Davi Thompson
Terminar um relacionamento não foi fácil. Doeu pra caralho vê-la indo embora. Era uma dor tão profunda que chegava a faltar ar; meu peito se apertava, e eu pensava que não conseguiria sobreviver sem ela.
Mas eu precisava ser forte, pela minha filha, pela minha bebezinha que não tinha culpa das escolhas da mãe, e nem havia pedido para nascer.
Não foi fácil. Tentei suprir toda a ausência de Laura para ela, mas eu sabia que, por mais que fizesse, nunca preencheria o vazio que a falta da mãe deixava.
Ver Ayla chorando, perguntando por que a mãe não a quis ou dizendo que algum colega da escola zombou dela por não ter mãe como as outras crianças, me despedaçava. E, quando havia apresentações na escola, ela se recusava a participar, e eu sempre a compreendia. Não foi fácil, e doeu muito.
Tentei sair com outra pessoa, tentei seguir em frente, mas, na primeira vez que deixei Ayla aos cuidados de outra pessoa, ela foi parar no hospital com pneumonia.
Ela ficou três semanas internada, com falta de ar e febre alta. Achei que iria perdê-la. Chorei me sentindo um irresponsável por tê-la deixado com outra pessoa.
Prometi a mim mesmo que nunca mais a abandonaria. Minha prioridade seria sempre Ayla. Parei de sair, deixei de seguir em frente, e nunca me arrependi de viver exclusivamente por minha princesa.
À medida que Ayla crescia, ela se tornava cada vez mais inteligente. Mesmo que não falasse para não me magoar, eu sabia que a falta da mãe crescia dentro dela.
Engoli meu orgulho e resolvi procurar Laura, pela minha filha, para que ela pudesse ter uma mãe ao lado. Praticamente implorei para que Laura se reaproximasse de Ayla, e depois de tanto insistir, ela aceitou.
Achei que elas poderiam criar um laço, alguma coisa... Mas cada vez que Laura se aproximava e depois se afastava, era pior.
Essa seria minha última tentativa, e eu esperava que desse certo. Ayla merecia um pouco de carinho e amor de mãe, e saber como é esse sentimento.
Minha filha se tornou uma mulher, e a cada dia meu orgulho por ela crescia. Não foi fácil vê-la partir, mas talvez fosse o melhor para ela. Não apenas por uma possível reconciliação com Laura, mas também para que Ayla realizasse seu sonho.
Até aqui, eu só pensei como pai, sempre no que seria melhor para ela.
Saí dos meus pensamentos quando meu celular tocou. Na tela, o nome de Igor, um dos meus melhores amigos.
•Ligação ON
Igor: Vamos sair? — Assim que atendo, ele já vai direto ao ponto.
— Não tô muito afim, Igor.
Igor: Qual é, Davi? Agora você não tem mais a desculpa de não querer deixar a Ayla sozinha — diz ele.
— Não tô com cabeça pra isso, Igor.
Igor: Você tá, sim. Se arruma que vamos pra uma boate hoje, você querendo ou não.
— Não tenho escolha?
Igor: Não. Pode ir se arrumando. — Ele desliga antes que eu possa responder.
Ligação OFF
"Pai, você não acha que tá na hora de seguir em frente? Até ela seguiu, e você nunca arrumou ninguém, sempre me priorizando."
As palavras de Ayla ecoam na minha cabeça. Talvez ela tenha razão. Está na hora de seguir em frente.
Levanto do sofá e vou até o meu quarto. No closet, escolho a roupa da noite. Vou ao banheiro, faço a barba, tomo um banho relaxante e cuido da minha higiene.
Desço para comer alguma coisa, um lanche rápido, e olho no relógio,é hora de me vestir. Visto uma camisa branca e um terno preto. Passo loção na barba, um perfume e coloco o relógio no braço. Me olho no espelho e gosto do que vejo. Igor me mandou a localização, então saio de casa e vou de carro até o local.
Assim que chego na boate, entro direto por ser VIP e vou até o bar, onde Igor já estava.
