Rebeca

...⚠️Atenção, as cenas descritas podem desencadear gatilhos relacionados a abuso sexuais. Se preferir pule o capítulo....

Uma mulher surge no meio da porta escancarada nos encarando com um sorriso de orelha a orelha, mas não é o tipo de sorriso que leva a pensar que algo bom acontecerá, é o tipo de sorriso que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.

Ela é magra, há rugas em seu rosto e maquiagem pesada que, por sua vez, deveria ajudar a esconder os defeitos, apenas os deixa mais visíveis. O cabelo escuro está preso para trás em um rabo de cavalo, a pele clara faz contraste com a roupa preta, porém, sofisticada. Daria alguns 40 e poucos anos para ela, talvez?

— Catarina. — O homem com máscara preta começa. — Essa é a…

— Lilliana Sanchez… Meu ouro. — Ela o interrompe. A voz grave, mas certeira, o sotaque não me parece com o português brasileiro, e sim o de Portugal, só que mais aveludado.

Ela caminha até mim, desfazendo o sorriso, dando lugar a um rosto sério. Perto, Catarina chega muito perto do meu corpo e o que era um rosto sério se transforma em uma expressão de repulsa.

— Ora, mais que cheiro é este?! — Exclama como se fosse a coisa mais repulsiva que já viu. 

Afinal de contas, quem é essa mulher, hein?

— Aconteceram uns imprevistos… coisa do caminho. 

Um dos homens explica, mas ela os ignora completamente e apalpa minhas bochechas, segurando firme com apenas uma mão e as unhas grandes pintadas de preto arderam no tecido fino da pele. Fechei os olhos quando ele virou lentamente meu rosto de um lado para o outro.

Mas o que ela…

Averiguando, ela está me analisando como um comprador com sua mercadoria. Catarina solta meu rosto e banha meu corpo com os olhos, os passando em todos os lugares até parar em um.

— Ela está sem o dedo? — Questiona e parece furiosa com a nova descoberta. — Onde está a porra do dedo dela?!

— Como eu disse, imprevistos, não tínhamos como controlar isso Ca…

— Imprevisto? — Ela o corta. — Isto aqui é uma decadência! O preço dela diminui em mais de 500 euros apenas pela falta da porra do dedo dela, tem noção disso?!

Ah, qual é, ela está assim por causa do meu dedo lhe tirar dinheiro? Eu reviro os olhos com força, mas o movimento não passa despercebido por Catarina. 

Ela ergue sua mão mais uma vez, mas não vejo o movimento, apenas sinto a rápida ardência no lado esquerdo do meu rosto, em seguida tudo fica em silêncio. 

A olho estarrecida e passo os dedos pelo local dolorido. Ela me deu um tapa? A julgar pela expressão arrogante, confirma a minha dúvida irônica. Sem pensar muito levanto os dedos e em menos de 3 segundos lhe devolvo outro.

Desgraçada arrogante. 

Ela cambaleia levemente para trás e um dos homens segura meus braços.

— Me solta! Acham que podem me vender?! Eu sou uma pessoa e não um animal cacete! — Brado com raiva, sem conseguir me desvencilhar da força me prendendo. 

Eu quero apenas voltar para casa. Me levem de volta para casa.

Catarina agarra minhas bochechas mais uma vez com a mão e dessa vez finca suas unhas em minha pele. Aperto os dentes com a dor, sangue escorre pelo meu pescoço.

— Não, você não é um animal. — Ela sussurra, num tom passivo agressivo, bem próximo ao meu rosto e sinto o cheiro do hálito quente de chiclete. — Porque um animal me daria menos trabalho do que mulheres que não sabem apenas se comportar e abrir as pernas.

Quando as unhas saíram de dentro da minha pele ela se afastou e olhou para os dois atrás de mim. Seu queixo foi erguido como um comando. Eles me arrastam para o interior da casa.

É espaçoso e há meninas... São garotas. Não eram mulheres o que vi naquela hora, são garotas, adolescentes talvez. Todas com rostos baixos, roupas ruins, mas não tão péssimas quanto a minha.

Uma ao lado da outra, em fila, da maior para a menor que… Olho para a primeira da fila. Santo Deus! Eles vendem crianças, isso… Mais que merda...

Ela não deve ter mais do que 10 anos, está com pompons amarrados no cabelo em forma de maria-chiquinha. Meu estômago embrulha e bile sobe em minha garganta.

