As Vozes da Tempestade

O vento havia mudado. Conforme Alrek e a mulher continuavam a caminhar, o ar ao seu redor parecia mais denso, carregado de uma eletricidade que fazia os pelos de sua pele se arrepiarem. O céu, outrora encoberto por uma névoa interminável, agora começava a se fechar com nuvens escuras, prenunciando uma tempestade. Mas essa não era uma tempestade comum; havia algo de estranho e sobrenatural nela.

Alrek podia sentir o poder das runas vibrando com mais intensidade em seus braços, como se respondessem à presença da energia que agora os cercava. A cada passo, ele tinha a impressão de que o ambiente estava vivo, consciente de sua presença.

— Estamos chegando a algum lugar, — a mulher murmurou, quebrando o silêncio. Sua voz era baixa e cautelosa. — Mas não sei se isso é bom ou ruim. Algo está à espreita.

Alrek concordou silenciosamente. Seus instintos estavam em alerta máximo. A batalha contra o gigante o deixara cansado, mas também mais preparado para o que quer que viesse. Ele sabia que as provações não haviam terminado. Cada guardião que enfrentava parecia testar não apenas sua força, mas também seu entendimento de si mesmo e do poder das runas.

Eles caminharam por algum tempo até que a floresta ao redor começou a desaparecer, dando lugar a um vasto descampado. No horizonte, uma estrutura imensa se erguia — uma torre, de pedra negra e antiga, que parecia tocar o céu. Ao redor da torre, as nuvens giravam em um redemoinho lento e constante, e relâmpagos esporádicos cortavam o céu, iluminando brevemente a paisagem sombria.

— A Torre das Tempestades, — a mulher sussurrou, quase em reverência. — Dizem que é lá que o ciclo realmente começa.

Alrek franziu a testa, os olhos fixos na torre à distância.

— O que você sabe sobre isso? — ele perguntou.

Ela hesitou por um momento, como se não tivesse certeza de quanto deveria contar. Mas, finalmente, começou a falar.

— É uma lenda entre os marcados, — ela começou. — A Torre das Tempestades é o lugar onde as runas foram criadas, ou pelo menos onde elas ganharam seu verdadeiro poder. Aqueles que chegam até lá enfrentam o teste final. Se passarem, podem encontrar uma saída, ou pelo menos é o que dizem. Mas ninguém que eu conheça jamais conseguiu entrar e sair de lá.

Alrek ficou em silêncio por um momento, processando a informação. Um teste final. Tudo em sua jornada parecia convergir para esse lugar, essa torre. O peso da expectativa crescia dentro dele, mas com isso, também crescia sua determinação. Ele não estava apenas lutando por respostas. Estava lutando para quebrar o ciclo e descobrir seu verdadeiro papel nesse mundo.

— Vamos, então, — ele disse, sem desviar os olhos da torre.

Eles seguiram em frente, atravessando o descampado em direção à Torre das Tempestades. O ar estava mais pesado a cada passo, e Alrek podia sentir a energia ao seu redor aumentar. As runas em seus braços começaram a brilhar com mais intensidade, como se respondessem à própria torre, e a cada relâmpago que cruzava o céu, ele sentia uma conexão mais forte com o poder dentro dele.

Quando se aproximaram da base da torre, o vento se intensificou, chicoteando seus rostos com força. A mulher parou, olhando para cima com os olhos arregalados.

— Algo está nos esperando lá dentro, — ela disse, sua voz quase inaudível por causa do vento.

Alrek assentiu, seu olhar fixo na imensa porta da torre, que parecia feita de pedra maciça, marcada com símbolos que ele não reconhecia. As runas em seus braços pulsavam mais fortemente agora, como se tentassem se conectar com os símbolos da porta.

Ele deu um passo à frente, estendendo a mão. Quando seus dedos tocaram a porta, um som grave ecoou pela estrutura, e as marcas começaram a brilhar com uma luz intensa, semelhante ao brilho das runas em seus braços.

