Quem anda do meu lado já deve ter percebido que eu não sou qualquer bandido de quebrada. Começando pelo vocabulário, ele é chulo, mas é apto a língua portuguesa, metade gíria e metade do que eu sei que é certo.
Benefício de ter feito o superior, e eu não me arrependo de nada de lá até aqui. Exceto por ela. Mas tirando a âncora que me tinha preso na noção da terra, eu não gosto da palavra limite, nunca gostei.
Eu gosto do poder de ir e fazer. Da loucura carregada na adrenalina do errado. Do banho de sangue que eu deixo pra trás. Eu gosto de ser o inferno na terra e ter certeza que quem tá à minha volta é ciente disso.
Acharam que iriam fazer pelas minhas costas. Acharam que podiam tirar o que era meu, de mim. Cada cabeça envolvida nessa merda vai pagar, e vou deixar ele por último, pra ele saber que eu tô chegando.
— Antônio Fagundes… —Cantei o nome dele com o pé de cabra da mão. E o homem, acho que… Na casa dos 30? Não sei, que se foda ele vai morrer de qualquer jeito. — Trabalha na funerária, divorciado, acusado de assédio pela própria filha, bebe igual à porra de um porco toda noite e de quebra ainda procura briga com os vizinhos, é isso mesmo Fafa?
Perguntei com diversão na voz. Mas eu realmente tava achando isso a melhor coisa que fiz desde que me tranquei naquele barraco. Agachei na frente dele olhando aquela cara gorda e puxei o cabelo grisalho
— E aí Fafa, vai responder pra nois não? — Sacudi a cabeça dele várias vezes e ele soltou um xingamento.
Gustavo tava do outro lado dos trilhos. Por agora nenhum trem iria passar aqui, não tinha câmera também, mas era lugar onde as pessoas passaram amanhã para trabalhar e vão ver o desgraçado estripado no chão.
Eu quero que o Brasil inteiro veja a porra da barriga do arrombado aberta, e o A cravado na testa dele. Um aviso bem lúdico eu diria.
É, é isso que eu vou fazer.
— Ainda vai querer a gasolina? — Bernardo perguntou chegando perto.
— Não. — Eu olhei pra ele. Inquieto, suado, nervoso... Mas não era medo. Eu sei o que é isso. — Usa ela pra alguma coisa, queima qualquer merda, sei lá. Eu cuido do bolo fofo.
Deixei ele livre. Bernardo era certinho demais e eu já tinha começado a estranhar como alguém como ele sobreviveu tanto tempo com a mesma obsessão doentia. A resposta agora é simples, ele não é tão certinho assim.
Ele olhou pra garrafa de Coca-Cola na mão e se virou na direção de Gustavo. Eu virei de novo pro velho filho da puta e ele já tava quase desacordado. Dei um tapa e a gordura do rosto dele pulou.
— Lilliana Sanchez. — Alguma coisa queimou na minha garganta quando disse o nome dela, mas ignorei. Usei a ponta fina do pé-de-cabra pra passar pelo pescoço dele, de leve por enquanto. Vai dar um trabalho cortar a pele dele com essa porra que Gustavo conseguiu.
Ele arregalou o olho agonizando no desespero ainda. O diabo devia me pagar por cada desgraçado que eu mando pra ele e por aqueles que eu ainda vou mandar. Quem sabe assim eu não queime tanto quanto eu mereça no juízo final.
— N-NÃO! Eu não… Não sei quem é! Pelo amor de Deus, cara, piedade! Eu não sei nem quem é tu, porra…
Mentiroso do caralho.
Forcei o aperto com o ferro no pescoço dele e uma mancha de sangue escorreu. Ele se calou.
— Eu sou o último rosto que tu vai ver, do mesmo jeito que tu foi o último rosto que ela viu quando ainda tava viva e tu, —Pressionei com mais força — seu filho da puta, deixou ela morrer.
Ele sabe de quem eu tô falando, ele sabe desde que arrombei a casa dele. Ele sabe quem eu sou, ele sabe o que eu vim buscar. O medo não te deixa ver com clareza, as pessoas saem falando o que vem na hora, qualquer coisa pra fazer parar. Mas eu não quero parar. Porra, eu não quero.
Porque, matar quando se tem um propósito tem um gosto melhor ainda. Matar por vingança. E depois que começa, não tem como parar. Era um hábito, agora é um risco. Mas não pra mim.
Então eu comecei.
Arrastei o ferro até embaixo do umbigo e furei. Sangue espirrou como uma fonte. Ele gritou, alto. Coloquei mais força guiando o ferro pra cima. Era como cortar o couro de um porco, primeiro a parte dura, depois a carne. Mas eu não queria um corte profundo, não queria que ele morresse ainda. Então coloquei força o suficiente para cortar. O estômago tem muitas camadas, os órgãos humanos são protegidos pra um cacete.
Ele se debateu embaixo de mim, enquanto eu fazia o trabalho sujo, mas não adiantava. Eu não sentia nada, eu não escutava mais ele. Eu nem comandava mais os meus movimentos, era automático. Respingos de sangue borraram minha visão. E eu continuei rasgando, pouco me importava se ele tava vivo ou não. Eu só queria que essa merda parasse.
Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.Ela tava viva.
Mas não está mais.
Parei quando alguém me puxou pelo braço.
— A gente precisa ir, tem polícia fazendo ronda!
Limpei o olho e vi Bernardo suado e ao longe escutei um barulho alto o suficiente pra me deixar surdo, minha cabeça girou na mesma hora. Tinha fogo. Mas não era em qualquer lugar, era uma casa específica.
— O que tu fez, porra?! — Perguntei pra ele e vi Gustavo passando por mim.
— Eu fiz um A na testa dele, bora caralho! Corre!
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Lismara De jesus Souza
na verdade fã dos 5
2024-11-02
1
Geovanna Fernandes
me tornei quem eu mais temia.... fã dessa 3 juntos kkkkk
2024-09-21
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Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves
é complicado hein antes dele ter matado o cara ele tinha que perguntar mais para chegar ao fundo da verdade pois se ele era o coveiro não tinha como ele não saber que a Lili saiu de lado necrotério viva agora eles perdeu uma chance de saber a verdade espero que ele descubra logo que a Lili está viva
e que ela vai ser vendida para o tráfico de mulheres para ser garota de programa fora do Brasil
não vejo a hora disso acontecer estou muito ansiosa para ver o reencontro entre o Henrique e a Liliana
2024-09-21
2