ser respeitosas e obedientes. Não há espaço para questionamentos ou desobediência.

Gabo olhou para Arthur com uma mistura de raiva e incredulidade. Sua mente estava cheia de perguntas, principalmente sobre quanto tempo duraria aquela tortura.

— Quando vou poder ir embora? — perguntou Gabo, sua voz soando rouca e desafiadora.

Arthur endureceu o olhar, uma sombra de irritação cruzando seu rosto. Ele se levantou da cadeira, seu corpo se aproximando de Gabo com um passo firme e decidido. A atmosfera ao redor parecia se carregar com uma tensão palpável.

— A paciência é uma virtude que você ainda precisa aprender, Gabo — disse Arthur, sua voz agora gelada e cortante. — Sua pergunta é uma prova clara de que você ainda não entendeu a situação.

Ele fez uma pausa, respirando profundamente para controlar sua frustração.

— O tempo que você passará aqui — continuou Arthur, agora com uma voz mais controlada, mas ainda repleta de autoridade — dependerá exclusivamente do seu comportamento. Se você demonstrar respeito e obediência, a sua situação pode melhorar. Se não, o seu tempo aqui pode se estender mais do que você imagina.

Arthur se afastou um pouco, deixando Gabo refletir sobre suas palavras. Ele observava o jovem com um olhar de vigilância constante, como se estivesse avaliando cada expressão, cada reação. A calma de Arthur era quase intimidante, um contraste gritante com o estado de pânico e desespero de Gabo.

Gabo lançou um olhar de desafio, mas a realidade da sua situação o fez morder a língua. Ele sabia que qualquer resistência só poderia piorar sua situação.

Arthur continuou, a voz imperturbável, como se estivesse apenas explicando as regras de um jogo.

— Você deve obedecer a cada ordem que eu der sem questionar. Não é uma sugestão, é uma ordem. Se eu lhe disser para fazer algo, você faz. Se eu lhe disser para parar, você para. As regras são simples: obedeça sem hesitação, e você terá um relacionamento mais fácil comigo. Se você falhar em seguir essas regras, as consequências serão... desagradáveis.

Gabo tentou se manter calmo, embora sua mente estivesse fervendo de revolta e desespero.

Arthur parou na frente de Gabo, seus olhos penetrantes e frios. Ele se inclinou ligeiramente para frente, deixando Gabo sentir o peso de sua presença.

— Eu sou razoável, mas também sou implacável quando se trata de disciplina. A escolha é sua. Se quiser saber quando poderá sair, comece a se comportar como deveria. — Arthur endireitou-se, a frieza em seu tom retornando.

Arthur se afastou e voltou a se sentar na cadeira, observando Gabo com uma expressão que misturava paciência e um cruel divertimento.

— Então, Gabo, qual é a sua decisão? Vai seguir as regras ou vai continuar a resistir? Lembre-se de que sua escolha determinará quanto tempo você passará aqui e o que acontecerá com você.

Gabo lutava para encontrar as palavras certas, a raiva se misturando com a necessidade de tentar entender o que o futuro lhe reservava. Ele sabia que qualquer erro poderia ter consequências graves, e o desejo de resistir estava sendo confrontado pela necessidade de se adaptar, pelo menos por enquanto.

Ele respirou fundo e, com uma voz carregada de frustração, disse:

— Sim, Senhor.

Arthur sorriu de forma sutil, satisfeito com a resposta.

— Muito bem, Gabo. Parece que você está começando a entender. Vamos ver como você se sai daqui para frente.

Arthur inclinou-se para trás na cadeira, observando Gabo com olhos atentos. O sorriso malicioso permanecia em seus lábios, enquanto o silêncio entre eles se estendia. Gabo hesitou, sentindo as cordas apertadas cortando seus pulsos e tornozelos. A dor estava se intensificando, e ele sabia que, naquele momento, teria que escolher suas palavras com cuidado.

Ele respirou fundo, tentando controlar a raiva e a humilhação que pulsavam dentro de si. Não havia outra escolha senão se submeter, ao menos por agora.

— Senhor… — Gabo começou, sua voz forçada a sair mais calma e contida, quase um sussurro. — Poderia, por favor, afrouxar os nós? Eles… estão apertando muito, e eu… estou com dor.

Arthur permaneceu em silêncio por um momento, seus olhos examinando Gabo com uma mistura de diversão e cálculo. Ele parecia ponderar a solicitação, como se estivesse considerando as implicações de dar a Gabo o que ele pedia.

