Na metade 2016 eu comecei a ficar exausto. Eu já ficava irritado com o fato de levar e buscar a Allya no trabalho. Também passei a cancelar algumas idas nossas ao cinema, jantares e shopping. Eu continuei firme com o futebol e reunião do suco de cevada. Eu já passava a visitar meus pais e sogros a cada três meses, mas a Allya continuou os visitando uma vez por mês, assim como frequentando a igreja regularmente.
Fazíamos amor apenas uma vez por dia e au já não era tão carinhoso como antes. Eu a desejava e queria a ter por puro prazer. Minha sorte é que a Allya se adaptou e parecia que conhecia cada movimento do meu corpo e plano do eu cerebelo. Ela sempre acabava satisfeita e eu me achava o máximo por isso.
Com a falta de paciência surgiu um ciúme desenfreado. Eu passei a implicar com as roupas mais justas da minha esposa. Eu era injusto com ela, a Allya sempre soube equilibrar as peças e não mostrar muito. Eu sempre fazia comentários negativos quando me sentia enciumado. Eu dizia: “Amor porque se vestiu assim? Olha quantos olhares está atraindo”!
Ela sabia que era puro ciúme, mas nunca mais usava a roupa mencionada. Certo dia saí mais cedo do trabalho e fui até a editora. Como a recepcionista não conseguia falar no ramal da Allya ou do Pérsio, liberou minha entrada.
Eu bati, porém ninguém abriu ou atendeu. Quando abri a porta eu quase explodi de ódio. Os telefones estavam fora do gancho e minha mulher ouvia algo no fone e ouvido. Eu percebi o Pérsio ao lado da mesa dela, vidrado nela.
Fiquei transtornado. Nenhum dos dois percebeu que alguém havia aberto a porta. Eu fiquei quase um minuto lá parado, observando a cena e o Pérsio principalmente. Eu queria matar ele, apagar a existência dele da Terra. O cara era perfeito, tinha uns 34 anos, 1,92 de altura, uns 90 kg, muitos músculos e tanquinho. Ele era meu oposto, tinha olhos azuis e um rosto de artista de cinema. Parecia aquele Tom Hardy na versão loiro de olhos azuis.
Eu vi ele se aproximar e pegar o fone a mão da Allya enquanto ela dizia:
-Que música linda, você é um excelente compositor além de cantor!
-Obrigada Ly. – respondeu ele cheio de dentes para minha esposa.
Eu me enfureci e continuei olhando indignado, até que fui notado pela Allya. Ela se levantou e caminhou até mim dizendo:
-Conrado, amor que surpresa!
-Oi amor, a abracei. - Disse enquanto encarava o Pérsio.
Ele percebeu meu ciúme, balançou a cabeça e pude ver um leve sorriso sarcástico. Antes mesmo que a Allya pudesse nos apresentar o Pérsio saiu da sala. Eu a olhei nos olhos e perguntei:
-Oque foi isso? Não era um áudio book era?
-Não, o Pérsio é um ótimo cantor. Ele estava me mostrando sua música nova e nos convidou para o show dele nesta sexta.
-Só nos sonhos dele, não vamos. Já temos planos. – Eu disse possesso de raiva.
A Allya não questionou, eu não queria causar uma cena no trabalho da minha esposa. Então me afastei e enquanto saia eu falei:
-Te espero no carro.
No carro eu não falei uma palavra, só respondia oque era perguntado. Chegamos em casa, eu apertei a Allya contra meu corpo e quis fazer amor. Ela disse que não podia, pois estava naqueles dias. Eu duvidei pensei que ela me rejeitava. Ela nunca deixava vestígios de que estivesse naqueles dias. Ela era uma mulher minuciosa e impecável.
Quando ela entrou no banho, eu a espionei e percebi que ela falava a verdade. Me senti aliviado. Mas ao vê-la tão linda e aquele chuviscos de água caindo sobre o corpo dela , me dei conta do porque o Pérsio a queria. Eu tinha muita sorte. Tinha um verdadeiro mulherão ao meu lado.
