Desamparo

No dia seguinte, Arthur entrou no galpão pela manhã, o som das botas ecoando no espaço vazio. O ambiente estava envolto em uma penumbra tênue, com a luz do sol se infiltrando pelas frestas nas paredes. Gabo, deitado no chão, algemado nos pés e nas mãos, tentou ajustar o corpo desconfortável sobre o piso frio. Ele estava exausto, as emoções oscilando entre medo e frustração, e o sono mal conseguido só aumentava sua sensação de desamparo.

Arthur aproximou-se, agachando-se ao lado de Gabo, retirou as algemas das mãos e lhe disse:

— Hora de comer.

Gabo, ainda ressentido e de olhos inchados de tanto chorar durante a noite, apenas o encarou com uma mistura de raiva e submissão velada. Sua garganta estava seca, e a dor de estômago de não ter comido nada ainda por pelo menos dois dias o atormentava. Mas, mesmo assim, ele se recusou a dar o que Arthur queria: obediência sem resistência.

Ao perceber a hesitação de Gabo, Arthur estreitou os olhos.

— Vai se recusar de novo, Gabo? — Ele se inclinou sobre o jovem, o tom ameaçador. — Eu te dei uma chance, e veja onde você está. Quer continuar assim?

Gabo não respondeu, apenas desviou o olhar.

Arthur, com uma expressão de impaciência, levantou-se, pegou um pedaço de pão e estendeu a Gabo. Mas o jovem manteve a boca fechada, em uma teimosa resistência silenciosa.

Irritado, Arthur soltou o pedaço de pão no chão ao lado de Gabo e o empurrou de volta ao chão com uma pressão súbita, algemando novamente suas mãos.

— Então fica aí, faminto. Não me importo — ele disse, com frieza na voz.

Gabo sentiu o metal da algema apertar seus pulsos mais uma vez, o chão duro sob seu corpo. O desconforto físico agora se misturava com o peso emocional que o esmagava. A ficha finalmente tinha caído. Seus pais não viriam buscá-lo e as chances de escapar eram mínimas. O desespero começou a crescer em seu peito, enquanto tentava conter as lágrimas que ameaçavam surgir de novo.

Arthur se afastou, deixando Gabo deitado ali, solitário.

— Pense melhor da próxima vez, garoto — Arthur murmurou enquanto saía do galpão, fechando a porta com um estrondo.

Mais tarde, Arthur dirigiu-se para a empresa. Após resolver alguns assuntos, retornou para casa, onde encontrou Gustavo e Milena na cozinha. A expressão de Arthur estava carregada de frustração.

— Pela tua cara, ou a empresa está completamente falida, ou você está com problemas com teu brinquedinho — zombou Gustavo, olhando para Arthur com um sorriso irônico enquanto mexia no celular.

— Acho que o bichinho de estimação do Arthur é selvagem demais para ele dar conta — completou Milena, com um tom de humor cru.

Os dois sabiam dos gostos peculiares de Arthur e, geralmente, se mantinham afastados dos detalhes. No entanto, Gustavo, sendo médico, às vezes tinha que intervir quando os métodos de Arthur extrapolavam o razoável.

Arthur, com um sorriso tenso, respondeu:

— Hahaha, vão rindo. Vocês vão ver como vou deixá-lo bem domado. Hoje ele vai entender que não estou brincando.

Arthur, ainda irritado, passou pelo corredor em direção à sala de estar, onde se jogou no sofá com um suspiro pesado. Gustavo e Milena o seguiram, curiosos sobre o que poderia ter causado tamanho descontentamento.

— Então, qual é o plano? — perguntou Gustavo, ao sentar-se em uma poltrona próxima. — Vai fazer algo mais drástico para lidar com o seu brinquedinho?

Arthur inclinou-se para frente, seus olhos fixos no chão enquanto pensava nas próximas ações.

— Sim — respondeu ele, com um tom decidido. — Vou intensificar o treinamento. Preciso garantir que ele entenda que não há espaço para resistência. Não quero mais que ele me desafie. Hoje, ele vai aprender a ser obediente.

Milena trocou um olhar com Gustavo, e ambos trocaram um sorriso sutil. Sabiam que a abordagem de Arthur sempre envolvia métodos severos, mas se mantinham à distância, apenas oferecendo apoio quando necessário.

— Bem, isso parece ser a sua praia — disse Milena com um tom descontraído.

Arthur levantou-se, sua expressão agora mais focada e determinada. Ele sabia que o caminho para domar Gabo seria difícil, mas estava determinado em alcançar seus objetivos.

