A floresta continuava tão implacável quanto a escuridão que engolia o horizonte. Cada passo que Alrek dava era acompanhado pelo som abafado de folhas secas se partindo sob seus pés, e o vento frio soprava constantemente, como um aviso distante de que algo o observava. As palavras daquele homem misterioso — aquele com o corvo — ainda ecoavam em sua mente. “Você está onde deveria estar.”
Mas onde exatamente isso era? E por que ele, Alrek, ou melhor, Erik, havia sido trazido de volta? Nenhuma dessas perguntas tinha uma resposta clara. E o que ele mais queria agora eram respostas, não mais charadas.
Ele olhou para os braços novamente, as runas brilhando fracamente sob sua pele. Quanto mais olhava para elas, mais sentia que não eram apenas marcas de poder, mas algo que o prendia, que o amarrava a um destino do qual não poderia escapar. O que quer que aquilo significasse, sentia que havia um peso por trás, como se as runas guardassem uma verdade que ele ainda não estava pronto para enfrentar.
A caminhada continuava sem rumo. Ele não sabia para onde estava indo, mas seguir em frente parecia a única opção. O céu cinzento e opressivo acima não oferecia nenhuma noção de tempo. Era como se o dia e a noite fossem indistinguíveis. Sem o sol, sem a lua, Alrek se sentia preso em uma espécie de limbo.
"O que quer que esteja acontecendo, deve haver uma saída," ele pensou, tentando não sucumbir à frustração.
Foi então que o som familiar de passos veio novamente, interrompendo seus pensamentos.
Dessa vez, os passos eram mais apressados. Alrek parou instantaneamente, suas mãos movendo-se instintivamente em direção à adaga que mantinha à cintura. O som estava mais próximo do que antes, e seu coração acelerou, enquanto ele se concentrava, tentando discernir a direção exata.
As árvores ao seu redor pareciam mais fechadas agora, os galhos grossos e retorcidos formando uma barreira quase impenetrável. Alguém — ou algo — o seguia. Mas dessa vez, não era como antes, quando Raven — aquele homem enigmático — o abordara com enigmas. Desta vez, havia um tom de urgência. Algo diferente.
De repente, a figura surgiu entre as árvores.
Era uma mulher.
Ela vinha correndo entre as árvores com uma graça fluida, mas havia uma expressão de medo em seu rosto. Suas vestes eram simples, mas desgastadas, como se estivesse correndo por um longo tempo. Seus cabelos escuros caíam desordenadamente sobre os ombros, e seus olhos estavam arregalados, cheios de pânico. Ela olhou diretamente para Alrek, e por um breve momento, ele sentiu a energia ao redor dela mudar. Havia algo mais por trás daquela aparência comum.
— Ajude-me! — ela gritou, a voz rouca pelo desespero.
Alrek hesitou por um segundo. Ele não conhecia aquela mulher, mas o medo em seus olhos era inegável, e sua voz carregava um desespero que ele não podia ignorar.
— O que está acontecendo? — Alrek perguntou, firmando o cabo da adaga em sua mão enquanto observava ao redor.
Ela tropeçou para mais perto, ofegante. — Eles estão vindo! Você precisa fugir!
— Quem? — ele exigiu, estreitando os olhos. — Fugir de quem?
Antes que ela pudesse responder, o som de passos mais pesados encheu a floresta. Esses eram diferentes. Eram fortes, ritmados, como os de um pequeno exército. Alrek virou-se, com os sentidos em alerta máximo, e percebeu a chegada iminente de algo perigoso.
Das sombras entre as árvores, figuras emergiram.
Homens, ou pelo menos algo parecido com eles. Suas armaduras eram negras como a noite, com espinhos que pareciam crescer dos próprios ossos. Seus olhos brilhavam com uma luz avermelhada e suas mãos seguravam lâminas longas e escuras. Eles não falavam, mas o modo como avançavam mostrava que não estavam ali para conversar.
