Primeira verdade

Sebastian

Observo do sofá Maya se mover em sua pequena cozinha. Ela está concentrada em sua tarefa, e a visão dela me traz uma sensação de paz que há muito tempo não sentia. Maya está vestida com a minha camisa, que fica um pouco grande nela, mas de alguma forma parece perfeita. Seus pés descalços tocam levemente o chão enquanto ela se movimenta graciosamente, e seus cabelos vermelhos estão soltos, caindo em ondas suaves sobre os ombros.

A febre já passou, e ela parece muito melhor. A cor voltou ao seu rosto, e seus olhos brilham com a energia que eu tanto gosto de ver. É difícil acreditar que há apenas algumas horas ela estava tão debilitada. Agora, ela está aqui, na minha frente, sorrindo enquanto coloca queijo no pão.

— O que você está fazendo? — pergunto, tentando não interromper sua concentração, mas curioso sobre o que ela está preparando.

— Sanduíches de queijo grelhado — responde ela, sem tirar os olhos do seu trabalho. — Achei que seria uma boa ideia para um lanche rápido.

Sorrio, sentindo meu coração aquecer com suas palavras. Maya tem esse efeito sobre mim, mesmo nessas situações simples. Ela se vira por um momento, e nossos olhares se encontram. Há algo nos olhos dela, uma mistura de carinho e algo que não entendo, mas que me faz querer protegê-la ainda mais.

— Você parece muito melhor — comento, levantando-me e caminhando até a cozinha. — Estou feliz por ver você assim.

— E eu estou feliz por estar melhor — ela responde, colocando a mão sobre a minha. Entrelaçamos nossos dedos. — Quando eu vou entender o que aconteceu?

— Ainda não sei como te explicar sem assustá-la — digo, apertando sua mão suavemente. — Você é muito importante para mim, não quero correr o risco de perder isso.

Ela sorri, e por um momento, tudo parece perfeito. A febre, a preocupação, tudo isso parece distante agora e tudo o que importa é que estamos juntos, e que Maya está bem.

— Você é estranho, sabia? — ela pergunta, então solta minhas mãos para voltar a sua tarefa. Maya serve os sanduíches em dois pratos e me entrega um.

— Estranho? — pergunto, aceitando o prato e sentindo o calor do sanduíche nas minhas mãos. — Por que você acha isso?

— Porque você apareceu na minha vida do nada e, de repente, está aqui cuidando de mim como se fosse a coisa mais natural do mundo — ela responde, dando uma mordida no sanduíche. — Mas, de alguma forma, isso me faz sentir segura.

— Talvez porque eu me importo muito com você — digo, dando uma mordida no meu sanduíche. — E minha aura transmite essa vibração.

— Viu só? Estranho. — Dou risada do comentário, e ela sorri de volta, balançando a cabeça.

— Talvez eu seja mesmo um pouco estranho — admito, ainda sorrindo. — Mas acho que é isso que torna tudo mais interessante, não acha?

— Talvez — ela concorda, dando outra mordida no sanduíche. — Mas, de qualquer forma, estou feliz por você estar aqui.

— E eu estou feliz por estar aqui com você — respondo, sentindo uma onda de calor no peito. — Você é especial, Maya.

— Você não vai escapar de mim, Sebastian. — Ela arqueia uma sobrancelha. — Quero saber como é possível você ter curado minha febre com sexo?

Sinto meu coração acelerar. Essa é a pergunta que eu sabia que viria, mas ainda não estou totalmente preparado para responder.

— Eu já te falei. Você é minha — digo, olhando diretamente nos olhos dela.

Maya franze a testa, claramente confusa com minha resposta.

— O que você quer dizer com isso, Sebastian?

Respiro fundo, tentando encontrar as palavras certas.

— De onde venho, as pessoas tem algo que chamamos de temporada e é quando seus corpos estão à flor da pele e desejam um toque. Então, procuramos um parceiro para aliviar essa sensação que se parece muito com uma febre.

Ela me olha, ainda tentando processar o que estou dizendo.

— Temporada? — repete, confusa. — E isso tem a ver com o que aconteceu comigo?

— Sim, tem — respondo, suspirando. — Quando você começou a sentir os sintomas, eu soube que estava passando pela temporada, mesmo que você não seja como eu. De alguma forma, você foi afetada por mim, e nossa relação ajudou a aliviar seus sintomas.

— Mas por que aconteceria comigo? — ela pergunta, a voz cheia de incerteza. — Eu não sou como você e nem sei de onde você vem.

— Eu também não sei ao certo — admito — Mas estou investigando para descobrir tudo o que puder, assim podemos entender o que está acontecendo.

Ela olha para mim, e vejo a confiança começar a se formar em seus olhos.

— Então, você está dizendo que somos… conectados de alguma forma? — ela pergunta, tentando juntar as peças.

— Sim, acho que sim — digo, sorrindo. — E essa conexão é o que nos ajudou a passar por isso juntos.

Ela sorri, e por um momento, tudo parece perfeito novamente.

— Significa que também sou estranha. — Novamente estou rindo, até sentir o celular vibrar em meu bolso.

Faço um sinal para Maya aguardar um minuto enquanto pego o telefone e olho na tela. Vejo o nome de Dimitry iluminar meus olhos, o que parece atrair os meus sentidos. Atendo rapidamente a ligação.

— Sebastian, Loren está aqui — ele diz e já consigo ouvir minha irmã ao fundo gritando com alguém.

— Cadê! — A voz estridente dela chega até mim me dando dor de cabeça. — É ele? Me dá!

— Dimitry, não — mas é tarde.

— Aí, otário! Está com a garota? — ela pergunta e eu afirmo com um murmurar. — Se afaste dela agora mesmo. Você não pode ficar com ela.

— O que? Como assim?

— Maya é uma criança amaldiçoada pela Lua.

Sinto um calafrio percorrer minha espinha. Olho para Maya, que está me observando com uma expressão de preocupação.

— Loren, do que você está falando? — pergunto, tentando manter a calma.

— O pai dela fez algo terrível, algo que enfureceu o espírito da Lua. E agora, Maya está pagando o preço — Loren explica com a voz cheia de urgência. — O destino dela é esse.

— Isso não faz sentido — digo, tentando processar a informação. — O que um humano pode ter feito para enfurecer a Lua?

— Você não está entendendo, Sebastian. — Loren insiste. — Ele não era um humano e Maya é de Sombria. Ela é filha de Alícia e Juan.

Fico sem reação, pois já ouvi aquele nome muitas vezes na minha infância. Olho para a garota na minha frente e não consigo acreditar. Sinto uma mistura de raiva e confusão enquanto ainda ouço a minha irmã dizer algo, mas sua voz está tão distante que é como se estivesse abafada.

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Comments

Helena Rosa

Helena Rosa

E ela vai pagar pelo erro do arrombado do pai dla,aff q ódio

2025-01-04

0

Edinei Ribeiro

Edinei Ribeiro

acho errado ela sofrer pelo erro do pai dela

2024-11-01

2

Isabel Garcia

Isabel Garcia

muito confuso, muito sofrimento

2024-09-19

1

Ver todos

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