A Escolha dos Destinos

A luz que emanava da figura crescia em intensidade, ofuscante e vibrante, preenchendo a sala com um brilho azulado. Alrek sentiu o peso do momento — essa era a prova definitiva. O verdadeiro guardião do ciclo estava à sua frente, e ele sabia que o confronto não seria apenas uma questão de força, mas uma escolha com consequências que iam além de sua compreensão imediata.

A mulher ao seu lado recuou um pouco, protegendo os olhos da luz intensa. Ela observava com uma mistura de temor e esperança. Alrek sentia sua ansiedade, mas sabia que ela confiava nele para tomar a decisão certa. O ciclo, com todo o seu peso, parecia girar em torno desse momento.

— Você disse que estou disposto a sacrificar tudo, — Alrek começou, sua voz firme, apesar da luz opressiva que o cercava. — Mas o ciclo não é o único caminho. Não pode ser.

A figura sorriu levemente, como se Alrek fosse uma criança fazendo uma pergunta ingênua.

— O ciclo é a ordem, Alrek, — respondeu o guardião. — Ele mantém a existência. Sem ele, o caos reinará. E você se atreve a pensar que pode criar algo melhor? Que pode romper as correntes do destino sem pagar o preço?

As palavras dele perfuraram Alrek. A incerteza crescia dentro dele como uma sombra. O ciclo, embora cruel, tinha um propósito. Ele mantinha a ordem no mundo. Rompê-lo significaria romper a própria estrutura da realidade como ele conhecia. O guardião tinha razão: estava ele preparado para lidar com as consequências disso?

As runas em seus braços pulsavam com uma energia incontrolável, como se soubessem que o momento decisivo havia chegado. Era uma força que ele não compreendia completamente, mas que, agora, estava à sua disposição. O poder para moldar o destino, o poder para mudar o ciclo ou destruí-lo para sempre.

— Você fala como se só houvesse uma escolha, — Alrek disse, tentando controlar a turbulência em sua mente. — Mas e se houver uma terceira opção? E se o ciclo puder ser transformado, não destruído?

A figura parou por um momento, sua expressão se tornando impassível.

— O ciclo é eterno porque a ordem precisa de estabilidade. Tentar transformá-lo é o mesmo que destruí-lo, Alrek. Você deseja algo que não pode controlar.

As palavras reverberaram pela sala, e Alrek sentiu o peso do dilema. Se ele destruísse o ciclo, poderia trazer o caos. Mas, se permitisse que ele continuasse, perpetuaria o sofrimento e as provações de incontáveis vidas. Ele não queria destruir tudo, mas sabia que o ciclo como existia não era justo, nem sustentável.

— Eu não pretendo destruir o mundo, — ele murmurou, mais para si mesmo. — Mas o que existe agora é uma prisão. E prisões, por mais estáveis que sejam, não são a resposta.

Ele olhou para a mulher ao seu lado. Seus olhos, cansados, mas determinados, fixaram-se nos dele. Ela parecia compreender a gravidade da escolha que ele precisava fazer, mas, acima de tudo, confiava em sua decisão.

Alrek voltou sua atenção para o guardião, seus olhos agora queimando com uma nova clareza.

— O ciclo pode ser mudado. Ele pode ser reescrito. Não precisamos destruir tudo, mas também não podemos deixar que continue como está. Se há uma força que criou o ciclo, há uma força que pode transformá-lo.

A figura do guardião permaneceu imóvel por um momento, avaliando Alrek com um olhar penetrante.

— Transformar o ciclo é arriscado. — A voz dele era grave, cheia de peso e poder. — A linha entre mudança e destruição é tênue. Você tem certeza de que pode trilhar esse caminho sem cair no caos?

Alrek fechou os olhos por um breve instante, sentindo o fluxo das runas em seus braços. Ele sabia que o poder delas era antigo, conectado ao próprio ciclo, mas também algo que poderia ser moldado, se ele aprendesse a controlá-lo completamente.

