O Primeiro dos Marcados

A energia que vibrava no ar era quase palpável, e Alrek sentia o peso do momento. Diante dele estava o primeiro dos marcados, o homem que havia falhado em romper o ciclo, mas que agora guardava o segredo que poderia libertá-los ou condená-los para sempre. As palavras do "primeiro" ainda ecoavam na mente de Alrek: Somente um pode passar.

O chão ao redor tremia enquanto fragmentos de pedra flutuavam pelo ar, como se o próprio ambiente estivesse se preparando para a batalha. A luz que emanava das runas no corpo de Alrek brilhava intensamente, respondendo ao chamado do poder ao seu redor. O teste que ele estava prestes a enfrentar não era apenas físico, era um confronto entre o controle das runas e a força que elas carregavam.

A figura do "primeiro" se manteve imóvel por um momento, apenas observando Alrek. Havia uma calma perturbadora em seus olhos vazios, como se ele já tivesse visto inúmeros guerreiros falharem no mesmo teste.

— Você pensa que pode romper o ciclo? — a voz do "primeiro" ecoou pela sala, reverberando pelas paredes de pedra. — Acha que é diferente dos outros?

Alrek apertou o cabo de sua adaga, mas algo dentro dele o impedia de avançar. Ele sabia que a força bruta não seria suficiente. O "primeiro" não era apenas um oponente poderoso, ele carregava o conhecimento das runas — um conhecimento que Alrek ainda não dominava completamente.

— Eu não sou como os outros, — Alrek respondeu, sua voz firme. — E não vou falhar.

O "primeiro" ergueu uma sobrancelha, uma expressão de leve curiosidade passando por seu rosto.

— Veremos.

Com um movimento rápido, o "primeiro" levantou o braço e a sala inteira se encheu de luz. Os fragmentos de pedra que flutuavam ao redor se uniram, formando uma barreira que cercava Alrek e o separava da mulher, que observava tudo com preocupação. A barreira era densa e pulsava com uma energia antiga, claramente moldada pelo poder das runas.

Alrek, agora sozinho com o "primeiro", sentiu o ar ao seu redor se tornar mais pesado. As runas em seus braços pulsavam com uma intensidade crescente, como se estivessem tentando se ajustar à força que agora dominava a sala. Ele sabia que o teste havia começado.

O "primeiro" avançou com rapidez inesperada para alguém de sua estatura, e antes que Alrek pudesse reagir completamente, ele lançou uma onda de energia, uma força que parecia arrancar o ar da sala. Alrek ergueu os braços instintivamente, e as runas brilharam, formando uma barreira ao seu redor. O impacto foi avassalador, empurrando-o para trás com força, mas ele conseguiu manter-se de pé.

— O poder das runas não é apenas para proteção, — o "primeiro" disse, sua voz fria. — É para aqueles que compreendem sua verdadeira essência.

Alrek sentiu a frustração crescer dentro de si. Ele sabia que as runas eram poderosas, mas ainda não conseguia acessar todo o seu potencial. O gigante que enfrentou antes o ensinara a equilibrar força e paciência, mas este desafio era diferente. O "primeiro" não era um ser físico; ele era parte da própria essência do poder das runas.

Eu preciso encontrar o centro desse poder, Alrek pensou, sentindo o calor crescente nas runas. Eu preciso controlar, e não reagir.

Fechando os olhos por um breve momento, Alrek tentou sentir o fluxo das runas dentro de seu corpo. Ele havia sentido isso antes — durante a batalha com o gigante, e quando enfrentou o guardião de pedra. Era uma força bruta, mas também uma energia viva, uma corrente que conectava sua alma à terra e às runas que ele carregava.

O "primeiro" não deu tempo para mais reflexões. Ele atacou novamente, dessa vez com um movimento de sua mão que arrancou parte do chão da sala, lançando fragmentos de rocha em direção a Alrek. Mas desta vez, Alrek estava pronto.

