O Eco da Terra

O som dos passos do gigante reverberava pelas paredes do desfiladeiro, cada movimento fazendo o chão tremer sob os pés de Alrek. Ele avançava com a adaga firmemente em suas mãos, sentindo as runas queimarem com intensidade em seus braços. A mulher permaneceu logo atrás dele, observando o gigante com uma mistura de medo e determinação.

A criatura de pedra, imensa e imponente, era um verdadeiro desafio. Seus olhos, frios e brilhantes como gelo, fixaram-se em Alrek enquanto ele se aproximava, sem pressa. O gigante não tinha a pressa ou o desespero de alguém que estava prestes a ser derrotado. Ele era um guardião, um teste vivo. Alrek sabia que vencer essa batalha não seria apenas uma questão de força, mas de estratégia — e controle.

O gigante ergueu seu braço enorme, e o movimento parecia lento, mas a força que ele carregava era inegável. Quando o braço caiu, era como se a própria terra estivesse caindo sobre Alrek.

Ele se jogou para o lado no último momento, rolando pelo chão rochoso enquanto a mão do gigante atingia o solo com um impacto que rachou as pedras ao seu redor. O barulho do impacto ecoou, e poeira subiu no ar.

— Alrek! — a mulher gritou, sua voz carregada de desespero.

Alrek se levantou rapidamente, sentindo o poder das runas ainda pulsando em seus braços. Ele sabia que precisava usar aquilo a seu favor, mas ainda estava aprendendo a controlar aquela energia que parecia tão imprevisível. A cada batida de seu coração, as runas brilhavam mais intensamente, como se respondessem diretamente ao desafio diante dele.

— Mantenha distância! — ele gritou para a mulher, sem desviar os olhos do gigante. "Se ele nos pegar desprevenidos, não teremos chance."

Ela assentiu, recuando para uma distância segura, mas ainda atenta, pronta para ajudar se necessário.

Alrek olhou para suas mãos por um momento, fechando os olhos e tentando sentir o fluxo das runas. Esse poder... ele está dentro de mim. Ele é parte de mim. Quando enfrentara o guardião anterior, ele conseguira acessar esse poder, mas foi algo instintivo, mais reativo do que controlado. Agora, ele precisava se concentrar, precisava fazer mais do que simplesmente se defender.

O gigante avançou novamente, levantando ambos os braços dessa vez, como se fosse esmagar Alrek de uma vez por todas. As pedras sob seus pés tremeram, e Alrek sabia que precisava agir rápido.

Controle, ele pensou. Controle a força.

Quando o gigante desceu seus punhos, Alrek ergueu os braços, e desta vez, ele sentiu a energia fluir diretamente das runas, irradiando por todo o seu corpo. Uma barreira de energia invisível se formou ao seu redor, absorvendo parte do impacto, mas o golpe ainda foi forte o suficiente para jogá-lo para trás, fazendo-o bater contra a parede do desfiladeiro com força.

A dor atravessou seu corpo, mas ele se levantou, ofegante, determinado a continuar.

— Você não vai me parar aqui! — ele gritou, mais para si mesmo do que para o gigante.

O guardião de pedra recuou levemente, como se estivesse ponderando a força que Alrek demonstrara. A luz azulada em seus olhos brilhou mais intensamente, e ele soltou um grunhido profundo que ecoou por todo o desfiladeiro.

— A terra não pode ser derrotada pela força bruta, — a voz do gigante reverberou, tão profunda quanto a própria montanha. — Você deve ser mais do que a força. Deve entender o poder que carrega.

Alrek, ainda recuperando o fôlego, olhou para o gigante, confuso. Mais do que força. Ele já havia enfrentado inimigos formidáveis em sua vida anterior, como Erik, mas este era diferente. Este era um teste da própria natureza. As palavras do gigante ecoavam em sua mente: Entender o poder que carrega.

