Não consigo relatar com precisão todas as datas, mas creio que o importante são as memórias. Vou ser breve, fiz cada loucura... Enviei mensagens, liguei, entreguei flores e... A persegui. Acho que é instinto masculino, guerrear por aquilo que é difícil, competir pelo que muitos querem e amar mesmo desacreditando do romantismo. Os dias se passavam e ela era somente educada. Nossas mães faziam campanha a nosso favor, já nossos pais eram cautelosos e evitavam se envolver.
Um dia cheguei próximo à casa dela e a janela do quarto dela estava aberta. Fiquei a olhando e decidi tocar a campainha. Allya saiu linda e radiante. O semblante dela mudou, me pareceu confusa... Eu disse:
-Oi, tudo bem? Você sumiu.
-Oi Conrado, eu estou muito ocupada. Estou revisando três livros ao mesmo tempo – ela respondeu com uma apostila nas mãos.
-Não vai me convidar para entrar? Eu adoraria um copo de água. Estou cansado – usei de artimanha, sabendo que ela estava só e não me convidaria para entrar.
-Como pode estar cansado? Você veio dirigindo! -questionou ela rindo.
-Só quero passar mais um tempo com você, decidi voltar antes para casa – respondi usando meu último truque na manga.
Percebi que o semblante dela mudou, pareceu triste e após preocupada. Então ela sugeriu que fossemos a um trailer em uma pracinha afastada para tomar um sorvete, eu prontamente aceitei e fomos. Após, caminhávamos e eu ficava o mais próximo que podia e percebia que eu a deixava tentada.
Como eu não queria voltar a induzi a caminhamos um pouco pela praça e pegamos uma trilha que levava a um pequeno parque ecológico. Em meio às árvores, pássaros e borboletas eu segurei as mãos dela, que me encarou. Segurei o rosto dela delicadamente com as duas mãos e a beijei. Eu simplesmente aproveitava, aquele momento e sabor dos lábios dela. Eu tinha dificuldades de parar. Allya correspondeu meu beijo e ao término me pareceu surpresa.
Eu sabia que tinha dado da cartada certeira. Eu obviamente era muito mais experiente que ela. Mas foi diferente de todos os outros beijos que compartilhei. Eu amei o gosto daquela boca, a textura daquela pele. Eu queria mais e mais... Quando voltei a mim, Allya caminhava saindo da trilha.
Momentos atrás, aconteceu nosso primeiro beijo. Eu estava feliz, mas sabia que deveria ir devagar. A postura da Allya me alertava isso. Quando sai da trilha parei no olhar revoltado do meu irmão sobre mim. A Allya caminhou até ele e apertou suas mãos, João pareceu nervoso mas foi cordial com ela. Eu fiquei parado os observando conversar, então percebi que Allya não entendia a distância entre meu irmão e eu.
Caminhei até eles e abracei meu irmão que até aquele momento eu só tinha visto nas ceias de fim de ano. Vi faíscas de raiva saindo dos olhos dele e calculei meu próximo passo como de costume, eu disse:
-Allya por favor pede quatro bolas de sorvete de coco com calda de goiaba para viagem e pede algum sabor que sua mãe goste também. Já vou pagar.
Ela assentiu e saiu em direção ao trailer. Então simplesmente encarei meu irmão que esbravejou baixo:
-Conrado quando vai se tornar um homem? Oque pensa que está fazendo?
-João sou um homem faz tempo! Oque estou fazendo não é da sua conta. – Respondi fuzilando de raiva.
-É da minha conta sim! Se está acostumado a brincar com as moças da cidade grande... – Pausou a fala e respirou fundo - Saiba que a Allya não é assim. Nossos pais são amigos Conrado!
-Somos só amigos e... – Fui interrompido.
-A cidade é pequena e as pessoas comentam. Você está sempre próximo a ela. A respeite e não faça dela somente sua diversão. A Allya já sofreu muito por causa do ex-noivo e tem a depressão... – disse João saindo sem me dar chance de resposta.
Novamente os sentimentos se tornaram um nó na minha cabeça, Allya e Regis... Allya e um noivo? Senti imensa vontade de a questionar, mas não tinha direito. Afinal havia sido somente um beijo.
Eu estava desconcertado, vários sentimentos explodiam dentro de mim, mas... Usei a calculadora no lugar do cérebro e agi como se nada tivesse acontecido, como se nada me incomodasse. Paguei os sorvetes e deixei Allya na casa dela.
Eram umas 20:00 horas quando decidi ligar para a Allya. Pedi um encontro. Ela aceitou, então a busquei na casa dela e dirigi até o estacionamento de uma cachoeira. Estava escuro, a noite não tinha luar ou estrelas, então ficamos dentro do carro. Mas logo que estacionei a beijei novamente. Descarreguei todo o sentimento de anseio e tortura da espera naquele beijo. Ela retribuiu o beijo, que se tornaram beijos, assim que sessávamos um beijo eu a olhava e a beijava novamente.
Após muitos beijos, carícias, toques e apertos eu sugeri que fossemos para o banco de trás. Allya somente respondeu:
-Conrado é melhor irmos para nossas casas.
-Nossa... Allya porquê? Fiz algo que te chateou? – perguntei cinicamente, era obvio que ela havia gostado.
-Já tivemos o bastante por hoje Conrado estamos apenas ficando e não quero ir longe demais –respondeu ela docemente.
Então criei coragem para questionar sobre ela e Regis, sobre ela e seu noivo:
-Te lembro o Régis, talvez seu noivo? Por isso me afasta? Pensa mesmo que eu a teria no banco traseiro do carro? Olha só para você! É uma mulher que merece o melhor quarto.
Allya simplesmente me olhou com os olhos vermelhos de raiva, destravou a porta do carro e tentou descer. Eu fui mais rápido, travei todas as portas e desativei o comando.
Eu também estava com muita raiva, a olhei com olhos estreitados e narinas dilatadas. Eu estava praticamente bufando de raiva. Quando percebi medo e decepção em seu semblante. Eu decidi continuar o que tinha em mente.
Eu queria certezas, precisava de respostas claras e coerentes. Por que eu a estava levando a sério demais? Eu sentia um ciúme insano. Tinha ciúme do passado dela... Sentia ciúme dela que nem era minha e não tínhamos relação oficial. Meu coração dizia que ela era minha, enquanto minha mente me alertava para manter a calma.
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Atualizado até capítulo 71
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