— Você... você conseguiu. — a mulher disse, com os olhos ainda arregalados, como se não acreditasse no que acabara de testemunhar.
Alrek continuou imóvel, sentindo o calor das runas em seus braços diminuindo gradualmente. O guardião desaparecera, mas as palavras dele ecoavam em sua mente. "Você provou ser digno... por enquanto." Aquilo não era uma vitória definitiva, ele sabia. O guardião havia testado apenas uma fração de seu poder. E mais provações viriam.
Ele olhou para a mulher, ainda tentando recuperar o fôlego.
— Nós não temos tempo, — ele disse, sem tirar os olhos do local onde o guardião havia desaparecido. — Esse foi apenas o início. Há mais à nossa espera.
Ela assentiu, sem dizer nada. Seus olhos, embora ainda carregados de medo, agora também traziam um brilho de esperança. Alrek, com as runas brilhando em seus braços, começava a ser algo mais do que apenas um sobrevivente. Talvez ele fosse a chave para escapar daquela prisão, para romper o ciclo que os prendia ali.
— Você controlou as runas, — ela finalmente disse, enquanto começavam a caminhar novamente pela floresta. — Eu nunca vi alguém fazer isso. A maioria de nós, marcados por esse poder, nunca chega tão longe. As runas são... instáveis, como se quisessem nos consumir.
Alrek apertou os punhos enquanto caminhava.
— Não tenho certeza se realmente as controlei, — ele respondeu, a voz pesada de cansaço. — Elas me dão força, mas sinto como se eu fosse uma ferramenta para algo muito maior. Elas têm vontade própria.
A mulher olhou para ele de soslaio, ponderando suas palavras. Enquanto caminhavam, o silêncio entre eles era interrompido apenas pelos sons sutis da floresta — o farfalhar das folhas, o estalar de galhos sob seus pés. Mas uma tensão invisível pairava no ar, como se algo os estivesse observando a cada momento.
A paisagem ao redor começou a mudar lentamente. As árvores retorcidas e a névoa densa começaram a dar lugar a um terreno mais rochoso e irregular. Grandes formações de pedra surgiam como monumentos antigos, e o caminho se estreitava à medida que avançavam por uma espécie de desfiladeiro.
Alrek parou por um momento, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo profundamente desconcertante naquele lugar.
— Onde estamos indo? — ele perguntou, sua voz reverberando entre as paredes de pedra.
A mulher hesitou antes de responder, como se não tivesse certeza de que deveria revelar tudo de uma vez.
— Existe uma saída, — ela finalmente disse, com a voz trêmula. — Mas não é fácil de alcançar. Ao longo do caminho, há muitos guardiões... e outros como eles. O que enfrentamos agora foi apenas o início.
— O que você quer dizer com saída? — Alrek a interrompeu. — O que exatamente é este lugar? Por que há guardiões nos testando?
Ela parou e olhou diretamente para ele, seus olhos cheios de seriedade.
— Este lugar é uma prisão, — ela disse, com a voz grave. — Mas não uma prisão comum. Estamos presos no que eu acredito ser um ciclo. Não um ciclo de vida e morte como conhecemos, mas um ciclo de testes e provações. Aqueles que carregam as runas foram trazidos aqui por uma razão, mas a maioria não sobrevive. Os guardiões são parte disso, assim como os caçadores. Todos servem a uma força maior que controla tudo.
Alrek sentiu um nó apertar em seu estômago. Um ciclo. Ele pensou no homem encapuzado, nas palavras enigmáticas que ele usava sobre o destino e sobre ser testado. Tudo parecia se encaixar de maneira desconfortável. Ele olhou para a mulher, vendo nela o reflexo de seu próprio medo.
— Quem controla este ciclo? — ele perguntou.
— Eu não sei, — ela respondeu, frustrada. — Mas sei que todos nós fomos trazidos para cá por uma razão. Alguns dizem que é para romper o ciclo, outros acreditam que somos apenas peças em um jogo maior, jogado pelos deuses ou por forças que estão além da nossa compreensão.
Alrek ficou em silêncio, ponderando suas palavras. As runas em seus braços voltaram a pulsar suavemente, como se reagissem à proximidade de algo desconhecido. Ele sabia que o tempo estava se esgotando. Havia algo grande e implacável à espera, e ele precisava estar preparado.
O caminho à frente estreitava-se ainda mais, forçando-os a caminhar lado a lado entre as rochas. A luz estava ficando mais fraca, e o ar ao redor parecia mais pesado, como se o próprio lugar estivesse pressionando seus corpos.
— O que acontece se falharmos? — Alrek perguntou, quebrando o silêncio.
A mulher parou por um instante, olhando para ele com um olhar sombrio.
— Desaparecemos. Para sempre. Aqueles que falham nos testes são simplesmente apagados. Eles não vão para Valhalla, não voltam para seus lares... apenas deixam de existir.
Aquelas palavras caíram sobre Alrek como um golpe. Ele já havia enfrentado a morte uma vez, mas o conceito de desaparecer completamente, sem nenhum rastro, era aterrorizante. As runas em seus braços pareciam apertar sua pele, como se sentissem o medo crescente dentro dele.
Antes que ele pudesse dizer algo, um som ecoou por entre as pedras. Um som profundo e metálico, como se algo imenso estivesse despertando das profundezas. O chão começou a vibrar levemente, e Alrek e a mulher pararam instantaneamente, trocando olhares de alerta.
— Outro guardião? — Alrek perguntou, a mão já indo para sua adaga.
— Não sei, — ela respondeu, com a voz trêmula. — Mas o que quer que seja, está vindo.
O som ficou mais forte, ecoando pelas paredes de pedra, até que de repente, uma grande sombra apareceu à frente deles. A figura, maior do que qualquer coisa que Alrek já havia enfrentado, surgiu das profundezas do desfiladeiro.
Era um gigante, sua pele feita de pedra, e seus olhos brilhavam com uma luz fria e azulada. Ele se ergueu diante deles, bloqueando o caminho, e sua mera presença fazia o ar ao redor vibrar de poder.
— Vocês não são dignos de passar, — a voz do gigante ecoou como trovões entre as rochas. — Apenas aqueles que provarem sua força contra a própria terra podem seguir adiante.
Alrek sentiu o medo o tomar por um breve momento, mas rapidamente o substituiu por determinação. Ele não tinha outra escolha. Se aquele era o teste, ele o enfrentaria.
Ele apertou o cabo da adaga, sentindo as runas em seus braços pulsarem com energia.
— Prepare-se, — ele disse à mulher, sem tirar os olhos do gigante. — Este será o maior teste até agora.
Ela assentiu, seus olhos focados na imensa criatura à sua frente. Alrek respirou fundo, sentindo o calor das runas crescer em seu corpo. O gigante deu um passo à frente, e o chão sob seus pés tremeu.
Alrek sabia que não tinha muito tempo. O poder dentro dele estava crescendo, mas ele precisava controlá-lo, domá-lo da mesma maneira que havia feito com o guardião anterior.
Eu sou mais do que um peão neste jogo, pensou ele, apertando o cabo da adaga com mais força. Eu sou Alrek. E eu quebrarei este ciclo, custe o que custar.
Com um grito de guerra, ele avançou contra o gigante, pronto para enfrentar mais uma batalha contra as forças que o aprisionavam.
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Atualizado até capítulo 26
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