Alrek se moveu rapidamente, colocando-se entre a mulher e os estranhos seres. Ele não sabia por que, mas algo dentro dele o impulsionava a protegê-la. Talvez fosse seu instinto de guerreiro, ou talvez a visão da vulnerabilidade dela tivesse despertado uma velha parte dele, a parte que acreditava em proteger os indefesos.
— Afaste-se! — ele gritou para os soldados, levantando sua adaga.
Os homens não responderam. Eles apenas continuaram a avançar, seus olhos fixos em Alrek e na mulher atrás dele.
Alrek sabia que com uma adaga simples ele estava em desvantagem, mas ele também sabia que não havia escolha. Ele nunca fora do tipo que recuava de uma luta.
Os primeiros dois soldados avançaram, rápidos e brutais. Alrek se esquivou do golpe de um deles, girando o corpo e desviando a lâmina escura que quase cortou sua garganta. Ele contra-atacou com um movimento rápido, enfiando a adaga no flanco do segundo soldado, mas para sua surpresa, a lâmina apenas ricocheteou, sem fazer qualquer efeito.
Esses não são humanos, pensou ele, sentindo o suor frio escorrer pela sua pele.
Antes que pudesse reagir, um dos soldados o empurrou com força, lançando-o para trás contra uma árvore. O impacto o atordoou, e ele sentiu a dor se espalhar por suas costas.
— Kyaaa! — A mulher gritou, sua voz carregada de terror.
Ele ofegou, tentando recuperar o fôlego, mas quando os soldados avançaram novamente, algo dentro dele mudou. As runas em seus braços começaram a brilhar com mais intensidade. Ele sentiu uma onda de calor pulsar sob sua pele, irradiando de seu corpo como uma força que ele não compreendia completamente.
Instintivamente, ele ergueu os braços, e o brilho das runas se intensificou, quase cegando os soldados que se aproximavam. Antes que ele pudesse entender o que estava acontecendo, um impulso invisível saiu de seu corpo, como uma onda de choque. Os soldados foram jogados para trás, caindo no chão como bonecos de pano, suas armaduras estilhaçadas pelo poder desconhecido que Alrek acabara de liberar.
Ele ficou parado por um momento, ofegante, tentando processar o que havia acabado de acontecer. O brilho das runas começou a diminuir, mas o calor ainda pulsava sob sua pele.
A mulher se aproximou lentamente, os olhos arregalados de surpresa e alívio.
— Você... você os deteve. — ela disse, sua voz cheia de admiração. — Como fez isso?
Alrek balançou a cabeça, ainda confuso.
— Eu... eu não sei. — Ele olhou para seus braços, para as runas agora cintilando fracamente. O que está acontecendo comigo?
Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, o som de passos mais pesados ecoou novamente pela floresta. Mais deles estavam vindo.
A mulher agarrou seu braço, puxando-o com urgência.
— Temos que sair daqui agora! — disse ela, olhando desesperadamente para a escuridão entre as árvores. — Eles não vão parar até nos pegarem!
Alrek ainda estava atordoado pelo que havia acabado de acontecer, mas sabia que ela estava certa. Não havia tempo para pensar. Eles precisavam se mover.
Juntos, começaram a correr pela floresta, com os passos pesados dos soldados sombrios soando cada vez mais próximos. O poder que Alrek havia liberado lhe dava uma vantagem, mas ele não sabia quanto tempo conseguiria manter aquilo.
As runas... elas me protegeram. Mas por quê?
Enquanto corriam, uma coisa era certa: o que quer que estivesse acontecendo, ele havia acabado de se envolver em algo muito maior. E a jornada de Alrek apenas começara.
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Atualizado até capítulo 26
Comments
P S ALVES
Muito bom. Eu estou gostando da história. Vamos continuar.
Estou ansioso para ver ele controlando esse poder.
2024-11-01
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