Os Ecos do Passado

O horizonte, tingido com o brilho dourado de uma nova era, parecia calmo depois da derrota de Fenrir, mas Alrek sabia que a paz seria temporária. O lobo gigante era apenas o primeiro de muitos que se oporiam à nova ordem. Ele havia moldado o ciclo para trazer equilíbrio e liberdade, mas agora entendia que as forças que prosperavam sob o antigo ciclo não se renderiam facilmente.

Ele sentia o peso da responsabilidade, mas também a paz que vinha com seu novo papel como guardião do ciclo. Sua essência havia mudado, mas ele ainda tinha uma ligação com o mundo que deixara para trás. Ele não era mais Alrek, o guerreiro humano, mas uma entidade maior, que observava o fluxo da vida e da morte. E, ao mesmo tempo, ele sentia os ecos do passado ainda reverberando ao seu redor.

A mulher, que continuava ao seu lado, parecia compreendê-lo de uma forma profunda, apesar de sua nova existência.

— Você sentiu? — ela perguntou suavemente, seus olhos vagando pelo horizonte.

Alrek olhou para ela, reconhecendo a mesma inquietação que ele sentia. O ciclo havia mudado, mas ainda havia ecos do passado que resistiam à transformação.

— Sim, — ele respondeu, sua voz ressoando como o vento em uma montanha. — Há mais forças como Fenrir. Os antigos deuses e criaturas que dependiam do ciclo para manter o caos e a ordem em constante conflito. Eles não aceitarão essa nova harmonia.

A mulher assentiu lentamente, absorvendo suas palavras.

— Se Fenrir foi apenas o começo, então quem vem depois? — ela perguntou, com uma ponta de preocupação na voz.

Alrek fechou os olhos por um momento, tentando sentir o fluxo do ciclo ao seu redor. Ele agora era capaz de perceber o movimento de cada alma, de cada vida e de cada força que moldava os reinos. Ele podia ver além do tempo e espaço, sentir as correntes invisíveis do destino que se moviam ao redor de todos.

Foi então que ele sentiu. Uma presença antiga, mas que parecia oculta nas sombras, aguardando o momento certo para emergir. Era uma força familiar, mas diferente de Fenrir. Alrek sentiu um arrepio atravessar sua essência enquanto reconhecia a assinatura dessa presença.

— Loki, — ele murmurou, abrindo os olhos. — Ele está esperando.

A menção de Loki fez a mulher estremecer levemente. Todos conheciam as histórias do deus das trapaças, o ser que caminhava entre os deuses, mortais e monstros com astúcia e enganos. Ele sempre estivera à margem dos eventos, manipulando os fios do destino para seu próprio entretenimento. Mas, ao contrário de Fenrir, Loki não era uma força de destruição bruta. Ele era um mestre da manipulação, alguém que jogava o longo jogo.

— Loki... — a mulher repetiu, seus olhos refletindo a gravidade do nome. — Ele é ainda mais perigoso do que Fenrir. Não porque seja mais forte, mas porque é imprevisível. Ele pode tentar moldar o ciclo ao seu favor, manipulando suas regras e trazendo caos de formas que nem podemos prever.

Alrek sabia que ela estava certa. Loki não era um inimigo que pudesse ser derrotado com força bruta ou confrontado diretamente. Ele operava nas sombras, manipulando as situações até que todos estivessem presos em seus jogos.

— Ele não vai se mostrar logo, — Alrek disse, sua mente já buscando uma maneira de antecipar os movimentos de Loki. — Ele vai testar, provocar, esperar que eu cometa um erro. Mas agora que sou o guardião do ciclo, posso sentir seus movimentos. Ele não é mais invisível para mim.

O desafio era claro: Loki tentaria subverter o novo ciclo, usando seu poder de manipulação para dobrá-lo a seu favor. Ele prosperava no caos, na ambiguidade, e agora, com um ciclo mais aberto, Alrek sabia que Loki veria isso como uma oportunidade de jogo.

