Quando Arthur retornou ao galpão, encontrou Gabo num estado completamente diferente daquele que havia deixado. O jovem estava desolado, os olhos vermelhos e inchados pelas lágrimas que haviam caído sem controle, enquanto o corpo se sacudia em soluços silenciosos. O choque da situação, misturado às substâncias que ainda circulavam em seu sistema, deixava Gabo entorpecido, mas agora a realidade estava finalmente começando a se fazer presente. Seus pais, por quem ele havia nutrido uma esperança desesperada de resgate, não haviam aparecido. A certeza de que estava preso à mercê de Arthur se tornava cada vez mais concreta.
Arthur se aproximou em silêncio, observando Gabo com uma expressão neutra. Ele colocou a mão no ombro do jovem, seu toque era frio, um gesto calculado que pretendia, ao mesmo tempo, confortar e afirmar controle. No entanto, Gabo reagiu de forma inesperada. Com uma explosão de energia vinda do desespero, ele gritou:
— Me deixa ir embora! — A voz dele ecoou pelo galpão, carregada de dor e fúria reprimida.
Antes que Arthur pudesse reagir, Gabo se lançou para frente, cravando os dentes no braço do homem. A mordida foi forte e raivosa, pegando Arthur de surpresa. Ele sentiu a dor pulsar em seu braço e, instintivamente, reagiu com violência. Um tapa forte ecoou pelo galpão, acertando o rosto de Gabo com força o suficiente para fazer sua cabeça virar bruscamente para o lado.
— E eu achando que estávamos nos entendendo — disse Arthur com a voz baixa, cheia de frustração. Ele esfregou o braço, onde a marca dos dentes de Gabo começava a ficar evidente, uma mancha vermelha se formando. O sorriso no rosto de Arthur, porém, não desapareceu completamente. Em vez disso, ele parecia mais intrigado do que irritado, como se a reação de Gabo apenas o tivesse entretido, em vez de enfurecê-lo.
Gabo, por sua vez, recuperou-se do tapa com a face latejando e o gosto de ferro na boca. A adrenalina de seu ato de resistência ainda corria por suas veias, mas agora misturava-se com um medo profundo. Arthur continuava a encará-lo com aquela mesma calma calculada, o que só tornava a situação ainda mais aterrorizante.
Arthur se inclinou levemente, o rosto próximo ao de Gabo, enquanto seus olhos o analisavam friamente.
— Eu gosto dessa faísca em você, Gabo — disse ele, sua voz agora baixa e perigosa. — Mas você precisa entender que isso não vai te levar a lugar nenhum. — Ele se levantou, afastando-se um pouco, ainda esfregando o braço. — Cada vez que você tenta resistir, só torna as coisas mais difíceis para você. E, no final das contas, você vai acabar fazendo o que eu quero, de qualquer maneira.
Arthur passou a mão pelos cabelos, como se estivesse ponderando o que fazer em seguida. O semblante dele mudou, suavizando levemente, mas ainda carregava a mesma ameaça subjacente.
— Eu poderia punir você agora pelo que fez, — continuou Arthur, a voz séria. — Mas vou te dar uma chance, Gabo. Uma chance de mostrar que pode aprender a me agradar sem que isso seja necessário.
Ele então fez uma pausa, e seus olhos voltaram a perfurar os de Gabo.
— Você ainda pode fazer escolhas, — disse Arthur calmamente. — Mas saiba que a cada erro, a cada resistência, essa sua "liberdade" vai ficar cada vez menor. Você pode tornar isso mais fácil para si mesmo... ou muito mais doloroso.
Gabo tentou manter o olhar firme, mas a dor no rosto e o medo crescente faziam com que fosse difícil sustentar qualquer semblante de resistência. No fundo, ele sabia que Arthur tinha razão em um ponto: a situação estava cada vez mais perigosa. Contudo, dentro de si, a chama da revolta continuava a arder. Mesmo enquanto o desespero o sufocava, ele não podia simplesmente aceitar que sua vida se tornaria uma submissão completa ao desejo de Arthur.
Arthur deu um último olhar de aviso antes de se afastar. O ambiente no galpão parecia mais denso, mais carregado de tensão.
— Vou te deixar pensar mais um pouco sobre isso — disse Arthur, com um sorriso contido. — E quando eu voltar, espero que estejamos mais... amigos.
Ele saiu do galpão novamente, deixando Gabo sozinho, a dor física se misturando ao tumulto mental. O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor, mas dentro de Gabo, uma promessa silenciosa se formava: ele não iria desistir. Não importava o quanto Arthur tentasse quebrá-lo, ele resistiria até o fim.
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Atualizado até capítulo 171
Comments
Fran Silva
coitado todo tempo amarrado na cadeira sentado apanhando e humilhado. sem tomar banho
2024-11-04
2
Monica De Carvalho Carvalho
Que homem asqueroso, e a família do Gabo só tem banana? Não fazem nada para ajuda - lo , que asco desse homem nojento e frio feito um psicopata.
2024-09-30
1