Não tava planejando voltar pra aquela casa tão cedo. Aquilo virou um pesadelo visível, mas quando se tem uma irmã quebrando a casa, aí é osso. Tem que voltar.
Mal tinha chegado no canto e tava cheio de vizinho espalhado.
— Puta que pariu, a morena tá braba. — Grego girou o volante e deu ré, não dava pra entrar com o carro.
— Fiquei sabendo que a outra lá também tá aí. — Gustavo não conseguia ficar de boca fechada hora nenhuma e nem deixava passar assunto.
— Tá nada, duvido se vem. — Grego disse um pouco mais baixo.
— Mas no salão eu sei que ela não tá, nem o menino também.
— Vi dizer que ela tava até de passagem comprada pra sair daqui, mas deu B.O e descobriram do menino.
Olhei pros dois sem acreditar no que eu tava escutando. Como caralhos eles tão sabendo de mais coisa que eu?
— Dá pra vocês dois parar de fofocar e descer da porra do carro?
Gustavo arregalou o olho pra cima de mim, mas desceu mesmo assim. Fiz o mesmo que ele e quando sai do carro só conseguia ouvir a voz dela chorando.
— Vocês dois. — Chamei e eles me olharam. — Manda botar geral pra dentro, isso aqui não é show não.
— Aí favela! Bora pra dentro que não tem nada da conta de vocês aqui.
Só escutei a voz dele, mas não prestei atenção porque eu tinha que tirar Bianca da rua. Ela sabe que eu não gosto dessas merdas de botar cara na rua pra ficar fazendo ceninha.
— DESGRAÇADO! AGORA MENTE PRA MIM CARALHO! MENTE! PRA TU VER!
Não vi direito, mas ela jogou alguma coisa em Samuel, que desviou tentando se aproximar dela. A barriga já começava a aparecer, percebi quando olhei direito pra ela. Tava diferente também, mais magra. Caralho, isso foi só um mês longe.
— Calma aí Bia, na moral, mano vamo conversar. Eu juro que não sabia de nada…
— Que caralho é esse aqui na frente da minha porta? — Eles dois pararam— Sabe conversar dentro de casa não porra?
— Diz pra ele o que tu fez seu desgraçado! Diz!
Um pedaço de cabo de uma vassoura é o que ela tem na mão. Consigo ver agora de perto.
— Ôu! Calma aí siow! — Segurei ela e foi quando Gabriel chegou. Ele não tava com cara de quem tava afim de separar briga dos outros, mas mesmo assim, puxou Samuel pelo ombro e levou ele na direção do carro de Grego falando alguma coisa. — Entra, te acalma primeiro. Tá fazendo mó show aqui na rua caralho.
— Ah, vai se fuder tu e ele! Esse filho da mãe tem um filho com outra Henrique! Tu sabe o que é isso?! Ele não teve só um casinho de merda não. Tem uma criança! — Ela tava explodindo e eu ainda tinha muita merda pra resolver. — E sabe o que é engraçado? El…
— Tá, tá, chega. Entra logo na casa, vamo.
Deixei que ela falasse sozinha e chamei Gustavo com a mão. Não tava botando fé em mim pra entrar naquela casa, não agora.
— Fala.
— Fica com ela lá dentro e depois cola lá na boca. — Ele me olha de um jeito estranho e eu reviro o olho. — Que é?
— Por que eu? Ela tava querendo matar o homem dela, o que tu acha que ela vai fazer comigo, cara?
— Fica do lado de fora ou sei lá... Qualquer merda, só não deixa minha irmã sozinha porque, se não, quem vai fazer alguma coisa contigo sou eu.
Dou dois tapinhas no ombro dele e sigo na direção do carro. Pela primeira vez na vida fiquei satisfeito de não ter matado alguém. Pelo menos o saco de pancadas serve pra alguma coisa
[...]
— Eu não sabia, pô. Eu juro que não sabia. Pra mim tinha sido só uma ficada porque ela mesma disse. Aí do nada ela me aparece com a porra de um filho?Nem sei se é meu mermo.
Eu não sei se Samuel tava doido pelo filho da outra mulher ou por Bianca, só sei que ele tava até amarelo.
— O muleque é a tua cara. — Gustavo comentou do outro lado da sala.
Eu ainda tava tentando me acalmar. Não tem um dia que eu abra a porra do olho e veja paz. É merda atrás de merda.
— Isso é só um detalhe. — Samuel respondeu como quem não quer nada. O braço esquerdo tava todo arranhado. Bia fez um estrago muito bonito nele e eu tô perto de terminar.
