Eu e meu irmão João éramos como água e óleo. João era comerciante e 11 anos mais velho. Nós tínhamos muitas diferenças, ele sempre dizia que eu era mimado e egoísta. Ele tinha outra religião e não ia às missas. Ele preferia ficar em casa com sua esposa Samara e seus dois filhos Amanda e Sander.
João era muito dedicado e pelo menos duas vezes na semana visitava nossos pais. Já eu... Os via somente nas festas e férias de fim de ano. Após a Missa de Ano Novo finalmente tive sucesso com a Allya. Enquanto todos confraternizavam, a vi subir até a torre do sino da Igreja. Eu subi lentamente as escadas e a encontrei, vestindo a roupa a orquestra. Ela estava apoiada no parapeito e tinha os olhos fechados.
Fiquei a olhando por uns 5 minutos, até que ela disse:
-Gratidão!
- Grata por ter me conhecido? – questionei em tom de brincadeira.
Ela se assustou e se virou me encarando. Então gentilmente sorriu.
-Se for tão bom quanto sua família, sim... Estou grata por te conhecer. – Allya respondeu, me indicando a decida.
Eu apenas sorri e a acompanhei. No fim da confraternização, a convidei para sair, tomar um sorvete. E a resposta dela simplesmente foi: “ não posso”. Me senti rejeitado e não entendia como ela havia aceitado Regis e me esnobado.
Eu simplesmente estava obcecado pela Allya, eu não gostava de perder e não desistia sem tentar até o último segundo. Então fui a todos os lugares que sabia que a encontraria. Muitas vezes a seguia e a encontrava lendo, na praça ou na varanda de sua casa.
Ela sempre lia impressos encadernados, eu pensava que ela estudava para uma pós- graduação ou algo assim. Eu tentava uma aproximação e ela sempre fugia. Certa noite minha mãe disse que iriam a um bingo beneficente na casa dos Malvas. Meu coração se encheu de esperança e eu disse que os acompanharia. Minha mãe disse:
-Vai ser bom sair um pouco e gastar.
-Sim Marcia, vai ser bom para ele. Desde de que fique longe da Allya -disse meu pai em tom autoritário.
-Pai, sabe muito bem que a única razão para eu ir é a Allya. – Respondi obstinado.
-Não se esqueça que você vai voltar para São Paulo em menos de dez dias. Não brinque com esta moça! –disse meu pai me encarando.
-Seu pai tem razão Conrado. O Sandro a Carmen são nossos amigos, após sua ida para a faculdade nossas famílias se tonaram amigas. –pontuou minha mãe preocupada.
-Mãe, pai... Eu não sou este tipo de homem. Eu realmente acho ela bem interessante e linda. Estamos muito perto, são apenas 73 km – respondi sentindo o que eu realmente pensava.
-Certo, sempre te dei exemplo de como se comportar com uma mulher. Te criei para ser um homem de honra- disse meu pai me analisando.
-Sim filho e a Allya é uma boa moça. Se comporte e seja respeitoso – aconselhou minha mãe me abraçando.
Eu somente assenti e contei cada minuto. Tomei um banho e me arrumei rápido. Fiz questão de ir no meu carro, uma Duster preta do ano. No caminho paramos em uma padaria e minha mãe comprou uma torta de chocolate. Eu vi um senhor em uma Kombi vendendo flores. Não perdi tempo e comprei um lindo buquê de rosas brancas. Minha mãe se pronunciou:
-Bela escolha meu filho.
-Obrigada papai.
Meu pai somente riu levemente, parecia que já sabia o futuro e o destino das rosas. Poucos minutos depois estávamos na frente da casa da família Malva. Uma casa com o muro baixíssimo, um belo jardim. A casa era grande e tinha telhas de barro que ressaltavam as paredes brancas. As lindas e grandes janelas vitorianas só acrescentavam mais beleza àquela construção. Era uma linda casa antiga.
Tinha umas vinte pessoas na varanda. Observei o olhar da Allya me vendo descer do carro. Meu pai abriu a porta para minha mãe e a ajudou com as prendas. Logo Carmen e Allya estavam na calçada e nos recebia com cumprimentos de boa noite.
Minha mãe entregou a torta para Carmen e eu entreguei o buquê para Allya. Ela sentiu o perfume das flores e disse:
-Que linda prenda! Você tem bom gosto.
-Ah, penda... Sim- respondi querendo dizer outra coisa.
Eu simplesmente queria dizer que as flores eram para ela, mas não tive coragem. Então sorri sem graça, vendo o sorriso provocativo do meu pai. Eu a segui, acabei a ajudando com as cartelas e canetas. Depois a ajudei com o chá e os biscoitos para os convidados. Na verdade eu nem sabia fazer um chá. A ajudei com as xícaras e organizar os biscoitos nos pratos.
Enquanto os convidados se serviam reencontrei Brenda uma colega do ensino médio. Ela também morava em São Paulo e era uma executiva na área de marketing. Ela também visitava a família e ficou feliz em me ver, em saber que eu também era solteiro. Trocamos telefones e conversamos bastante. Eu percebi que Allya nem se importou.
Ao final, quando já nos preparávamos para voltar para casa, fui até a Allya cheio de coragem e disse:
-Allya, daqui a alguns dias eu volto para minha vida em São Paulo. Vou embora triste, pois você não me deu a chance de te conhecer ou ser seu amigo.
Ela ficou me olhando e não disse nada. Eu continuei lá parado esperando uma resposta, afinal eu era um homem de quase 30 anos e não tinha mais tempo para bobagens sentimentais e jogos de amor. Eu era prático e eficaz. Finalmente ouvi:
-Conrado, eu estou muito ocupada. Trabalho em casa, via internet editando e revisando livros de sites e blogs online. Mas se for somente amizade... Podemos sair e conversar um pouco.
-Está bem, me passa seu contato. Eu vou pensar em algo para o fim de uma tarde e te aviso. – respondi confiante.
Trocamos contato e me despedi dela com um beijo no rosto. Chegando na casa dos meus pais, fui direto para o quarto e comecei a pensar no que agradaria a Allya. Depois pensei que ela já era uma mulher e se havia aceitado meu convite ela aceitaria bem qualquer lugar que eu a levasse.
Conrado Abrantes
Fonte: Foto do ator Ilhan Sen, modificada via editor de imagem de celular.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 71
Comments
Ivanilce Augusta Cassidori
não gostei das fotos parece pintura
2024-09-02
0