Dois dias depois, combinamos de ir a um shopping em uma cidade próxima. Eu a busquei na casa dela e o senhor Sandro me encarou dizendo:
-Traga minha filha até as 22:00 horas Conrado Abrantes.
-Trarei seu Sandro – respondi nervoso.
-Divirtam-se- falou Carmen eufórica.
Nos despedimos deles e nem me atrevi a abrir a porta do carro para a Allya. O pai dela estava receoso, afinal eu era seis anos mais velho, minha família tinha mais bens que a dele e eu nem morava na cidade. Só me conheciam de relatos, depois da fase adulta.
Dirigindo pela rodovia eu passava por vários e hotéis e pousadas. Me perguntava quando eu entraria com a Allya em algum daqueles quartos. Nós conversávamos e ela falava pouco. Nossas conversas eram sempre inteligentes e ponderadas.
Chegamos ao shopping e eu segurei as mãos dela e andamos de mãos dadas. Ela comprou alguns perfumes e eu comprei um relógio. Depois visitamos uma galeria de arte, comprei um quadro para minha mãe e um vaso decorativo para a mãe dela.
Jantamos na praça de alimentação do shopping e fomos para a bilheteria do cinema, após assistimos Sherlock Holmes 2. Era o filme mais interessante, infelizmente não tinha nenhum filme romântico em cartaz para me ajudar no processo de sedução. Na verdade eu mais olhei para Allya que para a tela. Também segurei as mãos dela em alguns momentos. Era minha forma de deixar claro que eu a respeitava, mas não queria só amizade. Eu era um pouco avarento, mas para impressioná-la fiz questão de pagar sozinho a conta do jantar e do cinema.
Paguei o estacionamento enquanto ela comprava duas garrafinhas de água. Após fomos para o carro. Já na rodovia eu a olhava e a linguagem corporal dela era linda. A Allya era meiga e forte ao mesmo tempo. Parecia que ela tinha um mistério... A postura dela era linda, inclusive enquanto estava sentada. Era aquela postura ereta e delicada. Os gestos eram leves e simétricos, a voz... Parecia um canto afinado, as roupas sempre alinhadas e com caimento perfeito para o corpo dela.
Eu amava a forma como ela se vestia, me fazia sempre imaginar o que estava por baixo daqueles lindos tecidos. A Allya não mostrava muito, as roupas nunca eram marcantes, decotadas e apertadas. Ela amava saias e vestidos. Ela tinha um estilo clássico com um toque vitoriano, que trazia extrema elegância.
Me veio à mente que senti imensa revolta enquanto a deixei sozinha para ir comprar água. Ver todos aqueles olhares sobre ela, enquanto caminhava elegantemente sobre aqueles saltos médios. O vestido branco com pétalas de flores rosa, espalhadas... A barra rodada fazia um S em zigue-zague acima dos pés, parecia que ela executava passos de balé. Eu e todos os outros percebíamos. Eu ri nervosamente e desesperado quando percebi que alguns olhares pararam no rosto dela e quando ela passou, por eles... Eu ouvi: “ Uau! Nossa”!
Voltei a mim e continuei dirigindo. Conversamos bastante e deixei bem claro que a achava linda e estava louco por ela. A Allya era bem madura e inteligente. Eu percebia que ela sentia atração por mim, mas ela queria ir devagar. E eu... Simplesmente respeitava.
Estacionei na frente da casa dela às 21:30. A olhei e cheguei à conclusão que o que o Regis havia dito sobre ela não condizia com a postura que ela apresentava. Mas se foi real o que ele havia relatado, aquilo tudo era passado. Eu simplesmente a queria, eu não entendia... Por que eu a queria tanto?
Observei que os pais dela não estavam por perto então a ouvi dizer:
-Boa noite e obrigada pelo passeio eu gostei muito.
Me aproximei dela, dei um beijo vagaroso próximo da boca. Para ser exato, no canto da boca. A olhei nos olhos e disse:
-Eu que agradeço sua companhia, foi muito legal este dia. Até mais. Boa noite.
Ela desceu carregando as sacolas. Ela pareceu um tanto desconcertada com o que eu havia feito. Parecia que ela me queria tanto quanto eu queria ela. Esperei ela entrar em casa e fui embora.
No quarto eu só pensava nela, em como ela me deixava todo bagunçado, eu pensava uma coisa e fazia totalmente o oposto. Eu que era extremamente racional, naquele momento sentia que meu ser transbordava somente sentimentos novos e estranhos. Eu a desejava, mas queria ir devagar, aproveitar cada momento junto a ela. Mas eu sabia que tinha pouco tempo, eu precisava voltar para São Paulo na semana seguinte.
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Vera Santos
parabéns 👏👏
2024-08-15
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