O Jogo Final de Loki

Loki riu, o som ecoando por toda Jotunheim como trovões distantes, enquanto sua figura alta e esguia permanecia imóvel no centro do caos que ele havia criado. As distorções no ciclo estavam por toda parte: a própria realidade parecia instável ao seu redor, como se estivesse à beira de se despedaçar. Cada fragmento do ciclo parecia pendurado por um fio, e Loki, como um maestro, regia essa sinfonia de destruição com um sorriso astuto nos lábios.

— Você acha que pode me parar, Alrek? — Loki zombou, sua voz cheia de desdém. — Você pode ter se tornado o guardião do ciclo, mas eu sou parte dele, uma parte que você nunca poderá controlar. Eu sou o caos que corre nas veias de todos os destinos.

Alrek sentiu o peso das palavras de Loki, mas permaneceu firme. As runas em seus braços pulsavam com um brilho constante, conectadas ao ciclo que ele agora guardava. A presença de Loki, embora perturbadora, não o intimidava mais. O poder da trapaça e do caos estava à sua frente, mas Alrek sabia que esse era o momento para o qual havia se preparado. Ele havia permitido que Loki tecesse suas tramas, mas agora era a hora de desfazê-las.

— Você subestima o ciclo, Loki, — Alrek respondeu, sua voz calma como uma rocha no meio da tempestade. — Você pensa que pode quebrá-lo, mas o ciclo não depende de uma única força, seja ela a ordem ou o caos. Ele é mais forte do que você imagina. E agora você vai ver o verdadeiro poder de equilíbrio.

Loki deu alguns passos em direção a Alrek, as mãos abertas, os dedos se movendo como se ele estivesse puxando os fios invisíveis do destino.

— Equilíbrio, equilíbrio... sempre essa palavra que vocês tanto amam, — Loki disse, com um sorriso cheio de cinismo. — Mas me diga, guardião, o que é o equilíbrio sem caos? O que é a ordem sem a minha intervenção? O ciclo precisa de mim, de minha influência, para se manter. Sem o caos, tudo desmorona. Você não pode me banir. Eu sou tão essencial quanto a própria vida.

Alrek sabia que Loki estava tentando distraí-lo, desestabilizá-lo com suas palavras, mas a verdade era mais clara agora. Sim, o ciclo necessitava do caos, assim como necessitava da ordem. Mas o papel de Loki não era de um equilíbrio justo, e sim de um manipulador que distorcia o caos para seus próprios caprichos. Ele não era uma parte natural do ciclo — ele era um invasor, tentando usar o caos para quebrar o equilíbrio que Alrek havia criado.

— O caos faz parte do ciclo, sim, — Alrek admitiu, sua voz tranquila. — Mas você não é o caos verdadeiro, Loki. Você é uma distorção, uma força que tenta moldar o caos para servir aos seus próprios interesses. O ciclo existia antes de você, e continuará sem você. Hoje, eu o expulso de seu papel.

O sorriso de Loki diminuiu um pouco, mas a arrogância ainda permanecia em seus olhos.

— Você acha que pode me derrotar, Alrek? — Loki perguntou, com uma leve inclinação da cabeça. — Eu sou o mestre dos jogos, o enganador. Você, com toda a sua força, acha que pode me prender em regras que eu mesmo crio?

Alrek, entretanto, estava calmo. Ele sabia que este era o momento em que Loki baixaria a guarda, convencido de que estava no controle.

— Eu não preciso prendê-lo, — Alrek respondeu. — Apenas preciso que você veja o ciclo como ele realmente é.

Antes que Loki pudesse reagir, Alrek estendeu suas mãos em direção ao deus da trapaça. As runas em seus braços brilharam com uma intensidade que iluminou todo o reino de Jotunheim. O poder das runas não se manifestou como uma força destrutiva, mas como um campo de energia que envolveu Loki, puxando-o para dentro da própria teia que ele havia criado.

Loki, pego de surpresa, tentou resistir, mas o ciclo agora estava além de seu controle. Ele sentiu as distorções que havia criado começarem a se desdobrar sobre ele, como se a própria realidade estivesse se voltando contra suas trapaças.

