Bela manhã

Acordo lentamente, sentindo o calor fraco do sol da manhã filtrando-se pelas cortinas do quarto. Os meus olhos se abrem devagar, ajustando-se à luz suave e de novo estou naquele lugar, mas dessa vez encontro-me deitada na cama de Sebastian sem estar de ressaca, e a lembrança da noite passada me faz quase sorrir.

Foi uma noite intensa, cheia de carinho e paixão, algo que eu nunca tinha experimentado antes.

Viro-me na cama e o vejo ainda dormindo ao meu lado. Seu rosto está relaxado, e ele parece tão tranquilo que me deixa em paz. Observo-o por um momento, admirando a forma como a luz do sol ilumina seus traços. Há algo nele que me faz sentir segura, algo que me atrai de uma maneira que não consigo explicar.

Levanto-me devagar, tentando não fazer barulho para não acordá-lo. Pego uma camisa dele que está jogada na cadeira e a visto, sentindo o tecido macio contra minha pele da mesma forma que suas mãos grandes deslizaram por mim durante a madrugada. Caminho até a janela e abro um pouco as cortinas, deixando a luz do sol entrar mais no quarto. A vista da cidade é linda, e por um momento, me perco na paisagem.

Meus pensamentos voltam para a noite passada. A maneira como ele me tocou, como me fez sentir especial e desejada. Nunca pensei que poderia me sentir assim com alguém, especialmente alguém que conheci há tão pouco tempo. Mas há algo em Sebastian que me faz querer confiar nele, algo que me faz sentir que estamos conectados de uma maneira profunda.

Ouço um movimento atrás de mim e me viro para ver Sebastian acordando. Ele sorri ao me ver, e meu coração se aquece com aquele sorriso.

— Oi — digo, caminhando de volta para a cama.

— Bom dia, Maya — ele responde com sua voz rouca de sono. Suas mãos agarram a minha cintura erguendo-me do chão com facilidade para me colocar em seu colo. — Dormiu bem?

— Sim, muito bem. E você?

— Melhor impossível — ele diz, percorrendo as mãos por minha silhueta.

Ele me puxa para mais perto e me envolve em um abraço caloroso. Sinto-me segura em seus braços, como se nada pudesse nos atingir.

— Estou feliz que você ficou — ele sussurra em meu ouvido.

— Confesso que fiquei com medo — respondo, sentindo uma onda de calor me envolver. — Mas tem algo em você que consegue bloquear essa sensação.

Ficamos nos encarando por um tempo, apenas aproveitando a companhia um do outro. Sei que ainda há muitas perguntas sem resposta, muitas coisas que precisamos discutir. Mas, por pequenos segundos, estou contente em apenas estar viva e realizada, com ele, aproveitando um momento bom.

A mão direita dele vem até o meu rosto afastando a mecha do meu cabelo para ele conseguir olhar nos meus olhos e, assim como na noite anterior, sinto um desejo enorme de beijá-lo. Acredito que ele também queira isso, pois levanta ligeiramente as costas e domina a minha boca.

Sinto o meu estômago borbulhando enquanto estou nos braços dele e ainda que eu tente me conter, sou levada pelo desejo. Seguro o rosto dele entre minhas mãos para intensificar aquele beijo, porque parece que meu interior quer que nossos corpos se fundam para sempre.

Estamos quase transando novamente quando ele para de me tocar e olha fundo nos meus olhos.

— Melhor te deixar respirar e descansar mais — ele sussurra mordendo meu lábio inferior com carinho. Resmungo fazendo-o sorrir. — o seu corpo é frágil, gatinha. Pode ficar sensível.

— Você fala como se eu fosse quebrar com sexo. — Minha observação o faz rir, mas nenhum comentário é feito. Suspiro. — Nunca senti nada parecido com o que senti ontem. Foi tão bom que chegou a ser estranho.

— Isso é a conexão. Eu disse que você é minha. — E como disse. Sebastian repetia isso sempre que podia e meu coração parecia concordar sem hesitar.

— O que isso realmente significa?

— Essa conexão? — ele pergunta e eu afirmo.

Sebastian encosta as costas na cabeceira da cama ainda comigo em seu colo. Só apoia sua mão em minhas nádegas para que eu não caiu enquanto ele se arruma. Nem parece que meu peso está em seu corpo.

Ele limpa a garganta antes de seguir, aínda mantendo os olhos fixos nos meus.

— Acho que vocês chamam isso de amor. Ou almas gêmeas. — Ele parece pensar consigo mesmo sobre o que diz. — É... Podemos comparar assim.

— Almas gêmeas? — repito, tentando processar o que ele está dizendo. — Você realmente acredita nisso?

