Heitor Collins
Eu esperava que ela não se lembrasse de nada do que havia acontecido, mas ao olhar para seus lindos olhos azuis pela manhã e suas bochechas rosadas, eu sabia que ela se lembrava.
Laura: Que cara é essa, Ayla?
Ayla: Estou com dor de cabeça — ela diz, encarando o café.
Laura: Chegou tarde ontem?
Ayla: Três horas da madrugada.
Laura: Tá explicado sua dor de cabeça, então. Deve ter passado dos limites. Espero que você não tenha aprontado nada, Ayla.
Ayla: Como assim "aprontado"? — Ayla olha para sua mãe, arqueando as sobrancelhas.
Antes que uma conversa nada agradável começasse, resolvi mudar de assunto para descontrair a tensão.
— Tome um remédio para ressaca e volte a descansar, Ayla — digo, e ela me encara, suas bochechas corando novamente. Aquilo era tão fodidamente lindo.
Ayla: Não sei onde ficam os remédios — ela diz.
— Assim que terminarmos de comer, eu te dou um — digo, e ela concorda com a cabeça. — Agora coma.
Ayla: Não estou com fome.
— Mas precisa comer — minha voz saiu mais arrogante do que o normal, mas pelo menos serviu para que ela comesse.
Assim que terminamos de comer, fui para a cozinha, peguei um comprimido e enchi um copo de água. Voltei para a sala, mas ela não estava mais lá. Então resolvi subir para seu quarto.
Bati na porta, e logo ela me mandou entrar. O quarto estava escuro, iluminado apenas pela pouca luz que passava pela cortina.
— Trouxe seu remédio — falei, e Ayla se levantou para pegar o comprimido e a água. — Pelo jeito, o negócio tá sério — comentei, observando enquanto ela tomava o remédio.
Ayla: Obrigada — agradece. — Minha cabeça parece que vai explodir.
— É bom que, agora, você não vai encher a cara de novo — digo, e ela abre um sorriso constrangido.
Ayla: Heitor…
— Não — interrompo, já sabendo o que ela iria falar.
Ayla: Escuta…
— Você não precisa se desculpar, Ayla.
Ayla: Mesmo assim, desculpa. Eu não sei o que aconteceu comigo. Deve ter sido a bebida, mas eu não faria o que fiz se estivesse sóbria. Sei que dizem que "bêbado não mente", mas…
— Cale a boca, Ayla — minha voz saiu como um rosnado rouco. — Aquilo nunca existiu, tá bom para você? — Ela apenas concorda com a cabeça, em silêncio. — Agora, descanse.
Virei-me para sair do quarto e, quando alcancei a maçaneta, sua voz doce chamou minha atenção.
Ayla: Por que você disse…
— Não termine a pergunta se você já sabe que não vai ter a resposta — digo, saindo do quarto.
Eu iria enlouquecer. O quarto inteiro tinha o cheiro dela. Tentei não inalar sua essência, mas foi impossível.
Laura: O que você estava fazendo no quarto da Ayla? — A voz de Laura me tirou dos pensamentos.
— Fui levar o remédio para ela — falo, mostrando o copo que ainda estava em minhas mãos.
Laura: Não precisa mimar tanto ela, Heitor. Assim ela vai ficar mal-acostumada.
— Laura…
Laura: Vamos, amor, se não nós dois vamos chegar atrasados — ela diz, aproximando-se para me dar um selinho.
Sem dizer nada, a sigo até as escadas. Descemos, e, antes de sair, levo o copo para a cozinha.
Deixo Laura no trabalho e sigo para minha empresa.
Ayla Thompson
Acordei me sentindo melhor. Não sei quantas horas dormi, mas deve ter sido bastante, pois o sol já estava se pondo lá fora.
Sentei na cama e cocei os olhos com cuidado, pois ainda estavam ardendo. A vergonha do que aconteceu na madrugada ainda me consumia, e, ao ver Heitor pela manhã, minha vontade foi de enfiar a cabeça em um buraco só para não encarar seus olhos azuis penetrantes.
Mesmo morta de vergonha, não consigo esquecer o sussurro rouco em meu ouvido. Fecho os olhos, revivendo o momento da madrugada mais uma vez.
As suas mãos seguravam firme a minha cintura, o cheiro de whisky saía dos seus lábios, a sua respiração era pesada, como se estivesse inalando profundamente. Para acabar com qualquer resquício de sanidade, sua voz rouca no meu ouvido deixou-me completamente sem reação, fazendo as minhas pernas fraquejarem.
"Seu cheiro é um convite para perder o juízo." Por que ele disse isso? Ele gostava do meu cheiro?
Merda, Ayla, no que você está pensando? Ele logo será o marido da sua mãe. Você não pode ficar pensando nessas coisas… me repreendo mentalmente. Que idiota eu sou por desejar um homem completamente proibido, ainda mais sendo meu padrasto.
Levantei da cama, sentindo uma sede absurda. A casa estava silenciosa, então deduzi que não havia ninguém. Saí do quarto e fui em direção às escadas.
