A lua cheia iluminava a pequena casa em meio a vila, lançava sombras dançantes sobre as árvores e a arquitetura da cidade. O ar estava cercado por uma tensão gritante, enquanto os três anciãos da matilha se reuniam em um círculo diante do berço no segundo andar daquela morada. As suas expressões marcadas pelo tempo refletiam a seriedade da noite e da notícia que traziam nos seus corações.
No lado oposto aos homens, a mulher observava com os braços cruzados enquanto os três cantavam algo que os antigos faziam para identificar o lado lupino do novo integrante da matilha. Alícia aguardou ansiosamente com seu coração batendo acelerado e um pequeno colar de dente de lobo entre seus dedos.
O ancião mais velho do grupo, com olhos amarelos que pareciam ver através das almas, deu um passo à frente com aquele semblante temeroso que muitos não queriam ver.
— Eu sinto muito, Alícia — ele começou com sua voz cansada que ressonou pelo pequeno cômodo. — Temos notícias difíceis sobre a criança.
Alícia sentiu um frio percorrer a sua espinha.
— Não pode ser. Tem certeza? — perguntou, pois sabia que só havia duas notícias que poderiam ser anunciadas e uma delas ela terrível.
— São muitos testes e observações, minha querida. É impossível errarmos. Sinto dizer que Maya não possui um lobo interior — disse o ancião e as suas palavras pesaram como chumbo para a mãe.
— E sem um lobo, ela não pode viver entre nós em Sombria. É perigoso para ela e para a matilha. — Outro dos anciãos se aproximou dizendo fazendo os olhos da mãe se encherem de lágrimas.
— De todas as maldições que Juan poderia me deixar, essa foi a mais cruel. — Alícia soltou, sentindo o chão desaparecer sob seus pés. — Como posso enviá-la para viver entre os humanos? Ela é apenas uma bebê!
— Entendemos a sua dor, — disse o mais velho, suavizando o tom de voz. — Mas é a única maneira de mantê-la segura. Entre os humanos, ela poderá viver uma vida normal, longe dos perigos que enfrentaria aqui.
— Aqui ela é uma peça de vidro em meio a uma casa cheia de crianças arteiras. — O último homem falou por fim.
As lágrimas escorriam pelo rosto de Alícia enquanto ela lutava para aceitar a realidade. — Prometam-me que ela será protegida, — implorou. — Prometam-me que ela encontrará seu caminho.
— Eu prometo isso — a voz da Luna cortou o ambiente quando ela entrou pelas portas, a mulher de longos cabelos castanhos e cacheados pousou uma mão reconfortante no ombro de Alícia. — Maya é sua filha e tenho certeza que é tão forte quanto a mãe. Ela encontrará seu lugar no mundo, mesmo que seja longe de nós.
Com o coração pesado, mas aceitando as consequências da traição que o seu marido deixou, Alícia assentiu. Sabia que essa era a única escolha, mas isso não tornava a decisão menos dolorosa. Enquanto a lua continuava a brilhar sobre a cidade, Alícia fez uma promessa silenciosa a si mesma: um dia, Maya entenderia o sacrifício que a sua mãe fez por amor.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 56
Comments
Salome Pereira
que é que tem ela viver na alcatéia, mesmo sem lobo?
2024-12-05
0
Cleide Almeida
oh decisão dolorosa viu
2024-10-23
0
Maria
O início parece promissor, estou gostando mas vamos ver o desenrolar da estória, muito ansiosa. Amo estória de lobisomens fascinada 😍😍😍😉😉
2024-10-22
0