Arthur entrou em casa visivelmente irritado. O cenho franzido e o andar pesado denunciavam seu estado de espírito. Gustavo e Milena, que estavam sentados na sala, trocaram um olhar curioso ao verem o irmão chegar assim.
— E aí? O que houve? — perguntou Gustavo, erguendo uma sobrancelha.
Arthur bufou, passando a mão pelo braço onde ainda sentia a dor da mordida.
— Estou com problemas na empresa — disse ele, tentando disfarçar o verdadeiro motivo da sua frustração, após um longo suspiro, completou: — Aquele moleque fudido me mordeu. Acreditam nisso?
Milena riu primeiro, com uma expressão de incredulidade misturada a diversão.
— Aposto que você mutilou o garoto depois da mordida — brincou ela, seu sorriso malicioso iluminando o rosto.
Gustavo, que havia se juntado às risadas, parou abruptamente e olhou para Arthur com curiosidade genuína.
— Não!? — perguntou ele, surpreso, quase esperando uma confirmação brutal.
Arthur ignorou ambos, os dentes cerrados, enquanto suas mãos ainda esfregavam o local da mordida. O silêncio tenso que se seguiu mostrou que a irritação dele não era algo que os irmãos quisessem mexer muito mais.
Enquanto isso, no galpão, Gabo estava um completo desastre. A dor da bofetada ainda queimava em seu rosto, mas o impacto emocional do que tinha acabado de fazer — e da consequência — o atormentava ainda mais. Sua mente oscilando entre o choque e a desesperança. As cordas estavam mais apertadas agora, quase como uma punição adicional por sua resistência. O rosto inchado das lágrimas e a sensação de impotência o deixavam num estado de entorpecimento. Seu corpo tremia, mas não tanto de frio, e sim de um medo visceral, o desespero tomando conta à medida que a realidade começava a se solidificar em sua mente. Ele não podia contar com o resgate que tanto esperava. Arthur jamais permitiria.
Arthur subiu as escadas em direção ao seu quarto, ignorando o olhar curioso de Gustavo e Milena, que ainda trocavam sorrisos sarcásticos. Trancou-se no quarto, jogando-se na poltrona ao lado da janela, o braço ainda dolorido pela mordida de Gabo. Ele pensava em como deveria lidar com o jovem. Algo na resistência dele despertava uma mistura de frustração e fascínio em Arthur — o desafio que Gabo representava parecia acender uma chama em sua mente doentia.
Enquanto Arthur estava perdido em seus pensamentos, Gabo continuava no galpão, completamente exausto, tanto física quanto emocionalmente. A dor no rosto e nos pulsos, causadas pelo aperto das cordas, era insuportável. Ele ainda podia sentir o gosto salgado de suas lágrimas, misturado ao sangue na boca por morder os próprios lábios em desespero. O chão era desconfortavelmente frio, e a sensação de abandono apenas agravava o terror que sentia.
Gabo agora entendia que ninguém viria salvá-lo tão cedo. Os gritos por socorro já haviam sido sufocados pelas paredes grossas do galpão, e a ideia de uma fuga parecia mais distante a cada momento. Ele olhava para as cordas em seus pulsos, já desgastadas pela luta anterior, mas ainda firmemente presas. O que antes parecia uma faísca de resistência agora estava se apagando, substituída por uma amarga aceitação de sua impotência.
Horas se passaram, e a escuridão tomou conta do galpão. O som das correntes do portão sendo abertas ecoou pelo espaço, e Gabo se encolheu involuntariamente. Arthur entrou, sua figura sombreada pela pouca luz que vinha de fora. Ele caminhou lentamente até Gabo, parando ao lado do jovem, que, instintivamente, tentou se afastar o máximo que podia, ainda preso pelas cordas.
Arthur se abaixou, seus olhos brilhando com uma intensidade fria, e tocou suavemente o rosto de Gabo, onde ainda estava inchado pelo tapa anterior.
— Espero que tenha aprendido algo hoje — murmurou Arthur, sua voz baixa, porém repleta de ameaça velada. — Você vai fazer o que eu quero, Gabo. Vai aprender a ser meu. E quanto mais rápido entender isso, menos vai sofrer.
Gabo apertou os olhos, tentando afastar o toque de Arthur. A humilhação e o medo tornavam cada palavra dita por Arthur um novo peso em sua alma. Arthur sorriu com a reação do jovem, satisfeito com o resultado da tortura psicológica que aplicava.
— Agora, descanse, se conseguir — disse Arthur, levantando-se. — Amanhã começamos de novo. E eu sugiro que pense bem sobre o que eu disse.
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Atualizado até capítulo 171
Comments
Cida Domiciano
até quando vai ser tortura com esse psicopata?
2024-11-05
1
Mayara Vitória
??
2024-10-11
0