O Coração do Ciclo

O silêncio após a derrota do primeiro era profundo, quase sufocante. A luz das runas em Alrek diminuía, mas ele ainda sentia o poder pulsando sob sua pele, como se estivesse sendo reabastecido pela energia que permeava a torre. Ele havia vencido aquele que falhou em romper o ciclo, mas o eco das palavras do "primeiro" ainda soava em sua mente: O ciclo ainda não está quebrado.

Ao seu lado, a mulher permaneceu em silêncio, observando com cautela enquanto Alrek assimilava o que havia acontecido. Ela parecia tão incerta quanto ele sobre o que viria a seguir.

— O ciclo ainda não acabou, — Alrek murmurou para si mesmo, mais como um lembrete do que como uma afirmação. Ele ainda estava preso, e, apesar de ter derrotado o "primeiro", havia mais mistérios à espreita. Havia mais forças atuando naquele lugar do que ele poderia compreender.

— O que faremos agora? — a mulher perguntou, sua voz baixa, quebrando o silêncio denso da sala. — O que você sentiu?

Alrek hesitou antes de responder, olhando para as runas em seus braços. Ele as sentia de uma forma diferente agora. Não como uma força externa tentando dominá-lo, mas como uma parte de si que ele ainda estava aprendendo a entender.

— Há algo além disso, — ele respondeu finalmente, sem tirar os olhos das runas. — As runas... elas estão conectadas ao ciclo, mas não são o verdadeiro poder por trás dele. Elas são apenas uma chave, e o verdadeiro segredo... ainda está escondido.

A mulher assentiu lentamente, como se estivesse tentando entender a profundidade do que ele dizia.

— Então, onde devemos procurar agora? — ela perguntou, sua voz carregada de preocupação e curiosidade.

Alrek não tinha uma resposta clara, mas algo dentro dele — um instinto que crescia a cada momento desde que acordara neste mundo estranho — o dizia que a torre ainda escondia mais segredos. A batalha com o "primeiro" havia sido uma provação, mas não o fim.

Ele olhou ao redor, e pela primeira vez, percebeu que a sala circular onde estavam não era apenas uma sala de batalha. Havia algo mais ali. Nas paredes, em lugares discretos, símbolos antigos e intricados brilhavam fracamente. Símbolos que pareciam estar esperando por algo... ou alguém.

— Olhe, — ele disse, apontando para as paredes.

A mulher olhou na direção que ele indicava, e seus olhos se arregalaram levemente.

— Esses símbolos... parecem runas, mas... são diferentes.

Alrek caminhou até uma das paredes, observando de perto os símbolos que, embora familiares, pareciam mais antigos e profundos do que as runas em seu corpo. Era como se essas marcas fossem a origem, as raízes de todo o poder que ele sentia.

Ele estendeu a mão para tocar uma das marcas na parede, e assim que seus dedos a tocaram, as runas em seus braços brilharam em resposta. Um calor percorreu seu corpo, e por um breve momento, Alrek sentiu uma conexão intensa com algo maior do que ele.

De repente, o chão sob eles começou a tremer. A torre, silenciosa e imponente até então, pareceu despertar.

— O que você fez? — a mulher perguntou, assustada, olhando ao redor enquanto o tremor ficava mais forte.

Mas Alrek sabia que aquilo era necessário. Ele sentia que, para entender o ciclo, ele precisava acessar o coração da torre — o centro de todo o poder que governava aquele lugar. E as runas estavam mostrando o caminho.

Uma rachadura começou a se formar no chão no centro da sala, e lentamente, uma escada estreita e íngreme se revelou, descendo para as profundezas da torre.

— Esse é o caminho, — Alrek disse, mais certo agora do que nunca. — É para lá que precisamos ir. O coração da torre... e do ciclo, está lá embaixo.

A mulher olhou para ele com uma mistura de medo e esperança.

— E se isso for outra armadilha? — ela perguntou. — Como podemos saber que não estamos caminhando para a morte?

