Breve encontro

Sebastian

 A prefeitura de São Paulo gasta em média 1,8 milhão para manter o parque Primavera fechado. O lugar fica localizado na zona leste da cidade num bairro modesto chamado Jardim Pedro José Nunes.

A população local acredita que o parque não pode ser aberto, pois ainda existem resquícios de substâncias químicas devido o local ter sido um lixão anos antes da construção do parque e todos acreditam nisso, pois é o que a prefeitura frisa constantemente.

Mas o que a população não sabe é que bem no centro desse local, onde a natureza se faz presente é onde se forma uma pequena abertura que se afunda no chão como um túnel e leva qualquer um para a passagem do arco de árvores onde fica Sombria.

Um humano não conseguiria ir além disso, claro. Pois o portal de Sombria impede a entrada de pessoas não mágicas. Porém, é melhor manter a curiosidade humana longe dos segredos da natureza.

Essa também é uma das muitas passagens que levam as pessoas até o arco das árvores. É incrível como a natureza consegue criar conexões do arco até uma parte do mundo onde as suas árvores crescem intocadas pelo homem e isso é fascinante.

Aquela passagem, se torna meu torna o meur e vir da minha casa para continuar os negócios com as pessoas desse lado. Precisamos manter tudo em segredo e pessoas precisam ser pagas para que isso o ocorra.

Enquanto atravesso o portal, sinto a familiar sensação de transição entre os mundos. A energia mágica me envolve, e em um piscar de olhos, estou do outro lado, em um bosque intocado e sereno. As árvores aqui são antigas e majestosas, suas copas formando um dossel que filtra a luz do sol em padrões dançantes no chão da floresta.

Caminho pelo bosque, sentindo uma conexão profunda com a natureza ao meu redor. Cada passo me lembra da responsabilidade que carrego em proteger este lugar e seus segredos. Chego a uma clareira onde um pequeno grupo de pessoas me espera. O alfa da matilha está logo à frente, me aguardando com seu costumeiro olhar de pai preocupado, e eu sei que ele quer me fazer mil perguntas sobre Maya, porque agora que me conectei com ela, sei que é minha companheira.

Volto a minha forma humana e sinto o vento tocar a minhaha pele nua. Deixei as roupas do outro lado e logo sou envolvido por uma manta fina por um dos homens do Alfa.

— Sebastian — ele começa com sua voz grave e cheia de autoridade. — Conseguiu mais informações?

Afirmo, sabendo que essa conversa era inevitável. Aproximo-me dele e percebo que está tentando decifrar as minhas feições. Sua mão aperta firme a da minha mãe, fazendo-me ter a plena certeza de que eles usam a sua habilidade para se comunicar.

Meus pais conseguem ler a mente um do outro atrás de um simples toque. O que não é bom.

— Eu sei exatamente o que você quer saber — digo, tentando antecipar suas preocupações. — E sim, tenho certeza de que Maya é minha companheira. Ontem senti nossa ligação.

Ele me observa por um momento, seus olhos avaliam cada nuance da minha expressão.

— E ela já sabe disso? — ele pergunta com sua voz mais suave agora.

— Ainda não completamente, — admito. — Mas estou trabalhando nisso. Ela é especial, Alfa. Não sei como explicar.

Ele suspira, parecendo pensar em minhas palavras. Vejo minha mãe apertar sua mão e ele afirmar algo para ela, então ambos me observam.

— Sabe o quanto é importante manter nossos segredos seguros, filho. Trazer uma humana para nosso mundo é arriscado, mas se tem certeza, não teremos escolhas. No entanto, precisamos saber se está preparado para as consequências.

— Sim, estou. Preciso estar. — Respondo com firmeza. — Sei que é arriscado, mas sinto que Maya é diferente. Ela tem um poder que me prende, e eu estou disposto a fazer o que for necessário para protegê-la e integrá-la ao nosso mundo.

O Alfa assente lentamente, ainda parecendo preocupado, mas há uma faísca de compreensão em seus olhos.

— Muito bem. Confio no seu julgamento, Sebastian. Mas lembre-se, a segurança da matilha vem em primeiro lugar. Se em algum momento você sentir que ela é uma ameaça, precisaremos agir.

— Entendido, pai. Prometo que não vou decepcioná-lo.

— Espero que esteja mesmo certo, meu filho. Agora venha abraçar sua mãe antes que ela exploda meus pensamentos.

Aproximo-me da minha mãe, que me envolve em um abraço apertado. Sinto o calor e o conforto de seu toque, algo que sempre me acalma. Ela se afasta um pouco, segurando meu rosto entre as mãos e me olhando nos olhos.

— Sebastian, — ela começa, sua voz suave e cheia de preocupação. — Só queremos o melhor para você. E se Maya é realmente sua companheira, faremos tudo o que pudermos para ajudá-la a se integrar. Mas você precisa ser cuidadoso.

— Eu sei, mãe. — Respondo, tentando transmitir a segurança que sinto. — Vou fazer tudo certo. Prometo.

Ela sorri, embora ainda haja uma sombra de preocupação nos seus olhos.

— Vou confiar em você, meu filho. Agora vá, e traga Maya para casa quando chegar o momento.

Dou minha última afirmação, devolvo a manta para minha mãe e me afasto, sentindo o peso da responsabilidade que está em mim, mas também me agarro ao apoio incondicional da minha família. Sei que o que vem a seguir está cheio de desafios extremamente difíceis, mas estou determinado a passar por tudo isso.

Sinto cada fibra do meu corpo arder enquanto ele expande e os pelos crescem dominando cada pedacinho de mim até que uma pequena dor nos ossos assume o meu ser e me faz cair no chão em cima de quatro patas fortes.

Logo estou em minha forma lupina, pronto para correr pelo túnel.

Enquanto me aventuro de volta pelo bosque, meus pensamentos estão em Maya. Preciso encontrar uma maneira de explicar tudo a ela, de fazê-la entender a profundidade da nossa conexão e o mundo ao qual pertenço. Sei que não será fácil, mas acredito no que sou e de onde venho. Vou ter que mostrar tudo a ela sem assustá-la.

Chego ao portal e, com um último olhar para o bosque, atravesso de volta para o mundo humano. A cidade me recebe com seu barulho e movimento constante, um contraste gritante com a serenidade de Sombria. Gosto de estar nos dois lugares e agora sei o motivo.

A minha missão é clara: proteger Maya, integrá-la ao nosso mundo e garantir que os nossos segredos permaneçam seguros.

Seria muito mais fácil se ela fosse uma loba perdida.

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Comments

Helena Rosa

Helena Rosa

Com o tmp vc descobrirá ,assim como ela q n tem noção d seus antepassados

2025-01-03

0

Marilia Garcia

Marilia Garcia

aquele jornalista vai dar problema

2025-02-28

0

Salome Pereira

Salome Pereira

e ela é , só não sabe , ainda

2024-12-08

0

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