Os Ecos do Poder

O silêncio da floresta era agora quase insuportável. Alrek ainda olhava para seus braços, as runas brilhando com uma luz suave e pulsante, mas desta vez ele sentia algo diferente. Antes, as marcas pareciam uma força que ele não compreendia, uma energia que o tomava e o deixava à mercê de algo muito maior. Agora, depois do teste imposto pelo misterioso homem encapuzado, Alrek tinha a sensação de que o controle estava, ao menos em parte, em suas mãos.

Mas, mesmo com esse breve momento de clareza, uma verdade amarga continuava a corroer sua mente: ele não sabia quem era aquele homem, e tampouco sabia se poderia confiar nele.

Ao seu lado, a mulher — ainda ofegante e assustada pela sequência dos eventos — olhava para Alrek com cautela. As runas no braço dela permaneciam apagadas, mas agora que ele sabia que ela também estava marcada, algo mudou entre eles. Havia um entendimento implícito, uma conexão forjada por esse poder estranho e desconhecido. Ambos estavam ligados por algo que transcendia o tempo e o espaço.

— O que quer que esteja acontecendo, não podemos ficar aqui, — ela finalmente disse, a voz entrecortada pelo medo e a exaustão.

Alrek assentiu. Mesmo que tivesse conseguido domar o poder das runas por um momento, sabia que aquele não era o fim de suas provações. O homem encapuzado o avisara: esse era apenas o começo.

Sem mais palavras, os dois começaram a caminhar. A floresta à sua volta permanecia densa e sufocante, mas parecia ter recuado, como se a própria natureza estivesse observando com cautela. O chão estava coberto de folhas mortas e a névoa rastejava baixo, tornando difícil ver muito à frente. O frio persistia, e cada passo parecia ecoar mais alto do que o anterior.

O caminho que seguiam parecia não levar a lugar algum. Alrek sentia o tempo escorregar entre seus dedos, uma sensação de que algo os estava observando, esperando o momento certo para atacar. A tensão entre eles era palpável.

— Quem eram aqueles homens? — Alrek quebrou o silêncio, mantendo a voz baixa, mas firme. — Os que nos perseguiam. O que eles querem?

A mulher hesitou antes de responder. Parecia ponderar se deveria ou não contar mais do que já havia revelado.

— Eles... são caçadores, — disse ela, a voz baixa. — Servos de uma força maior, talvez a própria entidade que controla esse lugar. Eles caçam aqueles que, como nós, carregam as runas. Eles acreditam que podemos mudar o ciclo. E por isso, querem nos destruir.

— E você? — Alrek perguntou, a desconfiança evidente. — Você sabe mais do que está contando. O que você é, de verdade?

Ela parou e olhou diretamente para ele, seus olhos fixos e sombrios.

— Sou apenas alguém tentando sobreviver, assim como você. Fui trazida para cá há muito tempo, ou talvez não tanto. Não sei ao certo. O tempo aqui é... estranho. Mas desde então, tenho sido perseguida. Essas runas... elas nos tornaram alvos. Não só dos caçadores, mas de algo muito maior. Algo que quer impedir que mudemos o que está por vir.

Alrek sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Algo muito maior. Ele já suspeitava disso, mas ouvir aquelas palavras reforçava a gravidade da situação. O que quer que estivesse em jogo, não era apenas sua sobrevivência. Era algo que poderia afetar todos os reinos, até mesmo os deuses.

— Se somos tão importantes, por que não há ninguém além daqueles caçadores atrás de nós? — Alrek perguntou, sua voz dura, mas carregada de dúvida. — E quem é esse homem que continua aparecendo? O observador. O que ele quer?

Ela balançou a cabeça.

— Não sei ao certo, mas há forças em jogo que querem nos testar, nos empurrar para algo maior. Esse homem... ele não é como os outros. Ele pode ser um guardião, ou talvez alguém que tenta nos manter no caminho que devemos seguir. O fato é que, enquanto estamos aqui, estamos presos em algo que não podemos controlar.

Antes que Alrek pudesse responder, um barulho interrompeu a conversa.

Um farfalhar entre as árvores.

Ele virou-se rapidamente, sua mão instintivamente indo para a adaga em sua cintura. A mulher também parou, em alerta. Ambos ficaram imóveis, tentando discernir o que estava se aproximando.