Ele canalizou a energia das runas através de seus braços e, em um movimento rápido, usou a força que havia despertado. Um escudo invisível se formou ao seu redor, dissipando os fragmentos antes que eles pudessem atingi-lo. A luz das runas iluminou a sala, e pela primeira vez, Alrek sentiu que estava no controle.

O "primeiro" parou, sua expressão inalterada.

— Você começa a entender, — ele disse, quase como se estivesse impressionado.

Alrek não respondeu. Em vez disso, ele avançou. A energia das runas fluiu de seus braços para sua adaga, que brilhou com uma luz intensa. Ele correu em direção ao "primeiro", a lâmina cortando o ar com uma força que ele nunca havia experimentado antes. Mas o "primeiro" era rápido, desviando do golpe com uma fluidez que parecia quase sobrenatural.

— Força sozinha não é suficiente, — o "primeiro" disse, sua voz quase condescendente. — Você precisa de clareza. As runas são uma chave, mas para usá-las, você deve ver além do óbvio.

Alrek franziu a testa. Ver além do óbvio? O que aquilo significava?

Antes que pudesse ponderar mais, o "primeiro" avançou novamente, desta vez criando uma lança de pura energia das runas, que ele lançou diretamente em direção a Alrek. O tempo parecia desacelerar quando Alrek viu o ataque vir em sua direção. Ele sabia que não podia bloquear isso com força bruta. Ele precisava fazer algo diferente.

Lembrando-se do que o guardião de pedra havia ensinado sobre equilíbrio e paciência, Alrek se moveu de forma fluida, deixando o poder das runas guiar seus movimentos. Ele não tentou parar o golpe diretamente, mas se moveu com a energia, desviando no último segundo. A lança passou por ele, e Alrek aproveitou a abertura.

Ele avançou com tudo, canalizando a força das runas para seus pés e braços, movendo-se como o próprio vento. Em um instante, ele estava diante do "primeiro", e com um grito feroz, cravou sua adaga, agora brilhando intensamente com a energia das runas, diretamente no peito da figura.

O "primeiro" soltou um gemido baixo, sua expressão permanecendo inalterada por um breve momento. Então, seus olhos se arregalaram levemente, e ele recuou, cambaleando.

— Você... realmente começou a entender, — ele disse, sua voz agora mais fraca. — Mas ainda há muito a aprender. O ciclo... ainda não está quebrado.

A luz das runas no corpo do "primeiro" começou a enfraquecer, e, lentamente, ele começou a se dissolver, sua forma se desintegrando em pequenos fragmentos de luz que se espalharam pelo ar. A sala ficou em silêncio.

Alrek permaneceu parado, respirando pesadamente, ainda segurando a adaga com força. Ele havia vencido o "primeiro", mas as palavras finais da figura ecoavam em sua mente: O ciclo ainda não está quebrado.

— Você fez isso, — a voz da mulher quebrou o silêncio. Ela havia atravessado a barreira que os separava, e agora o olhava com uma mistura de espanto e alívio. — Você o derrotou.

Alrek assentiu lentamente, mas não sentia a vitória completa. Ele sabia que aquela era apenas uma parte do que estava por vir. As runas em seus braços pulsavam suavemente, como se também soubessem que o verdadeiro desafio ainda estava à frente.

— Eu posso ter passado por este teste, — ele disse, finalmente guardando a adaga. — Mas o ciclo ainda está aqui. Não foi quebrado. Ainda há algo... algo maior por trás disso tudo.

A mulher assentiu, seus olhos refletindo a mesma incerteza. Eles haviam chegado até ali, mas a verdadeira natureza das runas e do ciclo ainda permanecia envolta em mistério.

Alrek olhou ao redor da sala, agora vazia e em silêncio. O ar parecia mais leve, mas ele sabia que o próximo passo o levaria ainda mais fundo nas verdades sombrias daquele mundo. Ele havia enfrentado o "primeiro", mas o que viria depois? Quem ou o que controlava o ciclo?

Enquanto essas perguntas preenchiam sua mente, Alrek se preparou para continuar. Não havia mais volta. A jornada pelo ciclo estava longe de terminar, e o caminho à frente prometia ser ainda mais desafiador.

---

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!