— Gabo estava exausto. Seus músculos estavam tensos, o corpo doendo por conta da posição rígida e das cordas apertadas que o mantinham imobilizado. Embora o orgulho e a raiva ainda estivessem presentes, o desconforto físico começava a tomar conta de seus pensamentos. Cada segundo naquela cadeira fazia parecer que o tempo estava se arrastando de forma agonizante.

Ele respirou fundo, tentando encontrar uma brecha para quebrar a tensão entre ele e Arthur. Precisava de alívio, mesmo que temporário, e sabia que a única maneira de consegui-lo era através da submissão. Por mais que odiasse a ideia, Gabo viu a necessidade de se adaptar, pelo menos por enquanto.

— Senhor... — começou Gabo, com a voz mais baixa e carregada de uma súplica velada. Ele olhou diretamente para Arthur, tentando medir sua reação. — As cordas... estão muito apertadas. Estou com dor.

Arthur levantou o olhar para Gabo, o rosto inexpressivo por um momento. Ele estudou o jovem, avaliando o tom submisso em sua voz, notando a forma como suas palavras soavam diferentes agora — mais controladas, mais resignadas. Um leve sorriso surgiu no canto dos lábios de Arthur.

— Está com dor, Gabo? — perguntou Arthur, a voz calma, mas com um traço de condescendência. Ele não se moveu de imediato, apenas observou Gabo por alguns segundos a mais, como se estivesse saboreando o momento.

Gabo, com o coração batendo mais rápido, sentiu que estava em um campo minado. Cada palavra poderia ser uma oportunidade ou um risco.

— Sim, Senhor... Se puder afrouxar um pouco as cordas, eu... eu prometo que não vou tentar nada — disse Gabo, escolhendo suas palavras com cuidado, mantendo o tom suave e obediente. — Só está... muito apertado.

Arthur se levantou lentamente, como se estivesse ponderando sobre a situação. Seus passos ecoavam pelo galpão enquanto ele se aproximava de Gabo. Ele parou bem em frente ao jovem, se abaixando até que seus rostos ficassem na mesma altura, seus olhos se encontrando.

— Você está tentando ser obediente agora, Gabo? — perguntou Arthur, quase num tom de brincadeira. — Quer me convencer de que posso confiar em você?

— Sim, Senhor. — Gabo respondeu com rapidez, fazendo um esforço consciente para manter a voz submissa e sem traços de desafio.

Arthur observou-o por mais alguns segundos, deixando que o silêncio pairasse no ar. Então, ele se agachou ao lado da cadeira, os olhos fixos nos pulsos amarrados de Gabo. Ele tocou as cordas, puxando-as levemente como se estivesse testando a força do nó. A pressão aumentou momentaneamente antes de ele suavizar o aperto.

— Vou afrouxar um pouco — disse Arthur, os dedos habilidosos trabalhando nos nós. — Mas entenda uma coisa, Gabo. Qualquer sinal de resistência, e estas cordas voltarão a se apertar. Entendido?

Gabo assentiu rapidamente, sentindo um pequeno alívio quando as cordas ao redor de seus pulsos e tornozelos cederam levemente. O aperto ainda estava presente, mas a dor se aliviava o suficiente para que ele pudesse respirar com mais facilidade.

— Sim, Senhor — respondeu Gabo, tentando manter o tom submisso. Havia uma tensão reprimida em suas palavras, mas ele sabia que não poderia mostrar mais resistência.

Arthur terminou de afrouxar as cordas e se levantou, observando o efeito que aquilo causava no jovem à sua frente. Ele sorriu novamente, satisfeito com o que via.

— Viu como é fácil quando você coopera? — Arthur voltou a se sentar na cadeira, cruzando as pernas de maneira relaxada. — Quanto mais você seguir as minhas regras, mais fácil será sua vida aqui. Eu posso ser um senhor generoso, se você souber se comportar.

Gabo permaneceu em silêncio, os olhos baixos enquanto processava tudo. Ele sabia que estava entrando em um jogo perigoso, onde suas escolhas e suas palavras seriam cruciais. Arthur claramente se deliciava em manipular a situação, em exercer poder sobre ele, e Gabo precisava aprender rapidamente como navegar naquele ambiente tóxico.

Arthur olhou para ele com uma expressão satisfeita e, com um aceno leve de mão, sinalizou o fim daquela conversa.

— Agora, descanse um pouco, Gabo. Se você se comportar bem, quem sabe amanhã eu deixe você ficar mais confortável.

