Ayla Thompson.
Após a sobremesa, fomos embora para casa. Durante todo o caminho, fiquei em silêncio, observando o trajeto até o apartamento, enquanto minha mãe e Heitor conversavam sobre trabalho.
Assim que chegamos, todos se despediram e subimos para os quartos. Tomei um banho relaxante, hidratei minha pele, escovei os dentes, vesti um baby doll branco com rendas, passei um perfume noturno e me joguei na cama.
Peguei meu celular e meus fones de ouvido que estavam ao lado. Coloquei os fones, desbloqueei o celular e entrei no aplicativo de música, colocando uma playlist aleatória.
Uma notificação de mensagem apareceu, era Bella.
Bella: Oi Ayla, tudo bem? Pedi seu número para o meu irmão, espero que não se incomode!
— Oi Bella, tô bem e você? Não tem problema não, eu ia pedir mesmo seu número para ele.
Bella: Eu tô bem! O que achou da noite de ontem?
— Foi divertida, mas a ressaca hoje de manhã tava brava.
Bella: Hahah, você bebeu muito.
— Você também, não sei como você estava de boa.
Bella: Gosto de uma boa bebida, então estou mais acostumada. Você não é muito de beber, né?
— Não, quando eu morava com o meu pai era raro eu sair assim ou beber.
Bella: Caso você queira, podemos fazer isso ou outras coisas mais vezes.
— Eu irei adorar!
Ficamos conversando até Bella dizer que iria dormir. A música já estava fazendo minha cabeça latejar, então resolvi desligar.
Apaguei a tela do celular e fechei os olhos, respirando fundo e relaxando no colchão macio.
Escutei um gemido vindo do quarto da minha mãe. Abri os olhos, sentei na cama, passei a mão no rosto e respirei fundo, soltando o ar logo em seguida.
"— O que será que ele faz com a língua? Por que pensar neles dois juntos me incomoda tanto?"
Balanço a cabeça tentando afastar esses pensamentos perturbadores. Eles insistiam em vir me atormentar até na hora de dormir. "Isso vai passar", digo a mim mesma, embora duvidasse disso. O que faria se não passasse?
Saí do quarto, desci as escadas, fui até o bar que ficava na sala e peguei uma garrafa de whisky. Fui para a sacada, sentei no sofá e abri a garrafa, bebendo um grande gole.
A bebida desceu queimando minha garganta. Deitei no sofá ainda segurando a garrafa, observando o brilho da lua e das estrelas.
Não sei quanto tempo fiquei ali, só sei que acordei com alguém acariciando meu rosto. Pelo cheiro, sabia que era ele. Seus dedos deslizavam suavemente em minhas bochechas.
Abri os olhos e o encarei profundamente, seus olhos azuis como o mar, um olhar penetrante e lindo.
— Heitor.
Heitor: Você dormiu — ele disse, parando de acariciar minha bochecha e se afastando.
Levantei-me, sentando no sofá, e passei a mão no rosto. O vento frio serpenteava o ar, causando arrepios.
Olhei para Heitor que me encarava com a mesma intensidade. Ele estava de short, o tecido esculpia seu corpo perfeito, me dando a visão de algumas de suas tatuagens.
Seus olhos desceram discretamente pelo meu corpo, mas logo voltaram ao meu rosto. Um sorriso brincava em seus lábios, fazendo-me suspirar fundo.
Ele se sentou ao meu lado e pegou a garrafa de whisky, me encarando.
Heitor: Whisky? — perguntou.
— Desculpa, eu não...
Heitor: Se você bebesse essa garrafa toda, nunca mais iria querer olhar para ela no dia seguinte — disse, cortando minha fala.
— Ia ser pior que o drink?
Heitor: Com certeza. Seria uma dor dos infernos, tão forte que você acharia que iria morrer.
— A queimação na garganta é boa.
Heitor: Concordo. Nada como um bom velho whisky.
— Não é ruim.
Heitor: Você não é muito de beber, não é?
— Não.
Heitor: E nem de sair.
— Quando eu morava com meu pai, eu saía às vezes, mas sempre preferi ficar em casa assistindo a um bom filme ou série, ou até mesmo lendo um livro. Beber era raro.
Heitor: Então, é tudo novo pra você.
— Sim.
Heitor: Ayla...
— Hum?
Heitor: Eu percebi que você e sua mãe não são tão próximas...
— Não quero falar sobre isso — cortei.
Heitor: Entendo.
— Não me leve a mal, não me sinto confortável.
Heitor: Quando se sentir, estarei aqui — disse, colocando uma mecha dos meus cabelos atrás da minha orelha.
— A vista é tão linda.
Heitor: Eu comprei esse apartamento exatamente por isso.
— Pela vista?
Heitor: Sim, é perfeita — ele disse. Olhei para seu rosto, vendo o brilho nos seus olhos, mas fui pega no flagra — Você é que nem o sol, mas seus olhos brilham como uma estrela — ele disse, me fazendo prender o ar — Mas mesmo com esse brilho, dá para ver uma camada de tristeza.
— Heitor — sussurrei.
Heitor: Você é linda, Ayla.
— O que você gosta de fazer? — perguntei, tentando mudar de assunto. Ele sorriu pela primeira vez, me fazendo sorrir também.
Heitor: Gosto de beber, sair, ficar em casa. Gosto do meu trabalho, de viajar... Gosto de tudo e mais um pouco. E você?
