Dor.
Braço esquerdo, perna esquerda e… Minha cabeça. Havia um gosto ácido em minha boca, sangue. Não abri os olhos e mesmo assim senti o mundo girar.
Em 3 segundos minha respiração saiu quente. Em 4 meu corpo estava queimando, em 5 segundos eu estava pronta para gritar, tudo doía, mas eu não tinha sequer voz.
Meus olhos estavam impedidos de se abrirem, o que apenas intensificou meu desespero. A queimação aumentou e se transformou num enjoo, o enjoou piorou, entretanto, não consegui levantar. Virei a cabeça para o lado, latejou no mesmo instante, mas o jato de vômito subiu rasgando minha garganta com tanta rapidez que não tive tempo e simplesmente despejei.
Eu estava deitada. Percebi no momento em que o líquido ácido molhou minha bochecha e pensei que iria me afogar. No entanto, mãos se posicionaram em minha coluna, me empurrando. Eu caio
Chão duro e gelado. Meus olhos se abrem pela necessidade do horror. Giro para o lado procurando por ar e vejo onde estou mesmo com a visão embaçada
— ¡Maldita perra, vomitó sobre todo!
É a voz de um homem, gritando em cima de mim. Meu subconsciente luta tentando se lembrar, se concentrar. Onde eu estou?
Olho o chão, de cimento. As paredes de madeira, podres sendo devastadas pelos cupins. Eu estava em cima de uma cama, um leito enferrujado e um coxão rasgado era onde eu estava.
Levei segundos para senti o cheiro do vômito. Eu estava suja dele e de sangue.
A urgência berrou em minha cabeça. E, além da dor, meu corpo foi preenchido por puro pânico angustiante. Perigo. Eu estou em perigo. Mas como vim parar aqui? O que aconteceu?
Meus olhos estavam grudados por uma crosta de sangue, por isso não conseguia abri-los. Há algo amarrado em minha cabeça.
Passos pesados se aproximam, quem quer que seja esse homem deve ser imenso para fazer o chão tremer dessa forma.
E é exatamente isso.
Um homem grande, com uma barriga maior que ele. Suado, pelos extravagantes por todos os lados, inclusive em sua cabeça, barba e cabelos longos. E… Santos Deus, o cheiro que invade meu nariz quando ele chega perto de mim é ainda pior que a aparência dele.
Ele me puxa, uma mão segura firme meu cabelo e a outra, o meu braço. Solto um ruído de dor, pois não sei distinguir qual parte do meu corpo dói mais. Sem cuidado algum, ele me joga por cima da cama. Meu quadril vai ao encontro do ferro e dessa vez algo mais alto que um simples ruído escapa de mim.
— Bota logo uma venda nela, Guapo, tá perdendo tempo.
Outra voz masculina. Eu não conheço nenhum dos dois. Levanto os olhos e parece que estou em uma construção de madeira velha, não é um hospital, não é uma casa. Apenas uma construção de madeira. A cama onde estou é o único móvel.
Olhei para o meu corpo e estava com uma camisola de hospital a mesma que…
Merda.
As lembranças explodem com força em minha cabeça. Quarto de Henrique, Bilhete, sequestro, tiro em minha perna, pai, aborto e… Márcio.
Engulo em seco ao lembrar do nome.
Depois de tudo, veio o pior. A polícia deveria ser o meio em que qualquer cidadão poderia confiar, mas foram eles que me buscaram daquela casa, a própria guarda estava trabalhando com o Playboy. Me jogaram na viatura completamente dopada e quando acordei estava de joelhos sobre o asfalto quente em frente à rocinha.
Henrique. Ele está bem? Pegaram ele? Como eu vim parar aqui?
Não lembro. Não sei o que fizeram comigo depois de algo passar pela minha cabeça e eu cair novamente.