Ele respirou fundo e olhou para as runas em seus braços. Elas brilhavam intensamente, mas havia algo mais ali. Elas não eram apenas uma fonte de poder, eram um guia, um lembrete de algo maior. Elas são parte de mim. Elas me conectam a algo mais profundo.

Então, uma ideia tomou forma em sua mente.

— A força da terra... não está apenas no ataque. — ele murmurou para si mesmo. Está na paciência. No equilíbrio.

Alrek fechou os olhos e, pela primeira vez, em vez de tentar forçar o poder das runas a emergir, ele se concentrou em senti-las. Ele deixou que a energia fluísse livremente, sem resistência, como um rio que corre suavemente entre as pedras. O calor que antes parecia violento agora era calmante, uma força constante e estabilizadora.

O gigante observou, seus olhos azuis cintilando, mas ele não atacou imediatamente. Talvez estivesse esperando, talvez estivesse avaliando o que estava acontecendo.

Alrek abriu os olhos novamente, e desta vez, ele se sentia diferente. Não era mais uma luta contra o poder. Ele o aceitava, o abraçava.

Quando o gigante ergueu o braço mais uma vez, pronto para esmagar Alrek, ele agiu. Mas ao invés de tentar bloquear o golpe, Alrek usou a energia das runas para deslizar ao redor do ataque, movendo-se com agilidade, como a própria terra que cede para evitar ser destruída. Ele não estava apenas lutando contra o gigante, estava se movendo com a força do mundo ao seu redor.

Com um grito, Alrek canalizou a energia das runas em sua adaga, que começou a brilhar com uma luz dourada intensa. Ele avançou, desviando de outro golpe do gigante, e com um salto ágil, cravou a lâmina na perna da criatura. A luz dourada das runas pulsou pela lâmina, e uma rachadura se espalhou pela perna de pedra do gigante.

O guardião grunhiu de dor, cambaleando para trás enquanto a rachadura se expandia. As pedras que formavam seu corpo começaram a desmoronar, e a luz azul em seus olhos vacilou.

— Você... aprendeu... — a voz do gigante ecoou, mais fraca agora.

Alrek recuou, observando enquanto o gigante se ajoelhava, sua imensa figura se desfazendo lentamente em pedaços de pedra. A luz em seus olhos desapareceu completamente, e, em instantes, o guardião se transformou em nada mais do que uma pilha de rochas espalhadas pelo chão.

Alrek ficou parado, respirando pesadamente. Ele sentiu a energia das runas diminuindo, voltando ao estado de repouso em seus braços. A batalha havia terminado, mas o impacto do que ele havia aprendido ainda reverberava em sua mente. Entender o poder que carrega. Não era apenas sobre força bruta, mas sobre equilíbrio, sobre aceitar e canalizar o poder com sabedoria.

A mulher se aproximou lentamente, cautelosa, mas com uma expressão de respeito renovado.

— Você o derrotou, — ela disse, com um toque de admiração na voz. — Mas não foi apenas com força. Você... conseguiu algo mais.

Alrek olhou para ela, ainda ofegante, mas mais calmo agora.

— Eu finalmente entendi, — ele disse, sua voz firme. — O poder das runas não é apenas um fardo. É uma parte de mim, e eu posso controlá-lo se eu aprender a me conectar com ele.

Ela assentiu, seus olhos ainda fixos nas pedras que restavam do gigante.

— Talvez você seja o único que pode quebrar o ciclo, — ela murmurou, mais para si mesma do que para ele.

Alrek olhou para as pedras ao seu redor, sentindo o peso das palavras dela. Ele sabia que havia muito mais pela frente, mas essa batalha lhe ensinara uma lição importante: não era apenas sobre sobreviver, mas sobre crescer, aceitar e dominar o que ele era agora.

Sem mais palavras, os dois começaram a caminhar novamente. A jornada continuava, mas agora, Alrek carregava um novo entendimento — e uma nova força.

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Comments

P S ALVES

P S ALVES

Muito bom até aqui. Vamos ver o que aguarda nosso mano Alrek pela frente.

2024-11-01

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