— Vai, então. Mostre ao seu bichinho de estimação quem manda — disse Gustavo com um tom de escárnio, enquanto Milena assentia com um sorriso divertido.

Arthur ignorou as provocações e foi direto para um dos quantos, onde pegou um conjunto de equipamentos e acessórios que usava em seus métodos de controle, bem como uma sacola com roupas. Colocou tudo no carro e com um último olhar para seus irmãos, ele se dirigiu de volta para o galpão, onde seu treinamento a

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Ana Lúcia

Ana Lúcia

bando de lunáticos odiando eles e a história também

2024-10-11

1

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Capítulos
1 O encontro
2 Rapto
3 Regras
4 Frieza
5 Entre a ousadia e a vulnerabilidade
6 Oásis
7 Intenções
8 Aceitação e resistência
9 Perdido entre o desespero e o autocontrole
10 Reação
11 Frustração e fascínio
12 Inquietação
13 Desamparo
14 Obediência resoluta
15 Guia
16 Gentileza incomum
17 Calma fria
18 Primeiras marcas
19 Descontrole e impulsividade
20 "Você vai ficar bem"
21 Outra vida...
22 Trégua temporária
23 Comportamento errático
24 Sem saída
25 Controle, expectativas e submissão
26 Agonia
27 Temor
28 Sobrevivendo
29 Cronograma
30 Implacável rotina
31 Começando os trabalhos...
32 Seguindo
33 Borrão de dias incessantes
34 Aprovação e desaprovação
35 Monotonia
36 Exaustão e desgaste
37 Um mês depois do sequestro...
38 Posse
39 Estômago embrulhado
40 Mudanças
41 Sucumbindo
42 Cuidados controlados
43 Desejo de liberdade
44 Ilusão de liberdade
45 Janela
46 Tolo...
47 Reassumir o controle
48 Presença constante
49 Calafrio
50 Intolerância
51 Consequências
52 Ciclo
53 Instável
54 Obediência
55 Proximidade e hostilidade
56 Pensamentos intrusivos
57 Respiro
58 Sem sentido
59 Punições e recompensas
60 Pegando a estrada
61 Suavidade
62 Carinho distorcido
63 Entre a realidade e a desconexão
64 Promessas
65 Belo adormecido
66 Prisão de luxo
67 Dança
68 Obedecer e aguardar
69 Jantar e protocolos
70 Serviço de quarto
71 Animal acuado
72 Número inexistente
73 Choque e lágrimas
74 Regresso
75 Inconsciência
76 Eficiência
77 Contraste
78 Febre e cuidados
79 Delírio e realidade
80 Mãos dadas
81 Pontada de remorso
82 Ecos
83 Suavizando a abordagem
84 Nova rotina
85 Autoridade e companheirismo
86 Confusão de sentimentos
87 Lampejos de humanidade
88 Descanso
89 Só por essa noite...
90 Preocupações e precauções
91 Cacos
92 Fortalecendo corpo e mente
93 Necessidades
94 Doce severidade
95 Aniversário irrelevante
96 Presente sombrio
97 Dias imutáveis
98 Ciúmes e revelações
99 Explicações
100 Balanços e encantos
101 Reprimindo sentimentos
102 Dilemas
103 Tensão e exaustão
104 Relação funcional e hierárquica
105 Querida morte...
106 Corda fina
107 Desafio e consequência
108 Futuro incerto
109 Esforço negativo
110 Testando limites
111 "No fim das contas, o que me resta?"
112 Fúria e confusão
113 Orgulho ferido
114 Desejos ocultos
115 Manipulando o manipulador
116 Passando dos limites
117 Uma hora de vida
118 Escolha difícil
119 Emergência
120 Os pais de Gabo e o horror em Milena
121 Fragilidade
122 Sons da vida
123 Conversa e descobertas
124 Coração divido
125 Incertezas
126 Confissões
127 Vida e morte
128 Esperar e torcer
129 Despertar
130 Espaço
131 Medo e culpa
132 Reabilitação
133 Silêncio
134 Jogos
135 Progressos
136 Casa e caos
137 Torturador e protetor
138 Palavras
139 Repetição
140 Pânico
141 "Só o Gabo importa"
142 Resgate
143 Paciência
144 Deixar
145 Acidente e morte
146 Declaração e liberdade
147 Amar é deixar ir...
148 Lar, doce caos
149 O peso da liberdade
150 Sobrevivendo no automático
151 Sombras atormentadoras
152 Pedido inesperado
153 Reencontro bom
154 Cobranças
155 Doce e gentil Alana
156 Recuperando o tempo...
157 Segredo entre amigos
158 O peso das escolhas que Arthur fez
159 Traumas e impactos
160 Processo de seguir em frente
161 Sarcasmo
162 Ombro amigo
163 Decisão
164 167
165 Quebrados
166 Tempo e lamentos
167 Dia no parque
168 Paradoxo
169 Culpa e violão
170 Pôr do sol
171 Agradecimento
Capítulos