Olhei para frente e o homem grande veio em minha direção, mas antes que ele tampasse minha visão, vi o outro. O mais magro. Deveria ser brasileiro, já esse gigante deveria ser de algum outro país. Foi ele quem falou em espanhol. Guapo era o nome dele, essa parte eu escutei.
Em suas mãos havia uma venda. Ele abriu e bastou segundos até que ele segurasse minha cabeça e prendesse a venda em mim. Me deixando em completa escuridão. Eu não recuei. Eu conseguia mal sentirá meus dedos, a única coisa que funcionava em mim eram os meus sentidos e mal ainda.
— Esta chica és bonita, ¿no podemos conseguir un cono? Nadie lo sabrá. (Essa garota é bonita, será que não podemos tirar uma casquinha? Ninguém vai saber.)
Meu espanhol estava enferrujado, mas entendi o que Guapo disse. Meus pelos se arrepiaram no mesmo instante e torcida para que o outro homem abolisse essa ideia. De novo não.
— Não, cacete! — Bradou o brasileiro— Ahora deja de molestarme y termina el trabajo. (Agora para de me irritar e termine o serviço)
Guapo não deve entender tanto português quanto o brasileiro entende de espanhol. Mas isso não é importante. A questão é: que trabalho?
—Toma la droga. (Pega a droga) —Ouço a voz do brasileiro. Parece que ele é quem manda no grandão, mesmo sendo menor.
Droga? Que droga?
Meu braço é levantado no ar e meu pulso é virado para cima. Não sinto nada além do polegar dele passando por cima da pele exposta. Em seguida uma picada. Uma agulha.
Merda, essa é a droga. Estão me dopando.
Se mexe Lilliana. Se mexe caralho!
Mas não adianta. É como ter uma paralisia do sono; você sabe que está em perigo, mas seu corpo não tem energia para obedecer aos comandos do cérebro.
Então eu comecei a contar e ouvir. 1, passadas para o lado esquerdo e algo sendo aberto, parecia ser mais uma janela. Se eu ao menos pudesse me movimentar… Talvez, apenas talvez, conseguiria fugir.
2, o som de uma embalagem sendo aberta e pelo cheiro deve ser comida. 3…
— ¿Cuándo llegarán? (Quando eles vão chegar?) — É a voz de Guapo.
— Não sei. Pero ten todo listo (Mas deixe tudo preparado) — Respondeu o outro cara e, a julgar pelas circunstâncias, ele deveria estar de frente para a janela.
— Consigamos un buen dinero de ella. (Vamos conseguir uma grana boa com ela.) —Comentou o grandalhão.
— Mas precisamos sair logo daqui, se ele achar a gente… Tamo tudo fudido nessa porra.
— ¿Como? No entendí lo que querías decir (Como? Não entendi o que tu quis dizer) — Guapo perguntou. É, ele realmente não entende português
Mas, a quem ele está se referindo? Quem não pode achar eles? Será que…
— Alemán (Alemão) —Respondeu o brasileiro. — Si nos encuentra, estamos muertos. (Se ele achar a gente, estamos mortos)
Meu coração deu um pulo no mesmo instante. Henrique? Meu Henrique? Então ele está vivo. Mas antes da minha contagem chegar ao número quatro, minhas pálpebras se chocam uma contra a outra. O silêncio me engole.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Shirley Freire
Aeeeeeeeeeeeeeeeee vivissimaaaaaa valeu autoraaa 😅😅😅😅
N para de escrever por favor em, li o outro livro em 3 dias e já emendei nesse curiosidade a 1000000000.. Parabéns tá muuuuito bom 👏👏
2025-04-03
1
Amanda Larissa 💕💜
te amo Brendinha 🥹
2024-09-13
1
Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves
mano que sacanagem hein fazer a Lili se passar por morta apenas para ficar com o controle do garimpo que era para ser dela por direito
não vejo a hora dessa m**** acabar finalmente e eles dois se reencontrarem
2024-09-13
2