Mas Samuel é praticamente um irmão, tirando às vezes que quero matar ele, ainda devo muita coisa por toda a ajuda com Bianca.
O que me deixa ainda mais curioso. Como caralhos ele foi fazer filho com outra? Ele é louco por Bianca.
— Quem é ela? — Perguntei e ele levou um susto com a minha voz. Tinha deixado eles conversarem e fiquei em silêncio, mas agora é a minha vez.
— Vitória, a do salão da Juliana. Foi até ela que apresentou nois. Na época eu tava com a Bia, mas não era lá aquelas coisa, aí acabou acontecendo. Nem lembro direito.
— E como isso chegou no ouvido de Bianca? — Perguntei de novo. Essa história não tava batendo. Se até a capeta da mulher tava tratando isso que eles tiveram como um caso qualquer, o muleque pode não ser do Samuel. Não teve porra de teste de DNA.
— Não sei… Não sei. Eu não sei mais é de nada. — Ele juntou as mãos na cabeça desesperado. Samuel tava ficando doido, eu tinha certeza, só que eu tava nem aí pro problema dele. — Ela não vai me escutar.
Já tava cansado disso. Eu tinha um morro pra cuidar e já era tarde. Só queria voltar pra casa, beber e dormir. Passar a minha noite na boca numa roda de conversa de macho que não vão resolver nada não era meu plano. Gabriel tava com uma de cu pra tudo, até eu já tava me irritando com ele. Samuel tava fudido e Gustavo e Grego não paravam de falar baixo um com outro. Dois boca de sacola.
Que se foda, perdi a paciência.
— Vaza, todo mundo. Bora.
— Mas e eu? Minha mulher é tua irmã, o que eu vou fazer com ela?
—Eu não sei caralho, se vira! Se tu tivesse um pingo de noção na tua cabeça de cima, não saia por aí enfiado teu pau em qualquer buceta! — Gritei. Ultimamente eu gritava mais do que o normal— Isso aqui tá virando circo, é por isso que nego tá na cola pra querer pegar o morro. Vai resolver a porra da tua vida em casa caralho.
Me virei pra mesa onde, embaixo dela tinha uma mini geladeira. Só escutei a porta batendo e quando levantei a cabeça não tinha mais ninguém.
Foi só o tempo de abrir o lacre do whisky que a desgraça da porta bateu de novo e Bernardo entrou. É hoje que eu mato um deles.
— Ah, vai se fuder! O que é agora?
Bernardo tava sempre alerta, cansado e acabado. Eu já nem estranhava mais.
— Descobri umas paradas do teu interesse.
— Se for de filho dos outros, eu não quero saber.
— Não, não é sobre o filho de ninguém.—Ele fez uma pausa.— É sobre o corpo dela.
Parei o que tava fazendo na mesma hora. Não era isso que eu esperava. Até porque era óbvio que ela… O corpo dela, devia tá num cemitério particular da zona norte, ao lado da mãe. Não consegui pensar em uma resposta pra ele, fiquei no meu silêncio bebendo mais um gole do whisky.
—Eu procurei…
— Procurou? — Virei pra ele, incrédulo. — Bernardo tu tem merda na cabeça? Caralho, a menina já morreu e não deixam ela em paz, porra!
Me arrependi na mesma hora do que falei quando Bernardo me olhou… Triste? Eu acho. Merda, eu nem sei o jeito que ele tá me olhando. Eu sei ler rosto dos outros quando é o medo que vejo, tirando isso eu não sei que tipo de emoção de merda se passa na cara das pessoas. Quem era boa em fazer isso era ela.
— É isso o que tu acha? Que ela tá em paz? — Ele tava irritado? Ou tava me ameaçando? — Sabe a assinatura de quem tá no documento da autópsia do IML?
— Quem.
— Felipe Pedreira da Silva.
— Não conheço. — Se o pai dela tava morto, devem ter chamado algum parente distante.
— É claro que não conhece, ele não usa muito esse nome. — Bernardo bateu com um papel em cima da mesa. — É porque eles chamam ele de PlayBoy.
______________
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 42
Comments
Thaiuani de Biassio
quanta reviravolta, autora queria , que história! estou amando
2024-12-07
0
Lismara De jesus Souza
morri kkkkkkkkk
2024-11-02
1
Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves
que tenso Henrique está precisando relaxar ele está muito estressado
bom se a lili estiver viva aonde ela está hein
2024-09-10
2