salvos

O som distante das sirenes e o cheiro acre de fumaça já anunciavam que algo terrível havia acontecido. Quando cheguei ao local, as chamas ainda lambiam os restos do carro destruído, lançando uma luz trêmula e avermelhada no ar. Meu peito se apertou ao ver a cena, e um nó se formou na garganta. Como eu daria essa notícia para Fernanda? Como explicaria que seus pais poderiam ter sido alvo de um atentado, que a intenção era que morressem ali mesmo?

A devastação era evidente. Com o carro carbonizado à minha frente, a possibilidade de sobreviventes parecia mínima. Eu precisava de respostas rápidas e, ao mesmo tempo, pensava em como evitar que Fernanda soubesse de tudo através das notícias.

— Don, não esperava vê-lo por aqui — disse o delegado, surgindo do meio dos policiais e bombeiros que trabalhavam freneticamente.

— Quero essa área completamente isolada e longe dos repórteres. Não deixem que as câmeras capturem mais do que já foi mostrado — respondi, olhando para os cinegrafistas e jornalistas que se acumulavam atrás das barreiras policiais.

— Esse carro pertence aos meus sogros. Houve alguma vítima fatal? — perguntei com uma urgência que não consegui esconder.

O delegado hesitou por um instante, então respondeu:

— Sim, os seguranças estavam no carro, mas conseguiram saltar a tempo. Seus sogros sobreviveram, embora estejam feridos. Seu sogro quebrou a perna, e ambos sofreram algumas escoriações, mas escaparam com vida.

Um alívio inesperado percorreu meu corpo, mas logo a tensão retornou. Onde eles estavam? Precisava vê-los, garantir que estavam fora de perigo. Olhei para o lado e vi as câmeras apontadas em minha direção. Se Fernanda estivesse assistindo ao noticiário, ela já deveria estar desesperada.

— Caio, leve Lara para casa. Fique de olho em minha esposa e na sua noiva, e me aguardem lá. Vou falar com os sogros e assim que estiver tudo resolvido, levá-los-ei para nossa casa — ordenei rapidamente, enquanto ele assentia e se afastava.

— Organizem tudo e não deixem rastros de uma tentativa de assassinato aqui — falei para o delegado, que saiu para dar as instruções necessárias.

Avancei em direção à ambulância onde meus sogros estavam sendo atendidos. Meu sogro tinha a perna engessada e minha sogra estava com alguns curativos na cabeça. Seus rostos estavam marcados por arranhões e uma preocupação profunda.

— Luigi, graças ao seu aviso conseguimos sobreviver. Perdemos dois soldados, mas nossa filha não ficará sem pai — disse meu sogro, lembrando da angústia que o afligia por não querer que sua filha fosse parar sob a tutela do irmão.

— Vamos ao hospital. Vão cuidar de vocês — respondi, enquanto meu celular tocava. Eu sabia que Fernanda tinha visto o noticiário. Ela sempre checava o celular nos piores momentos.

— Oi, amor — falei tentando soar calmo.

— Luigi, quem morreu? — ela perguntou com a voz trêmula e cheia de lágrimas.

— Ninguém morreu, amor — respondi, usando o tom mais suave que pude.

— Mentira. É o carro dos meus pais, eu vi! — ela insistiu, quase desesperada.

— Amor, eu não minto. Se fosse algo grave, eu já estaria aí com você. Os seus pais estão bem. Assim que terminarem os procedimentos no hospital, virão para casa. Lara está a caminho também, então não se preocupe — pedi, tentando tranquilizá-la.

— Tudo bem... Só não demore. Não suporto essa imagem do carro deles explodindo. Se a Augusta me oferecer mais um calmante, juro que vou surtar — disse ela, meio dramática como sempre.

— Passa para a Augusta, por favor. Ela só está cuidando de você — pedi, e logo Augusta atendeu.

— Augusta, mantenha Fernanda calma e prepare dois quartos de hóspedes. Meus sogros e Lara vão ficar com a gente por um tempo — instruí, e depois desliguei, focando em encerrar toda a bagunça no local.

O médico se aproximou e disse que levariam meus sogros ao hospital para fazer exames mais detalhados. Pedi a dois soldados que os acompanhassem e os trouxessem direto para a nossa casa após a liberação.

Fernanda...

Eu sabia que Luigi não mentia, e tudo o que ele disse fazia sentido. Se algo terrível tivesse acontecido, ele já estaria ao meu lado. Tentei manter a calma e ser racional, mas ao ver Caio entrando com minha irmã, comecei a chorar novamente, tomada pela preocupação.

— Fernanda, calma. Vai dar tudo certo — disse Lara, me abraçando. Eu me sentia uma idiota, amaldiçoando os hormônios que me deixavam assim, tão emotiva.

— Eu sei... Confio no Luigi e no Caio. Está com fome? Vem comer alguma coisa comigo — sugeri, puxando-a para a mesa. Ela se sentou ao meu lado, enquanto Caio permanecia de pé, de olho no celular.

— O que aconteceu exatamente? — perguntei baixinho para Lara.

— Seu sogro estava lá na saída quando eu estava indo para a faculdade. Ele acenou e disse adeus. Tenho certeza de que essa explosão tem algo a ver com ele — respondeu ela, com uma expressão assustada.

Antes que eu pudesse perguntar mais, Luigi entrou na sala.

— Seus pais estão bem, eu já te disse para não se preocupar — ele falou com uma firmeza tranquilizadora. Fui levantar para abraçá-lo, mas ele me beijou na testa e me segurou pelo ombro, pedindo que ficasse sentada.

— Vamos comer e vou te explicar tudo com calma — continuou, e eu fiquei em silêncio, ansiosa pelo que viria a seguir.

— Meu pai pediu uma reunião com alguns associados, e eu aceitei pensando que ele teria caído em si depois do encontro no shopping. Mas ele tentou me matar. Tive que matá-lo primeiro. Antes disso, ele mencionou que eu perderia você, e falou sobre a bomba. Seus pais vinham para cá, e ele queria que o carro explodisse assim que parasse. Eles conseguiram saltar a tempo e estão fora de perigo, sendo tratados no hospital. A ordem é trazê-los direto para cá assim que tiverem alta. O perigo acabou, bambina. Liliane será eliminada, mas não terá chance de chegar perto de nós, não agora. Então, teremos hóspedes por um tempo. Se você se sentir sobrecarregada, posso mandar seus pais para a casa de campo. Sua saúde é minha prioridade — ele explicou com firmeza.

Eu assenti, percebendo que discutir naquele momento seria inútil. Por ora, minha preocupação era apenas com a segurança de todos.

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Comments

Andréa Debossan

Andréa Debossan

tbm acho, ela quer dinheiro, vai tentar sequestrar a Fernanda ou fazer coisa pior porque tem alguém da mafia do lado dela, ela não ia conseguir fazer td sozinha como a falsificação do teste de gravidez

2025-03-15

1

Márcia Jungken

Márcia Jungken

essa vagaba da Liliane ainda pode aprontar algo contra eles 🤔🤔🤔

2025-03-11

0

Arlete Fernandes

Arlete Fernandes

Não vejo a ora deles pegarem ela e dar o que ela merece infeliz!!

2025-03-08

0

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