Acordada

O quarto estava escuro e frio, e um som agudo e contínuo ecoava na minha cabeça, trazendo-me de volta à realidade. Aos poucos, as memórias retornavam: um tiro? Uma gravidez? Lili com uma arma apontada para mim... Minha mente tentava dar ordens, mas meu corpo não respondia. Eu queria abrir os olhos, acender a luz, fazer qualquer coisa.

— Luigi! Veste-se rápido, o coração da Fernanda parou! — Caio gritou ao meu lado. Meu pai havia saído de casa, e eu só tinha vindo tomar um banho. Agora, essa notícia me tirava o chão. Corri para o hospital sem pensar duas vezes, vestindo qualquer coisa que encontrei. Ao chegar, vi a família dela na recepção, mas não tinha como lidar com eles agora. Segui direto para o quarto, e embora médicos e enfermeiros tentassem me impedir, eu os ignorei. Quando cheguei, um lençol cobria seu corpo. Não, eu não podia aceitar isso. Não podia deixá-la morrer. Movido por um desespero avassalador, comecei a fazer massagem cardíaca.

— Não me deixa, eu não permito isso. Acorda, bambina, acorda, minha mafiosa — implorei enquanto continuava a compressão. Pessoas se aglomeravam na sala, sussurrando:

— Ele não vai conseguir... — Ela já faleceu há mais de 20 minutos... — Que sofrimento...

— Saiam todos! — gritei, e o médico ficou. Ele tentou me convencer a parar:

— Luigi, vem comigo, vai...

— Você desistiria? — retruquei, meu tom desesperado.

Ele hesitou por um momento, mas recuou, compreendendo que eu precisava tentar. Permaneci fazendo as compressões até minhas forças se esgotarem. Quando finalmente parei, exausto e perdido, um apito ecoou na sala. Olhei para o médico, que estava em choque. Ele se aproximou rapidamente.

— Temos sinais vitais! Enfermeiros! — chamou, e a sala logo se encheu de pessoas. Quando vi seus olhos se abrirem, caí de joelhos. Não era religioso, mas naquele momento, senti uma gratidão profunda. Deus havia me devolvido minha esposa.

Desta vez, não saí do quarto. Caio ficou ao meu lado o tempo todo, enquanto Fernanda mantinha os olhos fixos nos meus. Após alguns exames, o médico confirmou que não havia sequelas. Ela poderia ter alguma perda de memória, mas não havia sinal de danos graves.

— Amor? — perguntei com a voz trêmula, limpando minhas lágrimas.

— Você me salvou? — ela perguntou, com um tom de voz que indicava que não tinha esquecido de nada.

— Sim, você levou um tiro. Me desculpe, bambina — falei, acariciando seu rosto. Chamei Caio para deixar a família dela entrar, mas avisei que não sairia do quarto. Caio me chamou de canto, e percebi que algo sério havia acontecido.

— Bambina, vou ali fora atender o celular e já volto — falei. Fernanda estava estranhamente calma, sem os traços de sua personalidade ousada e desbocada. O médico havia mencionado que isso poderia ser temporário, parte do processo de recuperação.

Ao encontrar Caio na porta, perguntei:

— O que aconteceu?

— Ela fugiu. Nosso pai a tirou de lá. Provavelmente estão escondidos em algum lugar. Não sei se ele está obcecado com a ideia de ter outro filho, ou se realmente sente algo por ela... Não sei o que pensar — ele disse, com a voz cheia de incerteza.

— Peça aos soldados que os encontrem. Quero os dois no galpão quando eu chegar. Minha prioridade é a Fernanda, então dobre a vigilância na mansão. Faça uma varredura em todos os homens. Qualquer um que tenha ligação com ela ou contato direto com o nosso pai é um risco — ordenei e voltei para dentro.

Quando a família de Fernanda foi embora, fiquei ao lado dela, acompanhando cada troca de curativo e a administração de medicamentos. Perguntei sobre o nome e a finalidade de cada remédio. Quando ela adormeceu, deitei ao seu lado e descansei um pouco.

Uma semana depois, voltamos para casa. Embora ainda precisasse de cuidados extremos, ela foi liberada. O paradeiro do meu pai continuava desconhecido, mas ele me ligou. Disse que havia se casado com Liliane e, por lei, ela agora teria direitos como minha madrasta, e o bebê, herança igual à minha e de Caio. Ele afirmou estar voltando, e fui forçado a vê-lo como um traidor.

— Então é isso? Nosso pai virou traidor? — Caio perguntou, confuso.

— Parece que sim. Não falaremos nada sobre isso perto da Fernanda. Você notou como ela está calma e doce, certo? Não quero preocupá-la agora. Vamos continuar procurando por eles. Se aparecerem aqui, a ordem é prendê-los, ambos. E tenha cuidado, sua noiva é uma Montini, e nosso pai tem raiva dessa família — falei, e ele assentiu.

Voltei ao quarto para ver se Fernanda precisava de algo e me senti aliviado ao encontrá-la em paz. O mundo podia estar ruindo ao meu redor, mas naquele momento, tudo que eu queria era cuidar dela. Nada mais importava.

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Comments

Andréa Debossan

Andréa Debossan

eu não estou entendendo o Caio disse que o pai tem raiva da família da Fernanda. Mais não foi ele que arrumou esse casamento ppor ser muito amigo do pai dela? Acho que perdi alguma coisa

2025-03-15

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Arlete Fernandes

Arlete Fernandes

A víbora quer ele e não o pai! Idiota mesmo vai se ferrar com essa louca!

2025-03-08

0

Cleise Moura

Cleise Moura

Já estou amando essa estória!

2025-03-27

0

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