Estava no sofá enquanto a enfermeira cuidava de Fernanda, administrando o soro e a medicação pela veia. Seus gemidos suaves e inquietos indicavam que ela estava começando a despertar, então me aproximei para tranquilizá-la. No entanto, a fúria nos olhos dela ao abrir os olhos era como uma tempestade.
— Onde estou? — perguntou, claramente desconfortável, sua aversão à escuridão e à surpresa à flor da pele.
— Você passou mal, estava desidratada e teve uma febre alta. O médico já te atendeu e você está no meu quarto. Seu cabelo está molhado porque eu... precisei te dar um banho — expliquei, tentando suavizar a tensão.
— Você me deixou presa, sem poder sair, deixando seus soldados brutamontes me humilharem. Queria que eu implorasse por socorro, mas eu te pedi a morte, e isso você não me deu. Mas eu te digo, Don, não terá o meu amor — ela disparou, a indignação transparecendo em cada palavra.
Aquelas palavras cortaram como uma faca, mas eu não deixei a raiva dominar.
— Sabe, Fernanda, eu não pedi por isso. Você se precipitou ao atirar em mim. Eu te salvei da morte, o que te faz pensar que eu quero seu mal? — argumentei, tentando estabelecer um entendimento entre nós. — Sei que não vamos nos amar, mas também não temos escapatória. Vamos tentar nos dar bem. Posso te abrir algumas regalias, deixar você voltar para a faculdade e te dar um voto de confiança.
Ela me lançou um olhar desconfiado, avaliando minhas intenções.
— Não preciso da sua piedade. Entenda que não pode me forçar a nada. Você poderia ter me conquistado do jeito certo — reclamou, sua voz firme.
— E você me deu essa chance? — rebati, e ela hesitou, como se estivesse considerando a possibilidade.
— Sua fama precede meu bem, mas talvez possamos chegar a um acordo de paz — sugeriu, sentando-se. Eu me aproximei, atraído pela ideia de um entendimento entre nós.
— Que tal uma pausa até um dia antes do casamento? Se nada mudar, podemos pensar em desistir — propus, esperançoso.
— Posso voltar para a casa dos meus pais? — perguntou, a esperança visível em seus olhos.
— Não, você ficará aqui por duas semanas. Não confio totalmente em você — respondi, e embora ela cruzasse os braços em descontentamento, a resignação em seu suspiro indicava que ela aceitava.
— Por que estou sem roupa? — indagou, e não consegui evitar um sorriso.
— Você estava suja e com febre. Tive que te dar um banho, mas não tive segundas intenções, eu juro — respondi, e ela soltou uma risada que iluminou o ambiente.
Fernanda...
Quando despertei, estava em uma cama macia, em um quarto lindo. O soro no meu braço me lembrava que Luigi tinha se preocupado comigo. Quando ele “propôs” um acordo de paz, senti um misto de alívio e esperança. Aceitar a oferta me daria tempo para pensar nas nossas possibilidades.
— Podemos ir à minha casa buscar algumas coisas e meu celular? — perguntei, e ele assentiu.
— Roupas, sim. O celular, ainda não. Vou te levar à faculdade para você trancar seu curso. Por enquanto, não confio em você — respondeu, e concordei, animada com a ideia de ver minha família.
— Assim que sua medicação acabar, vou te ajudar a levantar. Você pode tomar um banho como quiser. Há alguns produtos que a empregada trouxe, e meu soldado comprou algumas coisas de higiene. Depois, pedirei para que tragam sua janta — disse ele, e eu concordei.
— Não quero jantar aqui. Preciso ver pessoas, e não tenho outra roupa. Vou usar sua camisa, que mais parece um vestido — brinquei, e ele pegou o telefone.
— Caio, preciso que peça a algum dos soldados que vá a uma loja de roupas e compre algo para Fernanda. Pode ser um conjunto de moletom, algo que esconda bem o corpo dela — ordenou, e eu ri da situação.
Quando ele desligou, Luigi estendeu a mão, e com dificuldade, consegui me levantar. Caminhei até o banheiro, onde sentei em um banquinho. Enquanto ele enchia a banheira, tirei minha roupa, decidida a aproveitar o momento. Se era um teste, eu iria fazer direito.
A espuma e a água quente eram um alívio. Os produtos eram deliciosos, e passei quase uma hora lá, esquecendo por um momento tudo o que havia acontecido. Quando saí, sentia-me renovada, pronta para o jantar com ele e sua família, mesmo que um pouco constrangida.
— Seu soldado tem um bom gosto, serviu direitinho — comentei ao me olhar no espelho, notando que a lingerie também havia sido escolhida com cuidado. — Isso é bizarro — ri.
— É um comentário inocente, não mate ninguém, por favor — brinquei, mas vi que ele não estava se divertindo e saiu do quarto, parecendo bravo.
Fiquei apreensiva em descer sozinha, mas a decisão de me libertar daquele medo falou mais alto. Com um misto de coragem e ansiedade, desci para encontrar o desconhecido, pronta para enfrentar o que quer que estivesse por vir.
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Atualizado até capítulo 31
Comments
Andréa Debossan
Ela é muito birrenta, conversando que se entende, mais ao invés de conversar faz birra e foge aí só se ferra
2025-03-15
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Arlete Fernandes
Bem ela tbm tem que ceder para a coisa andar senão é só conflito e desgaste!
2025-03-07
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Marli Batista
É mesmo não perguntou se a família estava bem ou ja tinha morrido aff 😡😡😡
2025-01-31
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