Sebastian
A noite está fria, mas isso não me incomoda. Minhas habilidades de lobo me permitem suportar temperaturas extremas sem dificuldade. Dimitry e eu estamos escondidos no alto de um prédio, bem em frente ao apartamento de Maya observando-a. As luzes estão acesas, e posso vê-la caminhando de um lado para o outro através das janelas.
— Ela parece ansiosa — Dimitry comenta, seus olhos cinzas estão fixos na figura que se move incessantemente.
— Sim, está esperando uma resposta sobre aquele teste que fez — respondo, mantendo os meus olhos nela. Cada movimento dela me fascina, e sinto uma necessidade de protegê-la crescer no meu interior, mesmo que ela não saiba da minha presença.
— Você acha que ela vai conseguir o papel? — Dimitry pergunta com sua voz baixa e cautelosa.
— Não entendo nada dessas coisas, mas espero que sim. Ela merece qualquer coisa — digo, sentindo uma onda de compaixão por Maya. A ansiedade dela me dá um certo desespero, e desejo poder confortá-la de alguma forma.
Dimitry assente, compreendendo o quanto isso está me afetando. Ele sempre foi um amigo leal, disposto a me ajudar em qualquer circunstância.
— Precisamos ser discretos.
Concordo com um aceno de cabeça. As habilidades de lobo também permitem observar sem ser visto e ouvir sem ser ouvido. Posso sentir o cheiro dela no ar, uma mistura única de fragrâncias que me atrai de uma maneira inexplicável.
Finalmente, vejo-a parar de andar e pegar o celular. Ela verifica a tela com uma expressão exasperada, mas logo a frustração toma conta do seu rosto. Sabemos que isso tudo é por ela está esperando o e-mail dos produtores, e a espera está claramente afetando-a.
Ela se senta no sofá e conversa com a amiga por alguns instantes. Embora estejamos a alguns metros de distância, ainda conseguimos ouvir a sua discussão. Hayde é o oposto de Maya, sempre vê a vida de uma forma leve e tenta fazê-la se sentir confortável.
De repente, vejo Maya pegar o celular novamente. O seu rosto se ilumina com uma expressão de surpresa e alegria. Ela começa a ler o e-mail, e um sorriso radiante se espalha pelo seu rosto.
Ambas comemoram e pulam de alegria pelo apartamento até que Heyde sugere sair para comemorar e uma pequena discussão se inicia entre as duas, pois Maya não quer sair do apartamento. No entanto, a sua amiga é persuasiva e logo a ruiva se deixa levar.
Enquanto elas saem do apartamento, Dimitry e eu nos preparamos para segui-las. Sinto uma onda de ansiedade me percorrer ao pensar na oportunidade de me aproximar. Esta pode ser a chance que estou esperando desde o instante em que coloquei os olhos naquela mulher.
— Parece que a noite vai ser interessante — Dimitry comenta, com um sorriso travesso.
— Sim, e espero que realmente seja o começo de algo importante — respondo, determinado a fazer essa oportunidade valer a pena.
Seguimos Maya e Heyde pelas ruas de São Paulo, mantendo uma distância segura. A noite está apenas começando, e sinto que todo o meu mundo está bem ali na minha frente e posso quase tocar-lhe.
Elas acabam na frente de uma balada, um lugar vibrante com luzes neon e música alta que ecoa pelas ruas. A fila para entrar é longa, mas Maya e Heyde parecem não se importar. Dimitry e eu nos posicionamos estrategicamente para observar sem sermos notados.
— Vamos dançar esta noite — Dimitry comenta, com um sorriso malicioso que me faz dar um tapa em seu pescoço.
— Não estamos aqui para isso — respondo, tentando manter o foco. — Só quero garantir que Maya esteja segura e, se possível, encontrar uma oportunidade para me aproximar dela.
— Claro, claro. Mas não faz mal nos divertirmos um pouco também, certo? — ele diz revirando seus olhos e dando-me um tapinha no ombro.
