O tempo passou e já era abril de 2017. Os esforços da Allya valeram a pena. A dona Carmen já estava melhor e havia voltado para casa. Eu sempre a visitei nos fins de semana enquanto ela esteve no hospital.
Minha sogra se mostrava feliz e grata por eu ser seu genro. Ela sempre me dizia que eu era um bom homem e tinha nobre espírito. Que quando ela partisse iria segura, pois a Allya estava segura e era amada.
Meu sogro me agradecia por tudo. Naquele período difícil que passamos, minha família e eu nos unimos e pagamos as despesas hospitalares da dona Carmen.
A Tânia não podia ajudar muito, ela morava sozinha, pagava aluguel e tinha suas despesas. Sem contar que não recebia um sálario alto sendo professora do ensino médio. Ela também não podia deixar os alunos, para estar presente no dia a dia, durante o tratamento.
As parcelas da casa já haviam acabado e eu já não tinha contas. Continuei pagando as contas da casa, enquanto a Allya ainda pagava os parcelamentos do tratamento de sua mãe.
Nestes meses passados acabamos nos unindo mais como amigos que como casal. Deixamos de nos beijar todos os dias pela manhã e à noite ao nos deitarmos. Fazíamos amor a cada 15 dias e já não fazíamos mais nada juntos. Eu continuei com o futebol e a reunião com os amigos. A Allya descansava e ia à Igreja.
Por fim chegou a metade de 2017, todo aquele transtorno havia passado e nossa rotina como casal ainda não havia voltado ao normal. A Allya tentava, mas eu nunca queria fazer nada do que antes fazíamos juntos. Como ela não tinha dinheiro sobrando acabava ficando em casa. Ela vendeu suas férias novamente e eu vendi dez dias das minhas em agosto.
O dono da empresa em que eu trabalhava fez uma reunião e deixou bem claro que escolheria um substituto. Ele já tinha 70 anos e pretendia descansar e viajar.
Naquele momento houve praticamente uma guerra na empresa. Todos os chefes de departamento queriam o cargo. Eu não ficaria atrás. Assim participávamos de treinamentos que na verdade eram mais atividades avaliativas. Tudo isso fora do horário de trabalho.
Creio que o senhor Abel Mondarêz nos testava e avaliava o tempo todo. Queria saber qual de nós seria um excelente gestor como ele foi. Nos afastamos como grupo e fazíamos tudo em sigilo. O César que antes era o mais confiante, agora ele estava mais distante de mim.
A secretária dele, Emilly, passou a ficar mais tempo na minha sala. Ela levava documentações, dava explicações e anotava minhas sugestões. Pela primeira vez depois que me conheci a Allya, eu prestei atenção em um outro alguém.
A Emilly era realmente linda, para falar a verdade como o homem que eu havia me tornado na época... Eu a achava muito gostosa. A Emilly somente havia melhorado com o tempo. Tinha a cintura mais fina, lábios mais grossos, bumbum mais avantajado... Ela estava perfeita.
Emilly se vestia formalmente, porém as roupas eram extremamente justas e marcavam todas as suas curvas. Por onde ela passava, se observavam mulheres enciumadas cochichando e homens hipnotizados babando.
Ela era muito simpática e atenciosa. Se mostrava muito gentil e profissional. Apesar de sua aparência e jeito sensual, o comentário era que ela nunca havia saído com ninguém da empresa e não falava da sua vida pessoal. Oque sabiam, era que ela tinha um namorado e ainda morava com sua mãe.
Eu fiquei intrigado, queria saber mais sobre ela. Queria passar mais tempo com ela. O ano de 2017 chegava ao fim e tudo permanecia igual tanto no meu casamento como no meu trabalho.
Eu passava menos tempo com a Allya e mais tempo no trabalho. Chegou ao ponto que eu já não conseguia mais buscá-la no trabalho. Minha esposa que saía do trabalho às 17:00 horas levava de uma hora e meia a duas horas para chegar em casa. Mesmo assim eu sempre chegava depois dela por volta de 20:00 horas e 20:30.
A Allya sempre preparava o jantar e me esperava. Passei a não cozinhar mais. Eu chegava somente dava um selinho nela, tomava banho e jantava. Depois escovava os dentes e dormia, enquanto ela lavava a louça e preparava sua refeição para levar ao trabalho.
Eu já estava estressado com tanto trabalho, palestras e treinamento. Certa manhã acordei com os chacoalhões da Allya. Ela dizia, enquanto me chacoalhava:
-Acorda Conrado! Vamos nos atrasar!
-Por que me deixou dormir tanto? –respondi exausto.
-Eu te chamei inúmeras vezes e você dizia que já se levantaria -Respondeu nervosa.
Eu a olhei e ri ironicamente. Na minha mente se passava a questão, que ela se atrasaria e eu não. Afinal eu só precisava acordar às cinco da manhã, por causa dela. Porque tinha que levá-la ao trabalho em outra zona da cidade. Enquanto eu trabalhava a apenas cinco quarteirões da minha casa.
A Allya percebeu minha ironia e se calou. Ela tomou café e eu me arrumei. No carro ela me entregou um copo de café com leite e um saquinho de pães de queijo de uma cafeteria. Ela havia pedido por delivery. Eu peguei e os coloquei no suporte, eu tinha a cara fechada e nem agradeci. Ela de cabeça baixa me disse:
-Me desculpe amor, sei que está trabalhando bastante. Não é justo acordar tão cedo por minha causa. Vou de ônibus e metrô a partir de amanhã.
-Sinto muito Allya, está difícil para nós dois. Eu não queria que fosse assim- respondi e me justifiquei porém eu estava aliviado.
Agora relembrando este momento, posso ver claramente que ela escondeu sua frustração e tristeza. Enquanto eu não escondia meu alívio e falta de empatia. Eu sabia que ela tinha contas e por um bom motivo. Sabia que ela não escolheu passar por aquilo. Eu sabia que já tinha quase R$500.000,00 em aplicações, não comprava um carro para ela por falta de vontade. Sabia que os R$10.000,00 que paguei de despesas hospitalares, não causaram impacto algum na minha conta de investimento, só não ganhei os rendimentos do mês.
Emilly
Fonte: Foto retirada do site Freepik. Disponibilização gratuita. Foto modificada via edição de celular.
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Atualizado até capítulo 71
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