Maya
Recebemos livros novos para organizar e resolvo ajudar no descarregamento das caixas. Embora algumas sejam extremamente pesadas, outras são menores e mais leves, as quais eu posso adiantar e levar para seu futuro lugar.
Todas as caixas estão nomeadas, o que facilita para orientar os rapazes a deixar nas sessões correspondentes e quando terminamos de esvaziar o caminhão, agradeço a todos pelo trabalho.
O caminhão logo está partindo, deixando-me cheia de tarefas para os próximos dois dias, mas antes de faço qualquer movimento sinto uma leve tontura. No início, penso ser apenas cansaço, pois a livraria está especialmente movimentada hoje, e eu não tenho tido tempo para uma pausa adequada. Por isso, tento parecer estar bem para que o senhor Gonçalves não perceba e sigo para a primeira caixa de livros.
Tiro as pilhas de romance clássico de dentro dela, começando a colocar um por um na prateleira antes vazia. Enquanto coloco "Orgulho e Preconceito" no seu novo lar, uma onda de calor sobe pelo meu corpo, seguida por um calafrio. É como se um ar abafado tivesse entrado pelas portas principais e outro extremamente gelado tivesse quebrado seu contato pela janela nas minhas costas.
Passo a mão pela testa e percebo que estou suando. Não sei se frio ou quente.
— Está tudo bem, garota? — A voz do Senhor Gonçalves me puxa de volta à realidade. Ele já está ao meu lado, com uma expressão preocupada no rosto.
— Eu... não sei, — respondo, tentando sorrir. — Acho que não estou me sentindo muito bem. Do nada senti um misto de frio e calor.
Ele franze o cenho e coloca a mão na minha testa.
— Você está quente, — diz, meu chefe vai até o balcão onde está sua bolsa e se abaixa lá para procurar algo. — Vamos medir sua temperatura.
Eu me sento em uma das cadeiras próximas enquanto ele volta para perto de mim com o termômetro em mãos. Logo ele me emprega para que o coloque embaixo do braço, então aguardamos.
O tempo parece se arrastar enquanto aguardamos o resultado, até que finalmente o termômetro apita e eu o retiro para examinar a leitura.
— 39°.
— Está com febre, Maya — constata, com um tom de voz que misturava preocupação e autoridade. — Acho melhor você ir para casa e descansar. Eu cuido da livraria hoje.
— Mas...
— Nada disso. Vou te chamar um Uber.
Embora eu queira contrariá-lo, meus olhos ardem e a minha cabeça gira fazendo-me acatar as ordens, sinto-me aliviada por poder ir embora e um pouco culpada por deixar o trabalho todo para o senhor Gonçalves.
— Sua sorte é que estou sem forças para brigar — murmurei, levantando-me devagar. — Acho que preciso dormir um pouco.
Gonçalves mexe no seu celular por uns instantes e acredito que esteja pedindo o carro para me mandar para casa.
Enquanto espero o Uber, o Senhor Gonçalves me observa com preocupação. Ele sempre foi mais do que um chefe para mim; é quase como um mentor.
— Não queria te deixar nessa bagunça — resmungo e o vejo sorrir.
— Não se preocupe com a livraria, Maya. Eu dou conta. Antes de você cuidava dela sozinho — ele diz, tentando me tranquilizar.
— É verdade e ela era uma bagunça — o lembro e meu chefe gargalha.
O Uber chega rapidamente, e Gonçalves me ajuda a entrar no carro. O motorista é um homem de meia-idade com um sorriso simpático, me cumprimenta e me confirma meu endereço. Recosto no banco após ver que tudo está ok, então fecho os olhos por um momento.
A viagem parece durar uma eternidade, mas finalmente chegamos ao meu prédio. Agradeço ao motorista e subo lentamente as escadas até meu apartamento, até me esqueço de cumprimentar o porteiro. Cada passo meu parece um esforço monumental, e tudo o que consigo pensar é na minha cama.
Assim que entro, passo por Heyde em seu computador, vou direto para o quarto e me deito, sem nem me preocupar em trocar de roupa. O alívio de estar em casa é imediato, mas a febre ainda me consome. Fecho os olhos e deixo o cansaço me
— Está tudo bem? — ouço a voz da minha amiga, mas não consigo abrir os olhos. Sinto a cama afundar levemente quando ela se senta ao meu lado.
— Maya, você está bem? — ela pergunta novamente, desta vez com um toque maior de preocupação na voz.
— Febre… — murmuro, tentando encontrar forças para falar. — O Senhor Gonçalves me mandou para casa.
Heyde coloca a mão na minha testa e solta um suspiro.
— Você está queimando. O que mais está sentido?
— Frio e calor, boca seca, acho que tem alguém tentando entrar pelas minhas entranhas também ou eu estou com um tesão estranho.
— Droga — ela resmunga. — Vou pegar um pouco de água e um remédio para você.
Ouço seus passos rápidos se afastando e, em seguida, o som de água sendo despejada em um copo. Ela volta em poucos minutos, me ajudando a sentar para que eu possa tomar o remédio e beber um pouco de água.
— Obrigada, Heyde — digo com minha voz saindo fraca. — Acho que só preciso descansar um pouco.
— Claro, descanse. Eu vou continuar trabalhando — ela responde, ajeitando o cobertor sobre mim. — Se precisar de qualquer coisa, é só chamar.
Fecho os olhos novamente, sentindo o efeito do remédio começar a me tratar. A febre ainda está lá, mas a presença de Heyde me traz um conforto gostoso. Aos poucos, o cansaço me vence e eu caio em um quase sono, mas ainda posso ouvir as movimentações pela casa.
— Sou eu — a voz de Heyde está distante. — Você está com febre e os sentidos perdidos, certo?
Tento dizer algo, mas não consigo. Quero avisá-la que acabamos de falar sobre isso.
— Eu sei porque Maya também está. — Ela segue e só então percebo que não está conversando comigo. Por isso ela está tão longe. Ainda tento abrir os meus olhos, uma tentativa falha, mas ainda a ouço. — A temporada começou e ela está sentindo também, mas Maya é fraca demais para passar por isso. Por que veio atrás dela? Por que ativou isso?
Meu coração acelera, mas meu corpo está pesado demais para reagir. Quero saber com quem Heyde está falando e sobre o que está falando. Tento me concentrar nas palavras dela, mas minha mente está enevoada.
— Não importa, eu vou fazer o meu trabalho e cuidar dela. Você não pode interferir — Heyde continua com sua voz firme. — Deixe-a em paz. Ela não tem nada com sua matilha.
A conversa se torna um murmúrio indistinto enquanto luto para manter a consciência. Entendo que ela fala ao telefone, pois ninguém mais está no apartamento e só ouço a sua voz, mas quero saber para quem ligou. As perguntas giram na minha mente, mas o cansaço é mais forte.
Até que finalmente, a escuridão me envolve completamente e eu caio em um sono profundo e sem sonhos.
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Atualizado até capítulo 56
Comments
Helena Rosa
o Hut ou cio dla n creio
2025-01-04
0
Salome Pereira
com o feitiço desde criança o lobo não pôde vir ,mas acho que ela tem um
2024-12-08
1
Leydiane Cristina Aprinio Gonçaves
agora vai descobrir tudo sobre a Maia e ela poderá voltar para sombria que é o lugar dela de nascença
2024-08-30
4