Arthur ficou em silêncio, observando o jovem com interesse renovado, como se estivesse esperando para ver até onde aquela obediência se estenderia. Por fim, levantou-se saiu.

Capítulos
1 O encontro
2 Rapto
3 Regras
4 Frieza
5 Entre a ousadia e a vulnerabilidade
6 Oásis
7 Intenções
8 Aceitação e resistência
9 Perdido entre o desespero e o autocontrole
10 Reação
11 Frustração e fascínio
12 Inquietação
13 Desamparo
14 Obediência resoluta
15 Guia
16 Gentileza incomum
17 Calma fria
18 Primeiras marcas
19 Descontrole e impulsividade
20 "Você vai ficar bem"
21 Outra vida...
22 Trégua temporária
23 Comportamento errático
24 Sem saída
25 Controle, expectativas e submissão
26 Agonia
27 Temor
28 Sobrevivendo
29 Cronograma
30 Implacável rotina
31 Começando os trabalhos...
32 Seguindo
33 Borrão de dias incessantes
34 Aprovação e desaprovação
35 Monotonia
36 Exaustão e desgaste
37 Um mês depois do sequestro...
38 Posse
39 Estômago embrulhado
40 Mudanças
41 Sucumbindo
42 Cuidados controlados
43 Desejo de liberdade
44 Ilusão de liberdade
45 Janela
46 Tolo...
47 Reassumir o controle
48 Presença constante
49 Calafrio
50 Intolerância
51 Consequências
52 Ciclo
53 Instável
54 Obediência
55 Proximidade e hostilidade
56 Pensamentos intrusivos
57 Respiro
58 Sem sentido
59 Punições e recompensas
60 Pegando a estrada
61 Suavidade
62 Carinho distorcido
63 Entre a realidade e a desconexão
64 Promessas
65 Belo adormecido
66 Prisão de luxo
67 Dança
68 Obedecer e aguardar
69 Jantar e protocolos
70 Serviço de quarto
71 Animal acuado
72 Número inexistente
73 Choque e lágrimas
74 Regresso
75 Inconsciência
76 Eficiência
77 Contraste
78 Febre e cuidados
79 Delírio e realidade
80 Mãos dadas
81 Pontada de remorso
82 Ecos
83 Suavizando a abordagem
84 Nova rotina
85 Autoridade e companheirismo
86 Confusão de sentimentos
87 Lampejos de humanidade
88 Descanso
89 Só por essa noite...
90 Preocupações e precauções
91 Cacos
92 Fortalecendo corpo e mente
93 Necessidades
94 Doce severidade
95 Aniversário irrelevante
96 Presente sombrio
97 Dias imutáveis
98 Ciúmes e revelações
99 Explicações
100 Balanços e encantos
101 Reprimindo sentimentos
102 Dilemas
103 Tensão e exaustão
104 Relação funcional e hierárquica
105 Querida morte...
106 Corda fina
107 Desafio e consequência
108 Futuro incerto
109 Esforço negativo
110 Testando limites
111 "No fim das contas, o que me resta?"
112 Fúria e confusão
113 Orgulho ferido
114 Desejos ocultos
115 Manipulando o manipulador
116 Passando dos limites
117 Uma hora de vida
118 Escolha difícil
119 Emergência
120 Os pais de Gabo e o horror em Milena
121 Fragilidade
122 Sons da vida
123 Conversa e descobertas
124 Coração divido
125 Incertezas
126 Confissões
127 Vida e morte
128 Esperar e torcer
129 Despertar
130 Espaço
131 Medo e culpa
132 Reabilitação
133 Silêncio
134 Jogos
135 Progressos
136 Casa e caos
137 Torturador e protetor
138 Palavras
139 Repetição
140 Pânico
141 "Só o Gabo importa"
142 Resgate
143 Paciência
144 Deixar
145 Acidente e morte
146 Declaração e liberdade
147 Amar é deixar ir...
148 Lar, doce caos
149 O peso da liberdade
150 Sobrevivendo no automático
151 Sombras atormentadoras
152 Pedido inesperado
153 Reencontro bom
154 Cobranças
155 Doce e gentil Alana
156 Recuperando o tempo...
157 Segredo entre amigos
158 O peso das escolhas que Arthur fez
159 Traumas e impactos
160 Processo de seguir em frente
161 Sarcasmo
162 Ombro amigo
163 Decisão
164 167
165 Quebrados
166 Tempo e lamentos
167 Dia no parque
168 Paradoxo
169 Culpa e violão
170 Pôr do sol
171 Agradecimento
Capítulos