O farfalhar continuou, aproximando-se rapidamente. As sombras entre as árvores começaram a se mover, e logo, de dentro da névoa, surgiu uma figura.

Mas dessa vez, não era um soldado sombrio, nem um caçador. Era outra coisa.

A figura tinha a forma de um homem, mas sua pele era translúcida, como se fosse feita de névoa. Seus olhos brilhavam com uma luz dourada, e ele caminhava com uma calma desconcertante. Não carregava nenhuma arma visível, mas sua simples presença irradiava uma sensação de poder.

— Vocês que carregam as runas... — a figura disse, sua voz ecoando de maneira sobrenatural. — Estão entrando no território dos guardiões. Vocês não têm permissão para seguir adiante.

Alrek sentiu as runas em seus braços começarem a brilhar novamente, reagindo à presença da figura.

— Quem é você? — Alrek perguntou, sua voz firme, mas cheia de tensão. — O que quer de nós?

A figura permaneceu impassível.

— Vocês foram marcados, mas o poder que carregam ainda não foi provado. Este lugar é o domínio dos guardiões. Aqueles que buscam desafiar o ciclo devem provar que são dignos. — Seus olhos dourados brilhavam mais intensamente. — Se quiserem sobreviver, devem me enfrentar. Somente os dignos podem continuar.

Alrek apertou o cabo de sua adaga, sentindo a adrenalina correr por seu corpo. Ele sabia que a batalha era inevitável.

— Você diz que somos dignos ou não, mas quem te deu esse poder? — Alrek perguntou, tentando ganhar tempo para avaliar a situação.

A figura avançou lentamente, a luz dourada crescendo ao seu redor.

— O ciclo é mais antigo do que vocês podem compreender. Eu sou apenas um dos muitos guardiões. Aqueles que falham... desaparecem para sempre.

Sem mais palavras, a figura ergueu a mão, e uma onda de energia dourada surgiu de seu corpo, correndo em direção a Alrek e à mulher. Alrek ergueu os braços instintivamente, e as runas em seus braços brilharam intensamente, criando uma barreira invisível que absorveu parte do impacto, mas o jogou para trás com força, fazendo-o bater contra uma árvore.

Ele gemeu de dor, mas não teve tempo de recuperar o fôlego. A figura estava avançando novamente, implacável.

— Fique atrás de mim! — Alrek gritou para a mulher, enquanto se levantava, sua mente girando em busca de uma estratégia.

As runas em seus braços pareciam responder à presença da figura, pulsando mais rápido e queimando em sua pele, como se estivessem tentando comunicar algo. Ele sabia que o poder dentro de si era a única maneira de vencer aquela batalha. Mas como controlá-lo?

Ele se concentrou, fechando os olhos por um momento, tentando sentir o fluxo da energia que percorria seu corpo. As runas brilhavam cada vez mais intensamente, e ele sentiu o calor subindo por seus braços.

Quando abriu os olhos, ele estava pronto.

A figura avançou novamente, lançando outra onda de energia dourada, mas desta vez, Alrek não recuou. Ele ergueu os braços, e as runas brilharam com força, projetando uma onda de energia própria que colidiu com o ataque do guardião.

O choque de forças fez o ar ao redor deles vibrar, e a figura parou, avaliando Alrek com um olhar intrigado.

— Você está aprendendo... — disse o guardião, sua voz mais suave agora.

Mas Alrek não deu tempo para mais palavras. Ele avançou, usando a energia das runas para aumentar sua velocidade e força. Com um movimento rápido, ele desferiu um golpe com a adaga, que brilhou com o poder das runas. A lâmina cortou através da névoa que formava o corpo do guardião, e por um momento, a figura pareceu hesitar.

A luz dourada em seus olhos vacilou, e o guardião recuou, seu corpo começando a se dissolver na névoa.

— Você provou ser digno... por enquanto. — disse o guardião, antes de desaparecer completamente na névoa que o cercava.

O silêncio voltou à floresta, e Alrek ficou parado, ofegante, enquanto as runas em seus braços começavam a se apagar lentamente. Ele olhou para a mulher, que o observava com uma mistura de espanto e respeito.

— **Você... você

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