— O mesmo que você, mas acho que diferente de você, eu trocaria uma noite de farra por uma boa Netflix.
Heitor: Dependendo do dia, não adianta me fazer mudar de ideia se eu quiser ficar em casa.
— Nada se compara ao sossego e à paz.
Heitor: Você gosta de maçãs? — ele perguntou aleatoriamente.
— Que aleatório! — dei uma risadinha. — Gosto, por quê?
Heitor: Minhas maçãs sumiram da geladeira — ele disse, gargalhando.
— Por Deus! — passei as mãos no rosto, sentindo minhas bochechas esquentarem.
Heitor: Não precisa ficar com vergonha.
— Eu não sabia que eram suas.
Heitor: Gosto de comer maçã.
— Eu amo maçã, a doçura, o cheiro e a suculência dela, é perfeito.
Heitor: Concordo. Você também gosta de café.
— Sim, isso eu acho que puxei da minha mãe.
Heitor: Laura ama um café.
— Eu também. Não sabia de quem eu havia puxado isso, já que meu pai não é fã. Mas depois de ver as redes sociais da minha mãe, descobri que foi dela.
Ficamos em silêncio por um tempo. Eu me sentia confortável com ele, falando ou completamente em silêncio. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas me sentia à vontade para me abrir com ele, algo que sempre guardei apenas para mim.
— Ser abandonada por Laura, ainda bebê, acabou comigo! Sabe como é crescer vendo todos os seus amigos elogiando suas mães sem nem ao menos saber o rosto da minha? — Sua expressão se tornou surpresa, mas ele não disse nada, então continuei — Ela foi embora quando eu tinha apenas semanas de vida, só retornou quando eu tinha nove anos. Eu a conheci por fotos e por telefone. Ainda me lembro das ligações e das promessas de que iria me visitar, mas só nos vimos três vezes em dezoito anos, e só por duas horas. Eu não sei o que fiz para ela. A única coisa que eu queria era que ela me amasse, mas nem isso eu consigo enxergar em seu olhar. Isso dói tanto.
Heitor: Ela nunca tocou muito nesse assunto. A única coisa que disse foi que teve uma briga familiar. Nunca quis saber mais, já que eu não tinha nada a ver com isso — ele disse, acariciando minha bochecha.
— Não houve briga. Ela simplesmente descobriu que não estava preparada para ser mãe e foi embora, sem se importar com nada ou ninguém além de si mesma. Ela diz querer recuperar o tempo, mas isso não é possível. Eu não a amo, e me sinto um monstro por isso. Não sei nada sobre ela, assim como ela não sabe nada sobre mim. Não consigo nem chamá-la de mãe sem sentir as palavras rasgando minha garganta. Eu me pergunto o quão ruim eu sou por não sentir nada por ela.
Heitor:Não se sinta mal, seus sentimentos também importam, eu entendo você, mas jamais se chame de monstro Ayla, você não é um, não tem como amar algo ou alguém que você nunca teve — ele diz e me puxa para um abraço e eu retribuo — entendeu?
— Sim! — concordo saindo do seu abraço, e encarando seus olhos.
Passamos minutos nos encarando fixamente, o olhar de Heitor desce por todo meu corpo, estudando cada parte dele, fazendo uma chama nascer e me incendiar por completo, sua pupilas se dilatam, era como se ele tivesse usado alguma droga
— Que foi? — pergunto em um sussurro.
Heitor:Não sei, você o seu cheiro mexem comigo de uma forma tão errada mas ao mesmo tempo parece ser tão certa, que fazem despertar algo diferente em mim — ele diz, e se aproxima de mim cada vez mais.
— Heitor.
Ele colocou o nariz em meu pescoço e respirou fundo inalando meu cheiro, me causando arrepios.
Heitor:Eu preciso me manter longe de você, mas porra parece tão difícil — ele sussurra com a voz grossa e rouca em meu ouvido.
— N.não faz isso — gaguejo e fecho meus olhos.
Heitor deposita uma de suas mãos em minha coxa e aperta levemente.
Heitor:Você só está a dois dias aqui, e parece que um furacão passou bagunçando tudo — ele diz — eu mexo com você e não adianta negar — ele fala e deposita um beijo molhado em meu pescoço, me trazendo de volta para a realidade.
Afasto o Heitor de mim rapidamente, e me levanto em um pulo encarando ele ainda ofegante pelo que havia acontecido.
Heitor:Ayla — ele parece voltar para a realidade
— Isso é errado, e não pode mais acontecer — digo firme, mas até eu mesmo duvido das minhas palavras.
Heitor engole em seco, encarando meus olhos.
Heitor:Ayla…
— Boa noite Heitor, e obrigada pela conversa — saiu de lá sem esperar sua resposta e subo rapidamente para o meu quarto.
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Atualizado até capítulo 67
Comments
Edmeia Calmerio
ele está caidinho pela filha e porque até Ag não pediu um tempo mudou de lugar já que é rico tem vários imóveis...ah Ayla cai nessa não si ele gosta tem lutar
2024-11-25
1
Telma Souza
nunca mais tinha achado uma história que me prendesse tanto. tô muito empolgada. kkkk anciosa
2025-03-25
0
Anita Alves
que nojento esse Heitor/Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm/
2024-11-28
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