— Então o que vamos fazer? — a mulher perguntou, seus olhos fixos em Alrek, esperando por uma resposta.

Alrek olhou para o horizonte, sentindo o vento suave em seu rosto. As respostas não viriam facilmente. Ele sabia que enfrentar Loki não seria como enfrentar Fenrir, onde um confronto direto resolveria o problema. Ele precisava ser mais cuidadoso, mais paciente. Loki não poderia ser derrotado apenas com força ou poder. Ele precisava ser vencido em seu próprio jogo.

— Vamos observá-lo, — Alrek disse finalmente. — Precisamos entender seus movimentos, ver como ele planeja jogar com o ciclo. E, quando ele achar que tem vantagem, é quando vamos agir.

A mulher olhou para ele, com um misto de admiração e preocupação.

— Você vai usar as mesmas táticas que ele? — ela perguntou, surpresa.

Alrek sorriu levemente, algo que há muito não fazia.

— Às vezes, para proteger o equilíbrio, precisamos usar as próprias armas do inimigo contra ele. Não se trata de enganá-lo, mas de prever suas ações antes que ele possa executá-las. Loki quer jogar um jogo, então vamos jogá-lo. Mas será no meu campo, com minhas regras.

Por um momento, a mulher ficou em silêncio, absorvendo a estratégia de Alrek. Ela sabia que, como guardião do ciclo, ele estava mudado — mais calculista, mais atento aos detalhes que escapavam à maioria. Mas ela também sabia que Alrek ainda carregava algo de sua antiga essência, a determinação de fazer o que fosse necessário para manter o equilíbrio.

— Então vamos esperar por ele, — ela disse finalmente, com um tom de aceitação.

— Sim, — Alrek respondeu. — Mas não de forma passiva. Loki não saberá que o estamos observando. Ele se verá preso em suas próprias armadilhas antes que possa fazer qualquer dano real.

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Enquanto os dias se passavam, Alrek começou a sentir as mudanças sutis no ciclo. Loki não era um ser que atacava de frente, mas as pequenas distorções que surgiam nas linhas do destino indicavam que ele estava se movendo. Almas que deveriam seguir um caminho de crescimento e aprendizado começaram a se desviar para caminhos de conflito e dúvida. A harmonia que Alrek havia estabelecido estava sendo testada, mas ainda não quebrada.

— Ele está brincando, — Alrek murmurou para si mesmo enquanto observava as linhas do destino se entrelaçarem de maneira incomum. — Está testando o quão longe pode ir sem que eu o veja.

Mas Alrek via. Como guardião do ciclo, ele era capaz de detectar até as menores alterações. E, agora, começava a entender o padrão dos movimentos de Loki. Cada ação era calculada para desestabilizar pequenos aspectos do ciclo, acumulando caos em pequenas doses até que fosse tarde demais para detê-lo.

— Ele quer que tudo pareça normal até o último momento, — disse a mulher, que acompanhava as observações de Alrek de perto.

— Sim, — Alrek concordou. — Mas agora eu vejo a estrutura. Ele está tentando manipular as linhas do destino de uma maneira que pareça natural, como se fossem meras escolhas dos mortais. Mas ele subestima a nova ordem. Eu posso ver as sombras em seus movimentos.

Loki estava mexendo com as bases do ciclo, mas ele não havia percebido que Alrek já o havia percebido. Ele esperava que o novo guardião estivesse distraído com a harmonia que criara, mas Alrek estava mais atento do que nunca.

Agora, só faltava uma peça no tabuleiro para o contra-ataque.

— Está na hora de nos movermos, — Alrek disse, levantando-se. — Loki acha que tem vantagem. Ele pensa que está invisível. Vamos dar a ele a ilusão de controle até que seja tarde demais para recuar.

A mulher assentiu, sabendo que a verdadeira batalha contra Loki estava prestes a começar — e que seria um jogo de paciência e precisão.

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