A casa estava escura e deserta. Fui até a cozinha, sentindo minha boca cada vez mais seca. Fiquei na ponta dos pés para pegar um copo no armário, mas não alcancei. E olha que nem sou tão baixa.
— Merda — murmurei, já pensando em pegar uma cadeira para subir. Antes disso, senti um corpo se encostando ao meu, e pelo cheiro, eu sabia quem era.
Heitor: Seu copo, loirinha — ele diz, e eu me viro para encarar seu rosto. Ele me olha da mesma forma.
— "Loirinha" soa tão mimado.
Heitor: Vai me dizer que você não foi? — Ele diz, e mais uma vez, um sorriso brinca em seus lábios.
— Meu pai sempre me ensinou que, se eu quisesse algo, precisava merecer. Não que me tenha faltado algo, ele sempre me deu de tudo. Mas não me considero mimada. Sei que nem tudo o que queremos podemos ter na vida.
Heitor: Você está certa — ele diz, e seu olhar recai sobre meus lábios. — Nem tudo o que desejamos podemos ter.
Ayla: Mas, se você lutar pelo que deseja, pode conseguir — digo, vendo um sorriso escapar dos seus lábios.
Heitor: Se você diz… — Ele fala, se afastando em direção à saída da cozinha. — Vou buscar sua mãe. Se quiser se arrumar, Ayla — diz, sumindo da minha vista.
Meu corpo estava em chamas. Mais uma vez, a calcinha estava úmida, as borboletas no estômago agitadas, e minha respiração descompassada.
Merda, merda, merda. Eu precisava manter distância antes que algo desse errado. Mas como me afastar se moro debaixo do mesmo teto que ele?
Bebi a água e subi rapidamente as escadas para o quarto. Minha mala não estava onde eu havia deixado, e, ao entrar no closet, vi que minhas roupas já estavam organizadas.
Peguei a roupa que usaria e a deixei sobre a cama. Fui para o banheiro, tomei um banho relaxante, hidratei a pele e me vesti. Fiz uma maquiagem leve e resolvi ligar para o meu pai, que atendeu no terceiro toque.
•Ligação On
Davi: Se lembrou que tem pai?
— Deixa de drama, papai. Sabe que nunca me esqueço de você.
Davi: Eu sei, minha princesa. Como estão as coisas por aí?
— Normal.
Davi: Normal como?
— Normal, pai. Não tem como eu falar muito, a gente mal conversou desde que eu cheguei.
Davi: Ayla…
— Ela também poderia se esforçar um pouco, pai. Onde me doeu ver o olhar dela, como se não me quisesse ali. Nem parece que foi ela quem me chamou para ficar na casa dela.
Davi: Sua mãe é complicada. Não ligue para isso, meu amor. Ela quer recuperar o tempo perdido com você, só não sabe como se aproximar.
— Como eu disse, vou dar tempo ao tempo. Se ela quiser se aproximar, estarei aqui, pai. Mas não vou fingir que ela é a mãe do ano, ou depositar esperança para depois quebrar a cara.
Davi: Só tente, Ayla.
Fiquei em silêncio por um momento.
Davi: E como você está?
— Bem, pai. E você?
Davi: Com saudades. A casa está tão vazia sem você aqui, minha princesa.
— Você também faz falta, pai.
Davi: E seu padrasto?
— Ele é de boa. Na dele. Não é chato como imaginei.
Davi: E ele não tem uma filha má?
— Não. E nem tem uma filha má — digo, sorrindo. — pai, você não acha que tá na hora de seguir em frente, até ela seguiu e você não arrumou ninguém sempre me priorizando.
Davi:Não sei se tenho mais jeito para isso, filha.
— É lógico que tem, e quem tiver você terá tudo pai.
Davi:Posso pensar nisso mais para frente.
— Pense nisso agora, senhor Davi.
Davi:Tá certo, meu amor, mas fico feliz por você.
— Pai, tô terminando de me arrumar para sair, só liguei para saber como você estava e para avisar que estou bem.
Davi:Tá certo meu amor, não se esqueça de dar notícias.
— Tchau pai, te amo muito, muito e muito.
Davi:Eu também te amo filha.
Ligação off.
Termino de me arrumar, e saiu do quarto vendo Heitor encostado na parede em frente a porta do meu quarto.
— Tava escutando minha conversa?
Heitor:Não, eu ia bater mas escutei você falando com alguém e resolvi não incomodar.
— certo.
Heitor:Tá pronta?
— Sim, podemos ir.
Ele concordou com a cabeça e saímos de casa.
Indo buscar a minha mãe no seu trabalho mais uma vez.
•Laura.
•38 anos.
•Mãe da Ayla.
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Atualizado até capítulo 67
Comments
Sara Rodrigues
Acho que a mãe da Ayla não gosta do Heitor ela só quer se aparecer
2025-02-03
0
Valéria Barbosa
nossa mãe é essa...😞😞😞😞😞😞😞
tem que ir embora dessa casa isso sim 🤔🤔.....
2025-01-01
0
ʎqǝᗡ 🐝
🤔 Davi deve ter colocado Laura contra a parede, exigindo por livre e espontânea pressão " SEJA MÃE " 💔
2025-02-26
1