Igor: Não é que ele veio mesmo!
— Como se você tivesse me dado chance de negar.
Igor: Você precisava sair e curtir, enquanto dá tempo. Ninguém sabe o dia de amanhã, Davi.
— Eu sei.
Igor: Então relaxa e arruma alguém pra aliviar o estresse.
— Você não muda, né? — digo, e ele gargalha.
Igor: Nunca, meu amigo. Nunca.
Começamos a beber e conversar, mas não demora muito para Igor se afastar e ir atrás da sua "presa" da noite.
Continuo bebendo meu whisky, observando o movimento. Pessoas dançavam, outras já deveriam estar nos quartos privados da boate. Minha única vontade era ir embora.
Mulher: Uma dose de whisky, por favor — sou despertado dos meus pensamentos por uma mulher ao meu lado.
O garçom serve a dose, e ela vira a bebida de uma vez só.
Mulher: O certo seria você me oferecer uma bebida, mas como parece que está em outro mundo, te pergunto,aceita uma? — Ela sorri, e eu também não consigo evitar.
— Já estou bebendo — digo, mostrando meu copo ainda cheio.
Mulher: Noite difícil? — pergunta ela, e eu concordo com a cabeça.
— Mas parece que não sou o único.
Mulher: Não é todo dia que você acaba com um casamento por causa de um par de chifres. — Ela sorri fraco e respira fundo.
— Nossa...
Mulher: Não precisa dizer que sente muito. Todos falam a mesma coisa.
— Quem perdeu foi ele. Você apenas se livrou.
Seus olhos brilham.
Mulher: Com certeza. — Ela faz uma pausa, olha para frente e pergunta: — E você, o que aconteceu?
— Saudade da minha filha, que foi morar longe.
Mulher: Não deve ser fácil. Não tenho filhos, mas imagino a saudade.
— Não é fácil. — Bebo mais um gole enquanto ela pede outra dose. — É raro ver uma mulher bebendo algo tão forte.
Mulher: Eu não sou qualquer mulher. Sou única. — Ela sorri. — E você, um homem bonito, o que faz sozinho aqui?
— Não adianta ser bonito se ninguém te quer.
Mulher: Olha em volta, várias mulheres estão de olho em você. Até mesmo as mais jovens. E você aqui, sozinho.
— Talvez eu não tenha encontrado a pessoa certa para a noite. — Eu a encaro. — Ou talvez eu tenha encontrado, mas não sei se ela quer passar a noite comigo.
Mulher: Por que ela não gostaria?
— Talvez porque tenha acabado de descobrir uma traição. — Digo, e percebo que estávamos mais próximos.
Mulher: Talvez essa mulher só queira uma noite maravilhosa para esquecer o idiota que partiu seu coração. — Ela se aproxima e sussurra no meu ouvido: — E não tem nada melhor do que ser fodida a noite toda por um completo desconhecido.
— Uau. — Fico impressionado com a atitude dela. — Você é direta.
Mulher: Então, o que está esperando para me tirar daqui?
Agarro sua cintura e devoro seus lábios. Minha língua dança com a dela em voltas deliciosas. Ela solta gemidos enquanto termino o beijo mordendo seus lábios.
Mulher: Nossa... — Ela coloca a mão no peito, respirando rápido.
— Não posso saber o nome da mulher à minha frente?
Mulher: Prefiro que sejamos apenas desconhecidos, prestes a passar uma noite juntos.
— Se é isso que você quer, assim será. — Seguro sua mão e a levo para fora da boate.
Talvez uma aventura de uma noite não seja tão má ideia.
•Davi Thompson.
•47 anos.
•Pai da Ayla.
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Atualizado até capítulo 67
Comments
ʎqǝᗡ 🐝
Davi, Laura está looooonge de ser um ser humano, quem dirá, MÃE ‼️
2025-02-26
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Rubiinha Paiixão
fiquei na dúvida se queria o padrasto ou o pai😆
2025-03-12
0
Clesiane Paulino
essa cobra da Laura não quer a filha perto 😡
2024-12-08
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