Era minha semana de cozinhar. Eu preparava o jantar, quando o celular da Allya vibrou. Era o Pérsio mandando vídeos do ensaio dele. Eu me enfureci. Escrevi para ele “ Oi, aqui é o Conrado, por acaso isso é algum assunto urgente de trabalho’’?
Ele me respondeu: “Não, eu posso esperar”. Quando a Allya adentrou a cozinha, eu coloquei o aparelho celular na mão dela e disse para ela acabar com aquilo. Sai e fui para o banho. Depois me deitei sem jantar.
Creio que minha esposa, jantou sozinha enquanto refletia. Ela levou um prato para mim no quarto e disse:
-Conrado, o Pérsio é meu amigo. Aqui não conheço ninguém além da Caroline.
-Ele é bem abusado isso sim. –Respondi pegando o prato.
-Mas você tem razão, vou conversar com ele, para sermos mais profissionais.
-Allya, nem minha secretária me manda mensagem fora do contexto profissional. Ou você acaba com isso, ou eu resolverei.
Ela me olhou e assentiu. Eu fiquei mais aliviado e soube que ela acabaria com aquela situação. A Allya detestava mentiras.
O mês passou e eu já estava um pouco distante. Quando eu ia buscar minha esposa, eu estava tenso e nervoso com o trânsito. Eu não falava muito, apenas respondia as perguntas dela. A Allya sempre queria conversar saber o motivo do meu silêncio e eu alegava que era cansaço somente.
Eu já estava pensando como seriam nossas férias no mesmo mês. Porém tive uma surpresa, na semana final de julho durante o jantar eu nem percebi que minha esposa estava triste. Ela disse com a voz embargada:
-Conrado, meu amor... Não irei tirar férias este ano, eu vendi minhas férias.
Eu a olhei surpreso, porém aliviado. Fingi encômodo e questionei:
-Vendeu os dez dias previstos na lei?
-Não amor, vendi os trinta dias. Me desculpe, mas é preciso.
Eu me calei e não questionei o motivo.Minha esposa começou a chorar e eu não entendia nada. Com a voz entre soluços ela disse:
-Minha mãe está doente. Ela tem câncer no esôfago e... Meu pai e ela esconderam da Tânia e eu. Ele gastou as economias, passou o ponto da feira. O dinheiro acabou e agora...
Me levantei e a abracei forte. Eu também amava meus sogros e meu coração também doía. Após um longo silêncio, eu cheguei à conclusão que eu tinha renda quatro vezes maior que a da Allya e não seria justo dividir a parcela da casa naquele momento. Eu disse:
-Amor. Faça oque achar necessário, eu te apoio. Não precisa mais pagar a metade da parcela de prestação da casa. Faltam apenas sete para a quitação, eu consigo pagar sozinho.
-Mas... Amor... Você já gastou suas economias com a entrada da casa e ainda me ajudou com a mobília. Você tem gastos com a gasolina e paga as contas de água, energia, internet, celular, seguros. –Respondeu ela em dúvida.
-Allya, eu posso fazer. Você gasta todo seu cartão alimentação com compras para a casa. Ajude a cuidar da sua mãe. Eu quero que ela se cure.
Naquele dia senti gratidão e esperança, no semblante da minha esposa. Mas... A Allya mudou, ela se entristeceu. Revezava os dias entre nossa casa e o hospital. Mesmo assim ela conseguia dar conta de tudo. Nossa casa sempre estava em ordem e ela deixava mensagens e sempre falava comigo.
Pérsio
Fonte: Foto original do ator Tom Hard. Baixada do Pinterest vê editada via filtro de celular.
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Romantico Anonimo
Uma boa crítica social aos homens que descontam o estresse e frustrações do dia na família.Pensa q só eles enfrentam isso e sua família não /Ok/
2024-08-20
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