A porta se abriu lentamente, revelando o interior escuro da torre. Um vento forte e frio saiu da abertura, como se a torre tivesse prendido a própria tempestade dentro de si.

— É aqui que tudo começa, — Alrek murmurou, entrando com cuidado, a mulher logo atrás dele.

A escuridão dentro da torre era opressiva, mas à medida que entravam mais fundo, a luz das runas de Alrek iluminava as paredes, revelando desenhos antigos e símbolos intricados, como se fossem ecos de uma civilização perdida. Cada símbolo parecia contar uma história, mas era uma história que ele ainda não compreendia.

Conforme avançavam, um som começou a surgir. No início, era baixo, como um sussurro distante. Mas, à medida que se aproximavam do centro da torre, o som se intensificava. Eram vozes, misturadas com o som de uma tempestade. Vozes que falavam em uma língua que Alrek não reconhecia, mas que, de alguma forma, ele sentia que entendia.

— As vozes dos antigos, — a mulher sussurrou, seu rosto pálido. — Eles dizem que aqueles que falharam permanecem aqui, na torre, como ecos eternos.

Alrek sentiu um calafrio percorrer sua espinha. As vozes cresciam em intensidade, e ele tinha a sensação de que estava sendo observado, não por uma presença física, mas por algo muito mais antigo e poderoso.

— Fique atenta, — ele disse à mulher, sua mão indo instintivamente para o cabo de sua adaga.

No centro da torre, encontraram uma grande sala circular. No meio, uma luz brilhava intensamente, flutuando no ar como uma esfera de energia pura. As vozes se intensificavam à medida que se aproximavam, e Alrek podia sentir as runas em seus braços reagindo, como se fossem atraídas pela esfera.

De repente, uma figura começou a se formar na luz. No início, era indistinta, como uma sombra, mas logo tomou forma. Era um homem, alto e imponente, vestido com trajes antigos, adornados com runas que brilhavam em seu corpo. Seus olhos, vazios e frios, fixaram-se em Alrek.

— Você que carrega as runas, — a figura disse, sua voz ecoando pela sala. — Chegou ao lugar onde o ciclo pode ser quebrado ou reforçado. Sua jornada o trouxe até aqui, mas sua escolha determinará o destino de todos os marcados.

Alrek apertou o cabo da adaga, sentindo o peso das palavras da figura.

— Quem é você? — ele perguntou, sua voz firme, mas cautelosa.

— Eu sou o primeiro, — a figura respondeu, sua voz profunda como o trovão. — Aquele que primeiro dominou o poder das runas. Mas também sou aquele que falhou em romper o ciclo. Agora, estou aqui, para testar todos aqueles que buscam o mesmo. Somente um pode passar. E este um será aquele que compreenderá o verdadeiro poder que carrega.

A mulher ao lado de Alrek deu um passo para trás, seus olhos arregalados de medo.

— Alrek... isso é um teste... o último teste.

Alrek respirou fundo, sentindo o peso do momento. Tudo o que enfrentara até agora — os guardiões, o gigante, a revelação sobre o ciclo — o havia levado até esse momento. Ele sabia que, se falhasse, as consequências seriam irreversíveis.

O homem que era a figura do "primeiro" levantou sua mão, e o chão ao redor de Alrek e da mulher começou a tremer. Fragmentos de pedra começaram a se erguer do chão, flutuando no ar enquanto a energia ao redor deles crescia. As runas em seu corpo brilharam com força, respondendo ao desafio iminente.

— Este é o momento em que o ciclo será desafiado, ou você será engolido por ele para sempre, — a figura disse, sua voz ecoando como uma sentença.

Alrek apertou a adaga, sentindo a energia das runas crescer dentro dele. Ele sabia que não poderia falhar.

Com um grito de guerra, ele avançou, pronto para enfrentar o teste final.

---

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!