— O que você está fazendo?! — Loki gritou, sua voz cheia de surpresa e raiva. — Você está distorcendo o ciclo!

Alrek o observou, sem emoção, enquanto o caos que Loki havia tentado usar contra o ciclo começava a colapsar sobre o próprio deus.

— Você sempre tentou moldar o caos para seu próprio benefício, — Alrek disse, a voz carregada de poder. — Mas o caos não pode ser controlado. Ele precisa de liberdade, assim como a ordem precisa de estrutura. Hoje, você sentirá o peso do verdadeiro equilíbrio.

Loki gritou enquanto sentia as forças que ele havia manipulado começarem a se rebelar contra ele. As distorções que ele havia criado para desestabilizar o ciclo começaram a se reverter, absorvendo sua energia e voltando contra ele. O caos que ele havia conjurado estava se transformando em uma prisão, fechando-se ao redor de sua essência.

— Você acha que pode me aprisionar? — Loki gritou, sua voz desesperada, mas ainda cheia de ódio. — Eu sou Loki! Eu sempre encontro uma saída!

Alrek permaneceu em silêncio. Ele sabia que Loki não podia ser destruído, mas também sabia que o deus não sairia dessa armadilha tão facilmente. O ciclo agora estava contra ele, e as forças que Loki havia liberado estavam se dobrando sobre si mesmo. Ele sentiu a trapaça de Loki se dissolver, e o caos começar a retornar ao seu lugar natural no ciclo.

— Você nunca poderá destruir o caos, Alrek, — Loki disse, sua voz ficando mais fraca conforme as distorções o envolviam. — Ele sempre encontrará uma maneira de voltar. Eu voltarei... Eu sempre volto.

Com um último grito de raiva, Loki foi envolvido completamente pelas forças que ele havia criado. O ciclo, agora renovado, absorveu sua influência, fechando-se sobre ele como uma teia de destino da qual ele não poderia escapar.

Alrek observou enquanto Loki desaparecia, sua presença se dissolvendo no tecido do ciclo. O deus das trapaças havia sido derrotado, não pela destruição, mas por suas próprias manipulações. Alrek não o havia destruído — ele o havia desfeito.

O caos, agora livre da distorção de Loki, retornou ao seu lugar natural no ciclo. As linhas do destino voltaram a se entrelaçar de forma harmoniosa, e o reino de Jotunheim, que estava à beira da destruição, foi salvo da catástrofe.

Alrek exalou profundamente, sentindo o peso da batalha se dissipar.

— Ele voltará, de alguma forma, — a mulher disse, aproximando-se de Alrek, seu olhar preocupado. — Loki sempre encontra uma maneira de retornar.

Alrek olhou para o céu, agora limpo das distorções que Loki havia criado. Ele sabia que ela estava certa. Loki era a personificação do caos controlado, e sempre haveria uma chance de seu retorno. Mas, por agora, o ciclo estava em equilíbrio. E, como guardião, ele sabia que estava preparado para o que viesse.

— Sim, ele voltará, — Alrek respondeu calmamente. — Mas quando isso acontecer, estarei pronto. O ciclo foi renovado, e agora tenho controle sobre ele. Ele não encontrará as mesmas brechas de antes.

A mulher assentiu, e juntos, eles observaram o horizonte, onde a luz dourada do novo ciclo iluminava o mundo.

— Você conseguiu, — ela disse, com um leve sorriso.

Alrek ficou em silêncio por um momento, sentindo a harmonia ao seu redor. Ele havia vencido Loki, mas sabia que o equilíbrio que ele agora protegia precisaria de vigilância constante. O ciclo era dinâmico, sempre em mudança, e haveria novos desafios, novas forças que tentariam desestabilizá-lo.

Mas, por enquanto, ele estava em paz.

— O ciclo continua, — ele murmurou, sua voz serena. — E assim será, até que seja o tempo de outro guardião.

E, com essas palavras, Alrek olhou para o horizonte, pronto para proteger o ciclo e as vidas que ele abrigava.

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