Arthur deixou o galpão, trancando-o novamente, e Gabo ficou sozinho mais uma vez. Ele estava exausto, física e mentalmente, mas a dor e o medo o mantinham acordado, seus pensamentos girando em torno de uma única pergunta: como sair dessa?
Gabo se pegou pensando nos pais. Será que eles o estavam procurando? Será que perceberiam que ele havia sido sequestrado e não apenas fugido? Ou será que Arthur havia sido tão cuidadoso que ninguém suspeitava de nada?
Ele cerrou os dentes, frustrado. A mordida em Arthur havia sido um impulso, uma tentativa desesperada de retomar o controle da situação. Mas o resultado fora ainda mais humilhação. Agora, além da dor física, havia o peso da derrota e a crescente sensação de que Arthur estava certo. Quanto mais ele resistisse, mais sofreria. E, no fundo, Gabo sabia que seu captor tinha a vantagem, que ele estava quebrando-o lentamente.
Na casa principal, Arthur estava inquieto. Ele não conseguia parar de pensar em Gabo. A rebeldia de Gabo fazia o jogo mais interessante, mas também aumentava seu desejo de domá-lo, de subjugá-lo completamente.
Sentado na cama, ele se lembrou das risadas de Gustavo e Milena. Eles achavam tudo uma piada, uma extensão da crueldade que era comum na família. Mas para Arthur, aquilo não era apenas um jogo. Era algo mais profundo, uma necessidade de controle absoluto, de moldar Gabo até que ele fosse exatamente o que queria: obediente, submisso, e, eventualmente, completamente dependente dele.
Na manhã seguinte, o medo voltou a dominar Gabo assim que ouviu os passos de Arthur ecoando pelo galpão. Arthur entrou carregando uma bandeja com comida e água, seu olhar avaliador fixo no jovem ainda amarrado à cadeira. Gabo, com os músculos rígidos e doloridos, mal conseguia se mexer, mas seus olhos seguiram cada movimento de Arthur. O homem depositou a bandeja na mesa com um gesto calculado, depois se aproximou, desfazendo as amarras com um puxão firme.
Assim que suas mãos e pés ficaram livres, Gabo caiu no chão de concreto com um baque surdo, as palmas das mãos e os joelhos latejando ao amortecerem o impacto. Ofegante, ele se encolheu instintivamente, enquanto Arthur, impassível, pegava a bandeja e a colocava à sua frente. O cheiro da comida encheu o ar, mas Gabo permaneceu imóvel, encarando a refeição com um misto de fome e recusa, seus lábios apertados em desafio silencioso.
Arthur o observava de cima, esperando por uma reação, mas Gabo não fez nenhum movimento para pegar a comida.
— Quero que hoje seja um dia diferente — disse Arthur, com a voz calma, quase gentil. — Não quero ter que te amarrar novamente. Mas isso depende de você.
Gabo permaneceu em silêncio, olhando fixamente para a comida. Ele estava com fome, mas sabia que aceitar qualquer coisa de Arthur significava um passo a mais em direção à submissão que o homem tanto desejava.
Arthur suspirou, como se estivesse lidando com uma criança teimosa.
— Você acha que pode continuar resistindo, mas no final vai perceber que só está prolongando o inevitável. — Ele se aproximou, ajoelhando-se diante de Gabo. — Eu posso ser muito bom para você, Gabo. Posso te dar tudo o que você quiser, contanto que você aprenda seu lugar.
Gabo, ainda tentando manter alguma força, afastou o olhar, recusando-se a responder. Arthur, no entanto, não se irritou. Ao contrário, um sorriso fino se formou em seus lábios.
— Eu vou te quebrar, Gabo — disse ele suavemente, quase num sussurro. — E quando isso acontecer, vai perceber que tudo o que queria era ser meu.
Gabo sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo profundamente perturbador na certeza com que Arthur falava, como se já tivesse planejado cada passo para destruí-lo. E talvez tivesse.
A bandeja de comida ainda estava ali, intacta. Arthur retirou dois pares de algemas do bolso, com movimentos rápidos e precisos, e prendeu um nos tornozelos de Gabo, seguido pelo outro em seus pulsos, o metal frio fechando-se com um clique firme. Depois deu um último olhar a Gabo antes de se levantar e sair, deixando-o sozinho mais uma vez. O som da tranca ecoou no galpão, e Gabo, com o estômago embrulhado, se permitiu fechar os olhos por um momento, sabendo que sua luta estava apenas começando.
Arthur não retornou ao galpão naquele dia.
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Atualizado até capítulo 171
Comments
Monica De Carvalho Carvalho
Autora desiste dessa história cruel ou muda o cenário deprimente, por favor.
2024-09-30
3