— Eu não sei o que virá depois, — ele admitiu. — Mas sei que a repetição eterna de dor e provação não é a resposta. Eu vou transformar o ciclo, e não destruí-lo. Porque há mais além do que você me mostrou.

A luz ao redor do guardião piscou por um momento, e Alrek soube que suas palavras haviam causado um impacto.

— Muito bem, Alrek, — disse a figura, sua voz agora carregada de uma intensidade nova. — Você deseja mudar o ciclo, e está disposto a enfrentar as consequências. Mas saiba que o poder que deseja manejar não é simples. Para transformar o ciclo, você deve dominar completamente as runas e o poder que elas carregam. E isso exige um sacrifício.

— Que sacrifício? — Alrek perguntou, seu tom firme.

— Você deverá abrir mão de parte de sua própria essência, — o guardião explicou. — O ciclo existe porque há um equilíbrio entre a ordem e o caos, entre a vida e a morte. Para mudá-lo, você deve dar uma parte de si mesmo. Algo precioso.

O coração de Alrek pesou ao ouvir aquelas palavras. Ele sentia o significado oculto no que o guardião dizia. Dar parte de si mesmo... O que exatamente isso significava?

— O que você quer dizer com 'parte de mim'? — Alrek perguntou, estreitando os olhos.

O guardião se aproximou, a luz ao seu redor vibrando.

— Você quer mudar o ciclo, mas não pode carregar esse poder sozinho. Para trazer uma mudança real, você deve se fundir com ele. Você se tornará uma nova força, uma entidade que manterá o ciclo em equilíbrio, mas à sua maneira. E, para isso, você deve sacrificar sua identidade, sua humanidade.

O choque atravessou Alrek como uma lâmina fria. Sua humanidade. Ele deveria sacrificar quem ele era — sua essência — para se tornar parte do ciclo e moldá-lo para o bem. Tornar-se uma entidade dentro dele, uma força que o governaria, mas ao custo de sua própria identidade.

— Eu... deixaria de ser eu? — ele perguntou, a voz baixa, enquanto tentava assimilar o peso daquela revelação.

— Sim, — o guardião respondeu, implacável. — Você se tornará algo mais. Algo além de humano. Mas essa é a única maneira de garantir que o ciclo seja transformado sem ser destruído. Você governará o ciclo, mas a um custo.

Alrek sentiu o peso da decisão cair sobre ele com força. Ele lutara tanto para entender o ciclo, para encontrar uma maneira de quebrar as correntes que aprisionavam tantas almas. E agora, diante dele, estava a escolha final: salvar o ciclo e transformá-lo, mas sacrificar quem ele era para sempre.

Ele olhou para a mulher ao seu lado, que agora o observava com uma expressão sombria.

— Alrek, — ela começou, sua voz baixa e cheia de emoção. — Você já fez tanto. Mas... se sacrificar assim... você ainda será você? Ou se tornará algo que mal reconhecemos?

Ele ficou em silêncio, ponderando suas palavras. Ela tinha razão. Ele lutara tanto para manter sua identidade, para preservar o que o fazia humano. E agora, no momento de sua maior escolha, seria obrigado a abrir mão de tudo isso para trazer uma mudança real.

Alrek olhou para o guardião, seu olhar firme.

— E se eu recusar? — ele perguntou, sua voz dura.

— Se você recusar, — o guardião disse, sua voz calma — o ciclo continuará como está. Você poderá seguir seu caminho, mas a ordem se manterá. E com ela, o sofrimento, as provações, a repetição.

Alrek respirou fundo, sentindo o peso da decisão se acumulando em seu peito. Ele fechou os olhos por um momento, tentando encontrar clareza no caos de seus pensamentos. E então, quando os abriu novamente, ele soube o que precisava fazer.

— Eu aceito o sacrifício, — ele disse, com uma firmeza que surpreendeu até a si mesmo.

A mulher ao seu lado ofegou levemente, surpresa com sua escolha.

O guardião sorriu.

— Então, Alrek, prepare-se para transcender.

E, com essas palavras, o poder das runas explodiu em um brilho intenso, consumindo Alrek e o levando ao limiar de sua transformação.

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