Atualizado até capítulo 171

1
O encontro
2
Rapto
3
Regras
4
Frieza
5
Entre a ousadia e a vulnerabilidade
6
Oásis
7
Intenções
8
Aceitação e resistência
9
Perdido entre o desespero e o autocontrole
10
Reação
11
Frustração e fascínio
12
Inquietação
13
Desamparo
14
Obediência resoluta
15
Guia
16
Gentileza incomum
17
Calma fria
18
Primeiras marcas
19
Descontrole e impulsividade
20
"Você vai ficar bem"
21
Outra vida...
22
Trégua temporária
23
Comportamento errático
24
Sem saída
25
Controle, expectativas e submissão
26
Agonia
27
Temor
28
Sobrevivendo
29
Cronograma
30
Implacável rotina
31
Começando os trabalhos...
32
Seguindo
33
Borrão de dias incessantes
34
Aprovação e desaprovação
35
Monotonia
36
Exaustão e desgaste
37
Um mês depois do sequestro...
38
Posse
39
Estômago embrulhado
40
Mudanças
41
Sucumbindo
42
Cuidados controlados
43
Desejo de liberdade
44
Ilusão de liberdade
45
Janela
46
Tolo...
47
Reassumir o controle
48
Presença constante
49
Calafrio
50
Intolerância
51
Consequências
52
Ciclo
53
Instável
54
Obediência
55
Proximidade e hostilidade
56
Pensamentos intrusivos
57
Respiro
58
Sem sentido
59
Punições e recompensas
60
Pegando a estrada
61
Suavidade
62
Carinho distorcido
63
Entre a realidade e a desconexão
64
Promessas
65
Belo adormecido
66
Prisão de luxo
67
Dança
68
Obedecer e aguardar
69
Jantar e protocolos
70
Serviço de quarto
71
Animal acuado
72
Número inexistente
73
Choque e lágrimas
74
Regresso
75
Inconsciência
76
Eficiência
77
Contraste
78
Febre e cuidados
79
Delírio e realidade
80
Mãos dadas
81
Pontada de remorso
82
Ecos
83
Suavizando a abordagem
84
Nova rotina
85
Autoridade e companheirismo
86
Confusão de sentimentos
87
Lampejos de humanidade
88
Descanso
89
Só por essa noite...
90
Preocupações e precauções
91
Cacos
92
Fortalecendo corpo e mente
93
Necessidades
94
Doce severidade
95
Aniversário irrelevante
96
Presente sombrio
97
Dias imutáveis
98
Ciúmes e revelações
99
Explicações
100
Balanços e encantos
101
Reprimindo sentimentos
102
Dilemas
103
Tensão e exaustão
104
Relação funcional e hierárquica
105
Querida morte...
106
Corda fina
107
Desafio e consequência
108
Futuro incerto
109
Esforço negativo
110
Testando limites
111
"No fim das contas, o que me resta?"
112
Fúria e confusão
113
Orgulho ferido
114
Desejos ocultos
115
Manipulando o manipulador
116
Passando dos limites
117
Uma hora de vida
118
Escolha difícil
119
Emergência
120
Os pais de Gabo e o horror em Milena
121
Fragilidade
122
Sons da vida
123
Conversa e descobertas
124
Coração divido
125
Incertezas
126
Confissões
127
Vida e morte
128
Esperar e torcer
129
Despertar
130
Espaço
131
Medo e culpa
132
Reabilitação
133
Silêncio
134
Jogos
135
Progressos
136
Casa e caos
137
Torturador e protetor
138
Palavras
139
Repetição
140
Pânico
141
"Só o Gabo importa"
142
Resgate
143
Paciência
144
Deixar
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Acidente e morte
146
Declaração e liberdade
147
Amar é deixar ir...
148
Lar, doce caos
149
O peso da liberdade
150
Sobrevivendo no automático
151
Sombras atormentadoras
152
Pedido inesperado
153
Reencontro bom
154
Cobranças
155
Doce e gentil Alana
156
Recuperando o tempo...
157
Segredo entre amigos
158
O peso das escolhas que Arthur fez
159
Traumas e impactos
160
Processo de seguir em frente
161
Sarcasmo
162
Ombro amigo
163
Decisão
164
167
165
Quebrados
166
Tempo e lamentos
167
Dia no parque
168
Paradoxo
169
Culpa e violão
170
Pôr do sol
171
Agradecimento

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