Eu atirei no futuro Don da Itália. Santo Deus, o que eu fiz? Meu coração batia como um tambor desgovernado enquanto eu corria pelos corredores da faculdade. As paredes pareciam se fechar ao meu redor, e o som de passos ecoava mais alto do que os gritos desesperados na minha mente. Eu precisava fugir, desaparecer antes que a fúria deles me alcançasse. Mas tudo o que conseguia pensar era que, a essa altura, minha família já estava marcada. Eles pagariam pelo meu erro. Não havia como voltar atrás.
Saí por uma porta lateral, tropeçando nas pernas que pareciam de borracha. Lá fora, avistei um táxi parado e corri para ele como se fosse minha única chance de sobrevivência.
— Para o aeroporto, por favor — pedi ao motorista, tentando manter a voz firme. Mas minha cabeça estava a mil. Como eu ia sair do país sem meus documentos? Fiquei me martirizando pelo erro de ter deixado a bolsa no armário.
O táxi seguiu viagem, e eu mal conseguia respirar.
— Está tudo bem, senhorita? — perguntou o motorista, notando meu estado.
— Ah, sim, só... dias ruins na faculdade — respondi com um sorriso forçado. O aperto no peito aumentava a cada quilômetro que o carro percorria.
Sem dinheiro, sem documentos, sem saída. Quando o táxi parou na próxima cidade, usei os últimos euros que tinha para pagar a corrida e segui a pé para um hotel. Entrei e tentei parecer calma.
— Boa noite. Preciso de um quarto para uma noite. Esqueci meus documentos em casa, mas estou aqui para um trabalho da faculdade e não consigo voltar agora — improvisei para a recepcionista. Ela me olhou de cima a baixo, como se desconfiasse de cada palavra, mas acenou com a cabeça. Agradeci e fui para o quarto, sentindo as pernas cederem ao passar pela porta.
Sozinha ali, o pânico tomou conta. Se eles me encontrassem, eu sabia que a morte não viria rápido. Liguei para Leandra, minha única amiga que talvez pudesse me ajudar.
— O que você fez, sua louca? — ela gritou ao atender. — Há homens de terno por toda parte, procurando por você! Você atirou no Luigi?
— Leandra, por favor, só me escuta. Preciso que pegue minha carteira no meu armário. Não consegui levar nada. — Minha voz saiu trêmula, quase suplicante.
Ela ficou em silêncio, e só ouvia os ecos de gritos e vozes masculinas ao fundo.
— Está bem. Me diz onde você está, eu vou te encontrar — respondeu, e eu quase chorei de alívio.
Esperei na recepção do hotel, rezando para que Leandra chegasse antes de qualquer outra pessoa. Quando o telefone do hotel tocou, a recepcionista me entregou o aparelho com um olhar curioso. Era Leandra de novo.
— Fernanda, você não vai acreditar. Está um caos por aqui, eles estão desesperados atrás de você. Dizem que o submundo nunca viu algo assim — ela sussurrou.
Desliguei rapidamente, fingindo uma risada forçada para despistar a recepcionista. No quarto, a realidade me atingiu como uma onda. Se eles me pegassem, eu sabia que não haveria misericórdia. Meus pais, minha irmã... todos pagariam.
Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, Leandra finalmente chegou ao ponto de encontro. Trouxe minha bolsa, mas estava tão nervosa que esqueceu minha carteira no carro. Por sorte, consegui encontrar meus documentos e algum dinheiro dentro dela. Essa noite seria a última chance de desaparecer de vez.
Uma semana depois...
Me refugiei em uma cidadezinha no interior. Aluguei um quarto em um pequeno apartamento, tentando ao máximo não chamar a atenção. Os poucos trocados que restavam foram gastos em transporte, e quebrei todos os cartões de crédito. A menina que dividia o apartamento comigo sugeriu que eu tentasse trabalhar na lanchonete onde ela era atendente. Não era um plano brilhante, mas eu precisava sobreviver.
No meu primeiro dia, a paranoia tomou conta de mim. Quando alguns homens de terno entraram, quase saí correndo pela porta dos fundos. Me forcei a respirar fundo e caminhei para fora, em direção à saída de emergência. Mas antes que pudesse abrir a porta, uma mão forte me puxou para dentro de um carro. Mal tive tempo de gritar antes que me apagassem com um lenço embebido em alguma substância.
Acordei amarrada em uma cadeira, o corpo dolorido. Estava escuro, e meu medo crescia a cada segundo. Um pavor profundo do escuro me dominava, algo que eu nunca tinha contado a ninguém. Não sabia onde estava, mas sentia o cheiro de mofo e a frieza do ambiente.
— Você é corajosa. Atirar no Luigi a sangue-frio... nem eu esperava isso — uma voz familiar soou das sombras. O pai dele. Fiquei em silêncio, mordendo os lábios para não gritar.
— Seus pais pagarão o preço junto com você. Vocês traíram a honra da família. — A voz dele era fria, sem emoção, como se estivesse apenas narrando uma sentença. Quando saiu, deixou-me sozinha no escuro, trêmula e desesperada.
Adormeci por exaustão, mas despertei ao ouvir a porta rangendo. Era ele, Luigi. Eu o vi se aproximar, a expressão dura no rosto, como uma estátua esculpida pela raiva.
Ele não morreu, mas eu... eu estou tão perdida que talvez deseje que ele me mate logo.
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Atualizado até capítulo 31
Comments
Andréa Debossan
Tá é louco por ela, quanto mais ela foge mais doido por ela ele fica/Joyful//Joyful//Joyful//Joyful//Joyful/
2025-03-15
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Cleise Moura
Vão pagar porra nenhuma quanto mais ela foge mais o Luigi enlouquece por ela
2025-03-26
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Arlete Fernandes
Ela não devia ter fugido só piorou sua situação!! E agora ele está no veneno!
2025-03-07
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