Nova pessoa

Sair de uma experiência de quase-morte deixou marcas profundas em mim. Se não fosse pela insistência de Luigi, eu não estaria aqui. É assustador pensar que um tiro tirou minha vida e que foi ele quem me trouxe de volta. Algo dentro de mim mudou; sei que o filho que ela espera é do sogro, e não de Luigi. Com isso, fica claro para mim que meu sogro, com todo o dinheiro e conexões que possui, está apaixonado por ela e disposto a fazer qualquer coisa para protegê-la, mesmo que isso signifique trair a própria família. O medo se mistura à cautela, e percebo que preciso ser cuidadosa.

— Amor, quer descer para o jardim? — Luigi se aproximou com um tom calmo.

— Prefiro ficar aqui... Você vai voltar tarde? — perguntei, sentindo a tensão em cada palavra.

— Não, vou ficar. Não se preocupe — respondeu ele, me beijando suavemente.

— Ouvi a conversa sobre o seu pai. Estava entrando no escritório e acabei ouvindo tudo... Ela está grávida do seu pai? — perguntei, enquanto ele me ajudava a sentar.

— Não quero que se preocupe com isso, bambina. Sim, ela disse que o filho é dele, e meu pai foi estúpido o suficiente para transar com ela sem proteção. Mas pode ser de qualquer um dos outros homens com quem ela se envolveu. Pelo que vejo, ele está obcecado por ela, ou talvez pela ideia de ter outro filho. Cometeu a loucura de casar com ela, mas não importa. Eles não vão chegar perto daqui. Por ter se aliado a quem tentou te matar, meu pai é agora considerado um traidor. Você está protegida, não há nada com que se preocupar — ele finalizou, com firmeza na voz.

Olhei para ele, percebendo que Luigi nunca tentaria me esconder a verdade. A antiga Fernanda enfrentaria a situação de cabeça erguida, gritava, exigia justiça, mas tudo que eu conseguia pensar agora era em não perder minha vida de novo.

— Tudo bem, confio em você — respondi, deitando a cabeça em seu colo. O ombro ainda doía de vez em quando, mas essa posição ajudava a aliviar.

Dois dias depois, Luigi precisou ir à empresa. Senti-me um pouco mais forte e decidi visitar minha mãe e minha irmã. Sentia falta delas, e Luigi havia garantido que eu não corria riscos.

Passei uma manhã agradável com minha família, rindo com minha irmã enquanto minha mãe me repreendia com seu jeito protetor de sempre.

— Já são 11 horas, acho que vou surpreender o Luigi na empresa e almoçar com ele — anunciei, me despedindo e seguindo para o carro.

Ao chegar na empresa, percebi os olhares curiosos e os sussurros. Algumas pessoas achavam que eu tinha morrido, outras me olhavam com desdém por causa dos boatos. Não me deixei abalar. Subi no elevador e, ao ser anunciada pela secretária, Luigi logo veio ao meu encontro, com uma expressão de preocupação.

— Amor, você está bem? — perguntou ele, me puxando gentilmente para dentro do escritório.

— Sim, só queria fazer uma surpresa e almoçar com você. Fiz mal? — questionei, notando que ele parecia surpreso com minha atitude.

Luigi...

Meu pai está na cidade. Ainda não apareceu, mas eu sabia que ele estava por perto. Com Liliane grávida, eu não agiria precipitadamente. Fernanda parecia estar melhorando a cada dia, mas sua mudança para um comportamento tão pacífico e calmo estava me deixando apreensivo. Eu entendia que o trauma e o episódio de quase-morte mexeram profundamente com ela, e, como o médico sugeriu, estava sendo paciente e amoroso. O importante era mantê-la longe de qualquer perigo.

Quando Fernanda decidiu visitar a mãe, achei uma excelente ideia. Nos últimos dias, foram noites em que ela se trancava no quarto, acordando assustada de pesadelos. Ver que ela estava melhor me deu um pouco de paz, e voltei ao trabalho mais tranquilo.

Quando minha secretária me avisou que Fernanda estava no prédio, meu coração acelerou. Abri a porta preocupado e a encontrei ali, com um sorriso doce, dizendo que queria almoçar comigo.

— Não, amor, não fez mal. Vem, vamos para o meu escritório. Só vou assinar alguns papéis e já saímos — respondi, tentando não parecer nervoso.

Nesse momento, Caio entrou correndo na sala.

— Você não vai acreditar na cara de pau do nosso pai e... — Ele parou abruptamente ao ver Fernanda.

— Oi, cunhada, tudo bem? — disfarçou ele, rapidamente.

— Sim, vim convidar seu irmão para almoçar. Vamos? — ela disse, simpática.

— Não, obrigado. Combinei de levar sua irmã para resolver umas coisas, mas bom almoço para vocês. Falo com ele depois — respondeu Caio, tentando manter a naturalidade.

— Se quiser, eu saio. Sei que o assunto do pai de vocês é complicado... — ela sugeriu, olhando para nós.

— Não, está tudo bem. Conversaremos à tarde. Vamos almoçar, amor — falei, dando uma olhada significativa para Caio e deixando claro que queria saber mais tarde o que ele sabia.

Enviei uma mensagem para Caio pedindo detalhes e, ao ler sua resposta, a raiva tomou conta de mim.

Mais populares

Comments

Andréa Debossan

Andréa Debossan

Como diz os jovens, tá ligado que esse filho não é dele né? Vai se estrepar e se tornar o chiifrudo da vez

2025-03-15

0

Arlete Fernandes

Arlete Fernandes

O vc que o coelho aprontou ou vai aprontar esse filho não é dele kkkkk

2025-03-08

0

Cleise Moura

Cleise Moura

Esse velho corno vai se lascar rapidinho esse filho não é dele

2025-03-27

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!