— Sim, acredito. — Ele segura a minha mão com firmeza e os seus olhos brilham com uma intensidade que tenta me fazer acreditar nele. — Desde o momento em que te vi, senti que você era algo que eu estava procurando. É como se o eu dentro de mim, soubesse que você é minha.

— E aí você me perseguiu como um stalker. Que romântico — falei de maneira irônica.

— Tá, eu sei que foi errado. Mas eu tinha que ter certeza e quando você souber de tudo vai me entender.

— Tudo? — pergunto, levantando uma sobrancelha. — O que mais você está escondendo?

Ele suspira, parecendo pesaroso.

— Tem muitas coisas sobre mim que você não sabe, Maya. Coisas que são difíceis de explicar assim. Mas eu prometo que vou te contar tudo, só preciso que seja paciente e que confie em mim.

— Confiar em você? — repito, ainda desconfiada. — Você está fugindo da polícia por algum crime terrível?

— Não. Juro.

— Como posso confiar se está parecendo que fui parar em um episódio de C.S.I?

— Eu sei que é pedir muito. — Ele olha nos meus olhos com sua expressão séria. — Eu quero que você saiba que tudo o que fizer é para te proteger. E vou continuar te protegendo, não importa o que aconteça.

Sinto uma angústia subir pela minha garganta. Parte de mim quer acreditar nele, quer confiar que ele está dizendo a verdade. Mas outra parte de mim está assustada e desconfiada.

— Sebastian, eu... — começo, mas ele me interrompe.

— Por favor, Maya. Só me dê uma chance de te mostrar que não sou uma ameaça, mas que minha história é delicada.

Olho para ele, vendo a sinceridade em seus olhos e penso que talvez ele realmente esteja dizendo a verdade. Talvez haja algo mais profundo acontecendo aqui, algo que eu ainda não entendo.

— Tudo bem... — digo finalmente, suspirando. — Vou te dar essa chance. Mas se eu sentir que algo está errado, vou embora e você nunca mais vai me ver.

— Combinado — ele responde, parecendo aliviado. — Prometo que não vai se arrepender.

Assinto, ainda um pouco hesitante, mas decidi esperar.

Penso em voltar a beijá-lo, mas meu telefone toca, cortando nosso clima. Estico-me até a mesa de cabeceira para pegá-lo e vejo o nome de Heyde na tela. Sinto um frio na barriga, sabendo que ela deve estar preocupada.

— Ela vai se materializar aqui — digo a Sebastian, que segura o riso.

Atendo a chamada, e antes que eu possa dizer qualquer coisa, a voz de Heyde explode do outro lado da linha.

— Maya! Onde você está? Como some a noite inteira e não dá notícias! Você está me matando, Maya! Me matando!

— Aí, calma. Eu estou bem — tento tranquilizá-la, mas ela não parece convencida.

— Calma? Como você quer que eu fique calma? Você simplesmente desapareceu! — Ela respira fundo, tentando se acalmar. — Onde você está?

— Estou no hotel... Do... Sebastian — digo, olhando para Sebastian, que me observa atentamente.

— O doido perseguidor? — Heyde pergunta, claramente exasperada. — Resolve desafiar a morte ou tá pensando que é Jesus Cristo e vai ressuscita no terceiro dia?

— É complicado explicar pelo telefone, Heyde. Eu falo tudo quando voltar, prometo.

— Você tem que voltar agora, Maya. Isso não é seguro. — A preocupação na voz dela é notável.

— Eu sei, eu sei. Vou voltar logo, prometo. Só preciso resolver algumas coisas aqui.

— Maya, agora estou realmente preocupada com você.

— Eu volto logo, juro que ele não vai me mandar em um saco de lixo. — Desligo o telefone antes de ouvi-la gritar e suspiro, sentindo o peso da preocupação de Heyde atravessar o telefone.

— Tudo bem?

— Sim, só preciso voltar para casa e acalmar ela. Heyde está muito preocupada.

— Entendo. — Ele me puxa para um abraço rápido. — Vá e resolva isso. Estarei aqui quando você voltar.

Assinto, sentindo uma mistura de alívio e apreensão. Pego minhas coisas e me preparo para sair, mas antes de ir, olho para Sebastian uma última vez.

— Te vejo depois?

— Quando quiser. — Ele sorri, e sinto uma onda de calor me envolver.

Saio do quarto e faço meu caminho de volta para o meu apartamento, pronta para enfrentar a preocupação de Heyde e explicar tudo o que aconteceu. Bom, pelo menos o que eu sei.

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Comments

Kádma Souza

Kádma Souza

🤣🤣🤣🤣🤣🤣

2024-10-08

4

Rosemeire Menegardi

Rosemeire Menegardi

nossa essa amiga da Maya e muito preocupada, mas quando e ela que some ,a Maya não pode falar nada .

2024-08-28

7

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