Aquele café

Maya

Acordo com a luz suave entrando pelas cortinas semi-abertas do quarto. Minha cabeça lateja e minha boca está seca como um lembrete claro da quantidade de álcool que bebi na noite anterior. Sento-me na cama, tentando organizar meus pensamentos.

A última coisa de que me lembro claramente é de estar na balada, rindo e conversando com Sebastian. Ele era charmoso e engraçado, e a conversa fluía naturalmente entre nós. Mas depois de algumas rodadas de drinks, as memórias começaram a ficar nebulosas.

"Você é tão bonito" eu disse em algum momento da noite. Me lembro de estar sentada já naquela cama enquanto ele se abaixava para desamarrar meus tênis.

Olho ao redor do quarto, tentando encontrar pistas sobre o que pode ter acontecido depois desse mico. Meu vestido tubinho está jogado em uma cadeire os meuseusima, e meus sapatos estão no chão ao lado da cama. Noto o meu celular na mesa de cabeceira e o pego, esperando que talvez haja alguma mensagem ou foto que possa me ajudar a lembrar.

Não tinha nada ali. Claro que não teria. Do jeito que Heyde estava se jogando para Dimitry na noite anterior, nesse momento eles devem estar enrolados nos lençóis.

O quarto é diferente do meu, mais luxuoso. As cortinas são de um tecido pesado e caro, e há uma poltrona de couro ao lado de uma mesa de vidro. Tento me lembrar de como cheguei aqui, mas minha mente está embaçada.

A porta do banheiro se abre e o vapor invade o quarto enquanto mordo o lábio ao observar o que vem de lá de dentro. Sebastian está com uma toalha em torno da cintura, deixando o resto do seu corpo à mostra. Os longos cabelos negros estão molhados e caem em seus olhos, dando-lhe um ar ainda mais misterioso e atraente.

Ele me vê olhando e sorri, um sorriso que é ao mesmo tempo, reconfortante e provocador.

— Bom dia — ele diz com sua voz suave e calorosa. — Você dormiu bem?

— Bom dia — respondo, tentando não parecer muito embaraçada. — Eu… estou tentando lembrar de tudo o que aconteceu ontem à noite... A gente...

Sebastian caminha até a poltrona e pega uma camisa que estava jogada ali, vestindo-a lentamente e isso faz meu coração disparar. Ele inclina a cabeça em minha direção, como se pudesse ouvir aquilo, pois sorri de canto.

— Foi uma noite divertida, — ele diz, caminhando até uma mala em cima da mesa. Ele vasculha lá dentro,talvez atrás de calças. — Depois que saímos da balada, você estava um pouco tonta, então decidi trazer você para cá. Não se preocupe, não aconteceu nada entre nós.

Sinto um misto de alívio e constrangimento, meus dedos grudam na camiseta que estou vestindo e tento me lembrar do momento em que troquei de roupa.

— Você não conseguiu — ele interrompe os meus pensamentos como se pudesse me decifrar. — Vomitou no seu vestido e depois não conseguia tirar. Foi a coisa mais nojenta e fofa que já vi.

Sinto minha cara ficar vermelha de vergonha.

— Meu Deus, sinto muito por isso, — digo, cobrindo o rosto com as mãos. — Eu não costumo beber tanto assim.

— Não se preocupe, todo mundo tem seus momentos. Eu só queria garantir que você estivesse confortável e segura. — Ele ri e finalmente acha uma calça

Agradeço silenciosamente por ele ter sido tão atencioso e o vejo voltar para o banheiro com a peça que irá vestir nas mãos. Isso me dá tempo de levantar da cama e percebo que a camiseta que ele vestiu em mim é grande o suficiente para cobrir meu corpo até as coxas.

Caminho até a janela e abro um pouco mais as cortinas, deixando a luz do sol entrar. A vista da cidade é impressionante, e por um momento, esqueço a confusão da noite anterior. Respiro fundo, tentando me acalmar de toda aquela tensão enquanto o ar me roda.

Sebastian sai do banheiro novamente, agora, completamente vestido e seus olhos caem sobre meu corpo vestindo apenas sua camiseta. Mesmo de longe vejo as pupilas dele dilatarem e isso me faz observá-lo com mais profundidade.

Ele desvia o olhar e tenta se recompor me fazendo achar aquele gesto uma fofura.

— Você pode me emprestar calças? Preciso voltar para casa e você disse que meu vestido está vomitado.

Sebastian sorri, um pouco envergonhado, mas ainda assim charmoso.

— Claro, eu tenho algumas calças que podemos adaptar para servir. — Ele caminha até a mala novamente e começa a procurar uma peça de roupa adequada. — Desculpe por isso, eu deveria ter pensado em comprar algo para você usar.

Enquanto ele procura, eu me sento na cama, observando-o. Há algo reconfortante na maneira como ele se move, como se estivesse acostumado a cuidar dos outros. Finalmente, ele encontra uma calça de moletom e a entrega para mim.

— Aqui está, — diz ele, estendendo a mão. — Espero que sirva.

— Obrigada — respondo, pegando a calça e indo para o banheiro para me trocar.

As roupas são o dobro de mim, mas consigo apertar a calça com o cordão do moletom que amarro na cintura e, quando volto ao quarto, ele me olha novamente, sempre mantendo aquele interesse desperto nos seus olhos azuis.

— Eu sei — sussurro um pouco sem graça. — Ficou muito grande e estou ridícula.

Sebastian ri suavemente, balançando a cabeça.

— Não está, — ele diz, com um sorriso lindo no olhar. — Na verdade, acho que você está adorável. E, além disso, é temporário, certo? Vamos tomar um café e depois eu te levo para casa para que você possa se trocar.

— E se me levar primeiro em casa para depois irmos tomar o café? Não quero que nosso primeiro encontro seja comigo, parecendo que encolhi na roupa. — Brinquei e ele sorriu abertamente. Meu Deus, que sorriso lindo.

— Então esse será nosso primeiro encontro? — ele pergunta, com um brilho ainda maior nos olhos.

— Bem, se você quiser que seja, — respondo, tentando parecer confiante, mas de novo, sei que estou corada. — Não quero que se lembre de mim como a garota que não sabe beber e vomita em si mesma.

Sebastian matem seu riso em um som que faz meu coração acelerar. Não consigo entender como ele consegue mexer comigo daquela forma, mas gosto disso.

— Eu adoraria, — ele diz, pegando suas chaves. — Vamos, então. Primeiro, te levo para casa para que você possa se trocar, e depois vamos tomar aquele café.

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Comments

Juliana Do Vale

Juliana Do Vale

o lobo dele não fala e nem tem o nome?

2024-11-18

1

Jane Silva

Jane Silva

seu coração sabe rsrsrs

2024-11-07

1

Ver todos

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