Alrek hesitou por um momento, mas sabia que não havia outra opção. A sensação de urgência crescia dentro dele, como se o tempo estivesse acabando. Cada passo que ele dava o levava mais fundo na verdade daquele mundo.

— Não há outra saída, — ele respondeu, com firmeza. — Temos que continuar. Se quisermos entender o ciclo e encontrar uma maneira de quebrá-lo, precisamos chegar ao seu coração.

Sem mais perguntas, os dois começaram a descer as escadas estreitas e mal iluminadas. A temperatura ao redor deles caiu drasticamente, e o ar ficou mais pesado à medida que desciam mais profundamente. O som de seus passos ecoava pelas paredes de pedra, e o tremor que havia começado com a ativação dos símbolos agora parecia uma pulsação distante, como o bater de um coração gigantesco.

— Há algo lá embaixo, — Alrek murmurou, sentindo o poder crescer à medida que desciam. Algo antigo.

Quando chegaram ao fim da escada, encontraram uma câmara imensa, iluminada apenas pela luz fraca de mais símbolos nas paredes. Mas no centro da sala, flutuando no ar, havia uma esfera de energia pulsante, semelhante àquela que Alrek havia visto antes, mas muito mais intensa. Ela girava lentamente, emitindo uma luz dourada e azulado, como se contivesse todo o poder da torre.

As runas em seus braços começaram a brilhar violentamente, reagindo à presença da esfera.

— Esse é o coração do ciclo, — a mulher sussurrou, seus olhos arregalados diante da cena.

Alrek deu um passo à frente, sentindo a energia pulsar ao seu redor. Ele sabia, instintivamente, que aquilo era o centro de tudo. A torre, as runas, os guardiões... tudo girava em torno daquela esfera de poder.

Mas quando ele se aproximou, a esfera começou a se mover, girando mais rápido e emitindo uma luz mais intensa. Alrek recuou ligeiramente, sentindo o ar ao seu redor vibrar com energia crua.

— Você não está pronto, — uma voz ecoou pela câmara, fria e distante.

Alrek olhou ao redor, tentando encontrar a origem da voz, mas não havia ninguém ali. A voz parecia vir de todos os lados, como se fosse parte do próprio lugar.

— Quem está aí? — ele gritou, seu coração acelerado.

A esfera parou de girar abruptamente, e a luz dentro dela começou a tomar forma. Lentamente, a forma de um homem, envolto em sombras, surgiu no centro da esfera. Seus olhos brilhavam como estrelas distantes, e sua presença era imensa, mesmo sem se mover.

— Eu sou o coração do ciclo, — disse a figura, sua voz ecoando com poder. — Eu sou a fonte de tudo que você viu até agora. As runas, os guardiões, as provações... tudo começou comigo. E tudo terminará comigo.

Alrek sentiu um frio profundo percorrer sua espinha. Ele sabia que estava diante de algo muito maior do que qualquer adversário que já havia enfrentado. Essa figura era a encarnação do ciclo, a própria força que governava aquele mundo.

— Você não é o primeiro a chegar até aqui, — continuou a figura. — Muitos tentaram romper o ciclo. Todos falharam. E você... também falhará.

Alrek apertou os punhos, sentindo as runas pulsarem em resposta à presença da figura.

— Eu não sou como os outros, — ele respondeu, sua voz firme apesar do medo crescente. — Eu vou quebrar o ciclo.

A figura riu, um som profundo e ecoante que encheu a câmara.

— Você pode tentar, Alrek. Mas o ciclo é mais antigo do que você pode imaginar. E você... é apenas mais uma peça nele.

A figura levantou a mão, e a esfera de energia começou a pulsar violentamente, enchendo a sala com uma luz cegante. O chão sob os pés de Alrek tremeu, e ele sentiu a força do ciclo começar a envolvê-lo, como se estivesse tentando esmagá-lo, dobrá-lo à sua vontade.

Mas Alrek não recuou. Ele se concentrou nas runas, sentindo o poder fluir através de seu corpo, e com um grito feroz, avançou em direção à figura, pronto para enfrentar o coração do ciclo.

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