Atualizado até capítulo 171

1
O encontro
2
Rapto
3
Regras
4
Frieza
5
Entre a ousadia e a vulnerabilidade
6
Oásis
7
Intenções
8
Aceitação e resistência
9
Perdido entre o desespero e o autocontrole
10
Reação
11
Frustração e fascínio
12
Inquietação
13
Desamparo
14
Obediência resoluta
15
Guia
16
Gentileza incomum
17
Calma fria
18
Primeiras marcas
19
Descontrole e impulsividade
20
"Você vai ficar bem"
21
Outra vida...
22
Trégua temporária
23
Comportamento errático
24
Sem saída
25
Controle, expectativas e submissão
26
Agonia
27
Temor
28
Sobrevivendo
29
Cronograma
30
Implacável rotina
31
Começando os trabalhos...
32
Seguindo
33
Borrão de dias incessantes
34
Aprovação e desaprovação
35
Monotonia
36
Exaustão e desgaste
37
Um mês depois do sequestro...
38
Posse
39
Estômago embrulhado
40
Mudanças
41
Sucumbindo
42
Cuidados controlados
43
Desejo de liberdade
44
Ilusão de liberdade
45
Janela
46
Tolo...
47
Reassumir o controle
48
Presença constante
49
Calafrio
50
Intolerância
51
Consequências
52
Ciclo
53
Instável
54
Obediência
55
Proximidade e hostilidade
56
Pensamentos intrusivos
57
Respiro
58
Sem sentido
59
Punições e recompensas
60
Pegando a estrada
61
Suavidade
62
Carinho distorcido
63
Entre a realidade e a desconexão
64
Promessas
65
Belo adormecido
66
Prisão de luxo
67
Dança
68
Obedecer e aguardar
69
Jantar e protocolos
70
Serviço de quarto
71
Animal acuado
72
Número inexistente
73
Choque e lágrimas
74
Regresso
75
Inconsciência
76
Eficiência
77
Contraste
78
Febre e cuidados
79
Delírio e realidade
80
Mãos dadas
81
Pontada de remorso
82
Ecos
83
Suavizando a abordagem
84
Nova rotina
85
Autoridade e companheirismo
86
Confusão de sentimentos
87
Lampejos de humanidade
88
Descanso
89
Só por essa noite...
90
Preocupações e precauções
91
Cacos
92
Fortalecendo corpo e mente
93
Necessidades
94
Doce severidade
95
Aniversário irrelevante
96
Presente sombrio
97
Dias imutáveis
98
Ciúmes e revelações
99
Explicações
100
Balanços e encantos
101
Reprimindo sentimentos
102
Dilemas
103
Tensão e exaustão
104
Relação funcional e hierárquica
105
Querida morte...
106
Corda fina
107
Desafio e consequência
108
Futuro incerto
109
Esforço negativo
110
Testando limites
111
"No fim das contas, o que me resta?"
112
Fúria e confusão
113
Orgulho ferido
114
Desejos ocultos
115
Manipulando o manipulador
116
Passando dos limites
117
Uma hora de vida
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Escolha difícil
119
Emergência
120
Os pais de Gabo e o horror em Milena
121
Fragilidade
122
Sons da vida
123
Conversa e descobertas
124
Coração divido
125
Incertezas
126
Confissões
127
Vida e morte
128
Esperar e torcer
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Despertar
130
Espaço
131
Medo e culpa
132
Reabilitação
133
Silêncio
134
Jogos
135
Progressos
136
Casa e caos
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Torturador e protetor
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Palavras
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Repetição
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Pânico
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"Só o Gabo importa"
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Resgate
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Paciência
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Deixar
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Acidente e morte
146
Declaração e liberdade
147
Amar é deixar ir...
148
Lar, doce caos
149
O peso da liberdade
150
Sobrevivendo no automático
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Sombras atormentadoras
152
Pedido inesperado
153
Reencontro bom
154
Cobranças
155
Doce e gentil Alana
156
Recuperando o tempo...
157
Segredo entre amigos
158
O peso das escolhas que Arthur fez
159
Traumas e impactos
160
Processo de seguir em frente
161
Sarcasmo
162
Ombro amigo
163
Decisão
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167
165
Quebrados
166
Tempo e lamentos
167
Dia no parque
168
Paradoxo
169
Culpa e violão
170
Pôr do sol
171
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