Entramos na balada logo após elas, misturando-nos à multidão. O ambiente é caótico, com pessoas dançando, rindo e conversando em voz alta. Meus sentidos de lobo estão em alerta máximo, captando cada detalhe, cada cheiro e cada som que gire em torno do meu alvo.
Vejo Maya e Heyde se dirigirem ao bar, onde pedem drinks e começam a conversar animadamente. A música alta torna difícil ouvir o que estão dizendo, mas posso ver que Maya está mais relaxada, sorrindo e rindo com a amiga. Isso me acalma.
— Agora é a sua chance — Dimitry diz, inclinando-se para falar no meu ouvido. — Vá até lá e fale com ela, vou distrair a amiga.
Respiro fundo, sentindo a adrenalina correr pelo meu corpo. É estranho estar nervoso para falar com alguém, mas realmente estou. Mesmo assim, caminho em direção ao bar, tentando parecer o mais casual possível e quando me aproximo, vejo Maya virar-se para pegar o seu drink.
Os nossos olhos se encontram e aquela sensação de mais cedo me toma, afirmando que na minha frente está todo o meu mundo e que preciso segurá-lo.
— Você… — começa ela, hesitante. Maya franze a testa, aparentando me reconhecer.
— Acho que nos esbarramos mais cedo hoje — digo, tentando soar confiante. — Você está bem?
— Ah, sim! Estou bem. Obrigada por me segurar antes que eu caísse — ela responde com um sorriso tímido se formando em seus lábios.
— Foi um prazer — respondo, sentindo a conexão entre nós crescer ainda mais. — Posso te oferecer um drink, acho que meu amigo me abandonou.
Aponto para Dimitry que já está rindo com Heyde enquanto bebem do mesmo copo. Maya revira os seus olhos e hesita por um momento, mas então assente.
— Claro, por que não? Estou comemorando mesmo.
Peço dois drinks com um gesto e assim que a garçonete me passa, entrego um a Maya.
— Então, o que estamos comemorando?
— Passei para a segunda fase de um teste muito importante para mim — ela diz, os seus olhos brilhando de excitação. — E acho que a minha amiga vai transar com o seu colega hoje.
Olho para os dois do outro lado e percebo o quanto Heyde é determinada em conseguir o que quer. Não que Dimitry não fosse transar com ela de qualquer forma, mas a garota está praticamente o puxando para um beijo.
— Me desculpe por aquilo e parabéns pelo resultado! — digo, levantando o meu copo em um brinde. — À sua conquista e ao que está por vir.
— À minha conquista — ela repete, tocando seu copo no meu.
Enquanto conversamos, sinto essa conexão entre nós se fortalecer. Dimitry está ao lado, distraindo Heyde com uma conversa animada até demais, dando-me a oportunidade de conhecer melhor Maya. Ela me conta sobre sua paixão pela atuação e como esse papel é um sonho que ela está perseguindo há muito tempo, até que muda o rumo da conversa.
— E você? O que faz? — ela pergunta, curiosa. A música está ainda mais agitada e nossos amigos chegam até a pista de dança ficando ainda mais longe de nós.
— Trabalho com minha família em alguns negócios — respondo, tentando manter a resposta vaga. Não quero assustá-la com detalhes sobre minha verdadeira natureza e não sou tão rápido para inventar uma mentira.
— Que misterioso — ela diz, sorrindo. — Bom, mas parece que ambos estamos em busca de algo muito grande.
— Sim, parece que sim — concordo sorrindo e sinto uma onda boa tomar-me.
A noite avança, e a música ao nosso redor parece desaparecer enquanto conversamos. Cada momento com a ruiva é precioso demais, e estou disposto a fazer com que ela veja o que eu já sei: que estamos destinados a estar juntos.
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Atualizado até capítulo 56
Comments
Salome Pereira
só se os anciãos da alcatéia tenham se enganado
2024-12-08
0
Valdercina Rodrigues
Tomara que que ela seja uma lobisomem ou uma loba
2024-11-25
2
Valda Martins
Acho que não se manifestou
2024-09-30
2