— Guapo! — Catarina grita assustando eu e as outras meninas. Ele se aproxima do meu ouvido, sussurrando. — Aqui, nesta casa, mulheres que se comportam como animais, são tratadas como animais.

Minha coluna se contorceu e meus pelos se arrepiaram. Eu não gosto da forma como isso soou. Merda, o que fiz…

Guapo é o mesmo homem do qual eu vi assim que acordei, ele deve trabalhar nesse sistema. Na verdade, todos eles trabalham no sistema de contrabando, isso é óbvio.

— Ela. — Catarina ordena para o homem e ele pisa fundo, mas não em minha direção. 

Na fileira de garotinhas, Guapo para em frente à quarta. Ela é mais esguia do que a primeira, é um pouco mais alta que a primeira, a aparência não dá mais que doze anos para ela. A menina treme tanto que os dentes batem um no outro.

— Rebeca. — Catarina começa a andar lentamente de um lado para o outro, como a porra de uma ditadora. — Mordeu um dos homens que levaram vocês para a caminhada matinal. Sabe que tipo de comportamento é esse? 

Ela abaixou o olhar para a garotinha e, quando a pequena não responde, Catarina apenas olha por cima do ombro para Guapo, um tipo de sinal. Ele pega Rebeca pelos cabelos e enquanto a garota grita, Guapo a joga por cima do ombro como se fosse um mero saco de batatas. Se vira e começa a marchar em direção a um quartinho à esquerda.

Medo invadiu meu corpo. Irão bater bela? Ou… Não, eles… Deus...

As outras garotas estavam de cabeça abaixada, fitando o chão, mas não significa que não estavam nervosas. O medo era perceptível, mas nenhuma delas olhou para cima.

— Mas o que… — Não completo minha frase, um dos homens que estava segurando meu braço me puxa para trás e sussurra no pé do meu ouvido:

— É isso que acontece com puta mal criada. Sabe o que vai acontecer naquela sala? — Ele aperta os dedos envolta do meu braço. — Responde cadela.

Quando ouço sua pergunta, minhas dúvidas são cortadas. Eles não irão açoitá-la por mau comportamento, não. É muito pior. 

Catarina percebe a comoção atrás de mim e me encara, séria, fria. Ela acabou de mandar uma criança ser estuprada, mas parece que, para ela, não é nada fora do habitual.

Meu corpo treme com os gritos finos vindos do quarto, a cama rangendo pela força bruta e pelo tamanho de Guapo. O som de pele com pele se tocando. Horror me invade e minha visão é borrada pelo líquido quente. Ele pode matá-la com todo o peso que tem, o corpo dela é frágil. É uma criança. Uma criança gritando pela vida.

Eu quero vomitar. Céus, minha pressão deve ter baixado. As minhas pernas mal se sustentam.

Não percebi a hora que Catarina se aproximou de mim, mas ouvi o estalo e senti a ardência no mesmo lado da bochecha que ela estapeou ainda pouco. Foi com mais força dessa vez.

— Da próxima vez que você ousar desrespeitar qualquer um desta casa, será você naquele quarto e com quantos homens eu ordenar. — Ela se certificou de soar ameaçadora o suficiente, ao ponto de eu não ter coragem de encará-la. — Você. Me. Entendeu?

Balanço a cabeça em concordância, mas recebo outro tapa, e neste, ela usou as unhas.

— Eu perguntei se você entendeu e quero uma resposta. Diga!

Desgraçada, que mulher desgraçada.

— Eu entendi. — Respondi entre dentes. Eu estava com medo, mas a raiva também estava lá. Como eles se acham no direito de usar pessoas dessa forma?

— Sabrina. — Ela chama e a última garota da fila dá um passo à frente. Ela é alta, não deve ser muito mais nova do que eu. Tem longos cabelos cacheados e uma pele bronzeada, que, olhando de onde estou, se assemelha a seda. — Leve Lilliana para o dormitório, às doze, estejam prontas para a refeição. — Catarina se virou para mim e com um olhar egocêntrico de sempre, disse: — Bem-vinda a casa, cadela.

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Comments

Geovanna Fernandes

Geovanna Fernandes

meu.... quando o Henrique souber disso tudo, essa Catarina ta fudid@@@

2024-09-21

0

Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves

Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves

meu Deus que nojo que horror estou indignada com a atitude dessa cafetina cretina que mulher desprezível

2024-09-21

1

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